A pandemia e a insistência de adaptar o currículo ao contexto dos alunos

Universidade do Minho questionou professores do Básico e do Secundário sobre o ensino à distância. Docentes dão nota de mais burocracia, mais desigualdades, e referem que os alunos que beneficiam de medidas de inclusão educativas são os mais prejudicados. 
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Em janeiro deste ano, a Universidade do Minho recolheu respostas de 280 docentes dos ensinos Básico e Secundário para o estudo nacional “Perceções dos professores sobre o ensino à distância”, que incidiu em dois momentos específicos do confinamento e em várias matérias relacionadas com a docência e a aprendizagem dos alunos. Cerca de 70% dos professores inquiridos estão convictos de que o ensino online penalizou sobretudo os alunos que beneficiam de medidas de inclusão educativas. E chamam a atenção para a alteração de currículos e para a autonomia escolar.  

Que perceções têm os professores do Básico e Secundário sobre os efeitos da pandemia na escola, nos períodos de março a junho de 2020 e de setembro a dezembro de 2020? Que perceções têm sobre possíveis alterações curriculares decorrentes da pandemia? Estas foram as duas questões de base que serviram de ponto de partida à investigação. 

No período de março a junho de 2020, 98,2% dos professores inquiridos concordam que a adoção quase generalizada do ensino à distância, nos níveis de ensino em questão, exigiu uma adaptação de quem ensina às tecnologias digitais. A quase totalidade, 97,4%, conta que esse sistema funcionou através de diversos canais de mediação, e a maioria, 91,4%, garante que o trabalho burocrático dos professores aumentou. Criou-se um novo normal ao nível do funcionamento da escola para 83,5% dos inquiridos. 

No entanto, as desigualdades entre alunos face às suas aprendizagens agravaram-se, segundo 80% dos professores que participaram no questionário. Além disso, 71,4% falam numa redução efetiva ao nível das aprendizagens, 71,1% em alterações na relação pedagógica entre professor e aluno, e 70,3% referem que o ensino à distância foi mais penalizante para os alunos beneficiários de medidas de inclusão educativas. Por outro lado, 48,5% adiantam que os alunos tiveram acesso aos recursos necessários. 

O período de setembro a dezembro de 2020 significou um novo ano letivo e o regresso ao ensino presencial e 95% dos professores sustentam que a relação pedagógica é parte inerente da identidade da escola. A maioria, 92,1%, sente-se mais familiarizada com as tecnologias digitais que passaram a fazer parte do quotidiano. Da amostra, 81,8% referem que a consolidação das aprendizagens foi realizada no início do ano letivo, 71,4% dizem que o apoio pedagógico foi realizado presencialmente na escola, 60,7% contam que os alunos beneficiaram de apoio pedagógico desde o início do ano letivo, enquanto 56,8% revelam que os alunos sentiram uma maior necessidade de suporte pedagógico. 

Metade dos professores, 50,6%, concorda que a escola adquiriu um maior protagonismo social no contexto de pandemia, todavia, a percentagem baixa para os 44,2% dos que revelam satisfação pessoal e para 37,9% relativamente à satisfação profissional. Por outro lado, 43,9% discordam da adequação das medidas tomadas pelo Ministério da Educação nesse contexto e 41,1% não concordam com a ideia de que a pandemia tenha contribuído para a valorização da profissão docente.

Quanto à alteração de práticas curriculares, e tendo em conta o cenário pandémico, 79,2% dos professores concordam com a valorização da Educação para a Cidadania, sobretudo focada em problemas que afetam os alunos, a nível global e a nível local. Setenta por cento referem a necessidade de adaptar o currículo ao contexto dos alunos. Mais de metade, 66,4%, são favoráveis à alteração das práticas curriculares que tendem a valorizar os resultados escolares e 54,3% à necessidade de a escola ser dotada de autonomia curricular. Mais de metade reconhece que a pandemia é um momento único para a consciencialização dos alunos relativamente ao tema das mudanças climáticas.
 

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