Docentes criticam excesso de trabalho burocrático e pouco tempo para alunos

Mais de metade dos professores do secundário queixa-se do excesso de trabalho, enquanto no superior se teme a falta de vacinas contra a covid-19, segundo um inquérito que revela alunos mais felizes com o regresso à escola.
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Estas são algumas das conclusões da consulta junto da comunidade escolar que a Federação Nacional da Educação (FNE) promoveu entre 26 e 30 de abril, para perceber como decorreu o regresso ao ensino presencial, que começou a 19 de abril para o ensino secundário e superior.

A consulta ontem divulgada contou com respostas de 712 docentes e 95 não docentes. 

Quase metade dos docentes (49,5%) reconhece que o regresso à escola e ao ensino presencial melhorou o bem-estar emocional dos estudantes. Mas foi junto dos mais novos que se notou maior impacto da reabertura das escolas. Isto quando se comparam os resultados divulgados com os anteriores inquéritos da FNE junto de educadores de infância e docentes do 1.º, 2.º e 3.º ciclos. Pouco mais de metade (50,9%) dos professores que dão aulas a alunos do 2.º e 3.º ciclos e 58% dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo observaram melhorias no bem-estar emocional das crianças com o seu regresso à escola.

No entanto, mais de metade dos professores do ensino secundário queixam-se de excesso de trabalho. Quando questionados sobre quais eram as suas principais preocupações com a atividade profissional, 54,8% dos docentes do secundário referiu ser o excesso de trabalho, logo a seguir à saúde mental e o bem-estar (que juntos representam 58,7% das respostas), segundo o estudo divulgado ontem.

Nesta nova missão de recuperação das aprendizagens perdidas durante o ensino à distância, os professores dizem que precisam de mais tempo para se dedicar à prática letiva, “em vez de serem ‘bombardeados’ com emails e solicitações burocráticas”, sublinha a FNE em comunicado. A pandemia trouxe também uma “desconfiança e medo da proximidade" por receio de contágio, o que acabou por se traduzir num esforço físico e mental “extremamente difícil de suportar” por muitos docentes.

A consulta mostra ainda que um em cada quadro professores do ensino superior (26,4%) não tinha sido ainda vacinado, por não estar abrangido pela prioridade de vacinação. A FNE defende ser “essencial que seja cumprida, o mais rapidamente possível, a plena vacinação de todos os trabalhadores da educação, considerando que é irresponsável adiar, por mais tempo, a vacinação de docentes e não docentes do ensino superior”.

Em relação ao sentimento de segurança no trabalho com os alunos, 28,9% dos inquiridos afirma não se sentir em segurança, uma sensação que está associada ao índice de cumprimento por parte dos estudantes das regras de segurança.

Pouco mais de metade dos professores (51,8%) do secundário e 30% dos docentes do ensino superior disse que os alunos não estavam a cumprir as regras.

A situação mais preocupante é o distanciamento físico tanto dentro como fora das salas de aula (apontada por 91,8% destes docentes), seguindo-se a utilização de máscara fora da sala de aula (48,1%) e a falta de higienização das mãos (assinalada por 36,4% dos professores) , Muitos sublinham, no entanto, que a situação é ainda mais gravosa quando os jovens saem das escolas e se juntam em cafés e esplanadas, onde não cumprem o mínimo de distanciamento.

Em relação aos trabalhadores não docentes, os resultados desta consulta confirmam as preocupações que já tinham sido reveladas nas duas consultas anteriores, relativamente ao cumprimento das normas de segurança pelos alunos e às suas condições de trabalho.

As três consultas da FNE, lançadas sucessivamente em 22 de março, 12 e 26 de abril, na sequência de cada uma das fases de regresso ao ensino presencial, envolveram mais de três mil docentes e não docentes.

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