Crianças de cinco mil escolas envolvidas em campanha para redução do risco de incêndios

Crianças entre os cinco e os 12 anos de cinco mil escolas do país estão a ser envolvidas na campanha "Raposa Chama", para sensibilizar e educar essa faixa etária para os comportamentos de risco de incêndio.
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A iniciativa da Agência Integrada para a Gestão de Fogos Rurais (AGIF) pretende chegar a um público mais jovem através de vários materiais pedagógicos com uma linguagem mais apelativa para as crianças, com a expectativa de que elas se transformem em agentes de mudança na sociedade e incentivem a sua rede de contactos a alterarem comportamentos de risco.

Desde 2019 que existe o programa "Portugal Chama", mas o projeto "Raposa Chama" foi agora criado para "chegar a um público mais específico" e "comunicar os comportamentos de risco de incêndio de uma forma mais facilmente assimilável", disse à agência Lusa Mário Monteiro, da direção da AGIF.

"Para as crianças entre os cinco e os 12 anos sentimos necessidade de ter um formato mais apelativo, porque a linguagem é outra. Por outro lado, sabemos que são elas que a longo prazo vão mudar o país e as crianças podem ser vigilantes, fontes de alerta e de consciencialização", salientou Mário Monteiro.

A mensagem é a mesma, "mas com outro formato", pormenorizou o representante da AGIF, que já distribuiu os materiais pelos estabelecimentos de ensino e espera que "as escolas e os professores sejam agentes dinamizadores da campanha".

A primeira abordagem é através da Banda da Floresta, quatro mascotes, cada uma com características diferentes, que gravou a música rap "Com o Fogo Não se Brinca". O vídeo vai ser visto nas escolas e pretende-se que "promova a discussão e a reflexão sobre o tema", enfatizou o dirigente da AGIF.

"Esperamos que eles agarrem estas mensagens que estão nas músicas", acrescentou Mário Monteiro.

A Raposa Chama é uma das personagens, cumpridora de todas as regras e sensível aos cuidados a ter para evitar o risco de incêndio, em contraponto com McGarra, com quem tem de argumentar.

A iniciativa contempla "outros materiais pedagógicos" e formação de professores, ´workshops`, passatempos, teatros infantis e outras atividades, mas o responsável da AGIF informou que "as ações de maior proximidade ainda não foram lançadas", por quererem envolver outras entidades, como as câmaras municipais, juntas de freguesia, sapadores florestais ou corporações de bombeiros.

Mário Monteiro referiu que "as principais causas dos incêndios têm que ver com o uso do fogo em dias críticos" e com "atitudes negligentes".

Alertar para os cuidados a ter com queimadas ou fogueiras, com a utilização de máquinas agrícolas em dias de muito calor, mas também ensinar a gerir a vegetação ao redor das comunidades ou incentivar a que se conheçam as rotas de evacuação e para onde se deve ir, em caso de incêndio, são algumas das mensagens a transmitir.

O dirigente da AGIF mencionou o desejo de "a campanha permanecer no tempo" e o material produzido no seu âmbito "vir a incorporar os conteúdos pedagógicos da escola" e ser introduzido nos manuais escolares.

"Mais do que uma campanha, é uma medida a prazo e que desejamos que seja estruturante", realçou Mário Monteiro, que espera ver assim transmitidos valores relacionados com a floresta e com o seu valor e do espaço rural.

O responsável da AGIF destacou ter sido diminuído em cerca de 40%, desde o início da última década, o número de incêndios diários, em dias de risco, para as cerca de 50 incidências atuais.

"Enquanto não mudarmos o território, a única maneira que temos de diminuir a probabilidade de termos grandes incêndios é diminuirmos o número de ignições nesses dias mais críticos, e todas as faixas etárias devem ser convocadas para este desígnio", defendeu Mário Monteiro.
 

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