Exames nacionais em formato digital até 2025

O Governo quer que as provas e os exames nacionais deixem de ser feitos em papel até ao fim de 2025. É um processo gradual e parte de um investimento global de 559 milhões de euros na transição digital.
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O caminho está traçado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), entregue à União Europeia, que coloca como um dos objetivos a criação de condições para a gestão eficiente do processo de transição digital no sistema educativo. As provas e os exames nacionais passarão, de forma progressiva, a ser feitos em formato digital. A ideia é abandonar o papel até ao fim de 2025. Este ano, já foram dados passos nesse sentido no primeiro diagnóstico feito a alunos do 3.º, 6.º e 9.º anos, para aferir o impacto do ensino à distância, realizado de forma digital. 

A produção de recursos educativos digitais para cada uma das 330 disciplinas das matrizes curriculares do Básico e Secundário, com os ensinos profissional e artístico incluídos, num investimento de 80 milhões de euros, surge no PRR, bem como a cobertura wi-fi em todos os espaços escolares, a criação de uma biblioteca digital como repositório de “ebooks”, e a instalação de um projetor em cada sala de aula das escolas públicas do país.

A generalização dos recursos pedagógicos digitais e o aumento das médias de literacia digital estão assim debaixo de olho do Governo. Este trabalho exige que áreas de competências digitais façam parte dos programas do ensino Básico e Secundário e que o currículo das TIC do Básico seja analisado de forma mais profunda. A questão que se tem colocado é se haverá professores, infraestruturas e equipamentos, e outros meios humanos e técnicos, suficientes para atingir esses objetivos. Até ao fim de 2021, há promessa de distribuir mais 600 mil equipamentos às escolas, no âmbito da vontade de universalizar o acesso à internet e aos computadores a todos os alunos e professores da escolaridade obrigatória. 

A transição digital do sistema educativo aparece como um pilar importante do mecanismo europeu de recuperação e resiliência, na medida em que aumenta as competências digitais dos alunos e dos professores. “Os resultados gerados contribuem também, genericamente, para o pilar do crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, considerando que o processo de melhoria da qualificação da população e a sua capacitação digital contribui diretamente para um desenvolvimento mais inclusivo e mais inteligente, e indiretamente, para um futuro mais sustentável”, lê-se no plano.

A intenção de melhorar e generalizar a utilização de recursos educativos digitais, incluindo os processos de avaliação, é ponto assente, portanto. Trata-se de um investimento que, segundo adianta o Governo, “pressupõe o desenho e criação conceptual, edição digital e validação científica de conteúdos educativos para apoiar os processos didáticos e pedagógicos, distinto da disponibilização de plataformas e softwares que facilitem o acesso”. Nesse sentido, refere a adoção de processos desmaterializados de elaboração, distribuição, aplicação, realização e classificação das provas de avaliação interna e externa. 

Esta mudança gradual na desmaterialização da avaliação externa representa um investimento de 12 milhões de euros e a digitalização total deste processo, no sistema de ensino, custará 559 milhões. As verbas estão inscritas no PRR. 
 

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