Voltar à escola melhorou bem-estar dos alunos 

Federação Nacional da Educação ouviu educadores de infância e professores do 1.º Ciclo sobre condições do regresso ao ensino presencial e cumprimento das normas de segurança. O excesso de trabalho é uma das preocupações.
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O bem-estar das crianças das creches, do pré-escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico melhorou com o regresso ao modo presencial a 15 de março. Esta é uma das conclusões da consulta nacional que a Federação Nacional da Educação (FNE) realizou no seu site e redes sociais, na semana de 22 a 26 de março. Responderam 748 professores e 160 não docentes.

Quase 60% dos educadores de infância e professores do 1.º Ciclo referem que a saúde mental dos alunos melhorou com este regresso à atividade letiva. Um terço, 32,8% do total, desses profissionais indicou que o seu bem-estar também melhorou no retorno ao ensino presencial, enquanto 13,6% consideram estar agora numa situação pior. Por outro lado, 92% dos docentes adiantam que os alunos se adaptaram a este retorno à escola.

“O regresso ao funcionamento das escolas com alunos não trouxe qualquer mudança ao nível do bem-estar dos trabalhadores não docentes, que genericamente se têm mantido em atividade nas suas escolas”, adianta a FNE.

Em relação ao cumprimento das regras de segurança nas escolas por parte das crianças desses níveis de ensino, 37% dos professores referem que os alunos não estão a cumprir as normas sanitárias. Um dado que, segundo a FNE, é confirmado por mais de 80% dos inquiridos que referem que o distanciamento social não está a ser respeitado. E 52% revelam a falta de uso de máscara nos espaços comuns. Por outro lado, 40% dos não docentes inquiridos assinalam que os alunos não cumprem as regras de segurança, sobretudo o distanciamento social.

A consulta da FNE revela ainda que apenas 17% dos docentes se sentem pouco ou nada confiantes em relação às medidas de segurança adotadas nas escolas, enquanto 78% garantem que os espaços escolares onde trabalham tratam de todos os aspetos para garantir a máxima segurança. Os não docentes respondem da mesma forma. 

A grande maioria dos inquiridos sente-se segura nas escolas. Numa escala de 1 a 10, em que 1 é o nível mais baixo e 10 o mais alto em questões de segurança, apenas 19% dos docentes e 15% dos não docentes se posicionam abaixo do nível 5. A maioria está recetiva à vacinação e tem expetativas positivas acerca do futuro da normalidade da atividade escolar.

A auscultação da FNE permite perceber quais são, neste momento, as três maiores preocupações dos docentes na sua atividade profissional. São a saúde e a segurança no local de trabalho, o impacto da pandemia na saúde mental dos alunos, e o excesso de trabalho. Os não docentes apontam a saúde e a segurança no local de trabalho, o excesso de trabalho, bem como o comportamento dos alunos, a remuneração e a avaliação de desempenho, como as suas maiores preocupações.

A FNE retira ilações destes resultados e, nesse sentido, salienta vários aspetos que devem merecer atenção. Ou seja, “a necessidade de se investir na melhoria das condições que permitam o bem-estar emocional de todos quantos trabalham nas escolas, bem como a necessidade de se insistir na continuação do cumprimento de todas as normas de conduta que protejam a saúde pública”. 
 

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