Ministro defende diversificação do conhecimento

Segundo Mariano Gago, antes de ser um espaço de transmissão de conhecimentos formais, a escola é um espaço de cidadania.
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O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior defendeu hoje a abertura das escolas portuguesas a outras áreas do conhecimento, mais ligadas aos grandes operadores sociais. "Antes de ser um espaço de transmissão de conhecimentos formais, a escola é cidadania. É impossível conceber que no futuro existam serviços de saúde, segurança e prevenção do risco sem que haja formação inicial obrigatória nas escolas", sentenciou.

O governante presidiu à abertura da conferência internacional "Educação para a Sociedade do Conhecimento", uma iniciativa da Fundação Friedrich Ebert, que decorre até sexta-feira no Instituto Alemão, em Lisboa.

Durante a sua intervenção, Mariano Gago referiu ainda a necessidade de a escola abrir a linguagem formal a outras formas de linguagem - técnica, artística e corporal - de modo a que se atinjam maiores níveis de inclusão. O ministro observou também o paradoxo do mercado de trabalho português, "que ao mesmo tempo que pede pessoas qualificadas, gera pessoas desqualificadas, o que faz da escola um projeto difícil".

Mariano Gago elogiou o papel das tecnologias da informação, que permitem atualmente às escolas "interagir com os produtores de conhecimento mesmo à escala internacional, algo impossível há 30 anos". "É absolutamente extraordinário que tenhamos chegado a uma escola suficientemente moderna ao ponto de um professor do 1.º ciclo organizar os seus alunos e escrever a um Prémio Nobel", observou.

Na mesma conferência, Gerhard de Haan, do berlinense InstitutFutur, defendeu o conhecimento como a base de mudança das sociedades. "Nos novos setores da economia, os preços são ditados pelo conhecimento. De cada vez que compramos um computador ou um medicamento, 70% a 80% do seu preço corresponde ao conhecimento científico, ao know-howque foi aplicado nesse produto".

De acordo com este especialista, a Alemanha não corresponde atualmente às exigências da sociedade do conhecimento, apesar de mais de 50% da sua população ativa estar envolvida em programas de formação contínua.

"O conhecimento tornou-se a força central da produção dentro das sociedades, estando mesmo à frente de fatores clássicos como o trabalho ou o capital", defendeu Gerhard de Haan, acrescentando que as oportunidades de vida de cada cidadão são diretamente proporcionais ao capital de conhecimento que este possuir.

Na sua opinião, o papel da escola revela-se extraordinariamente difícil no seio de uma sociedade do conhecimento, uma vez que à escola cabe definir e fixar o que é preciso aprender. "Cada vez mais, o justo e o injusto, a ciência, a saúde, os transportes ou a educação são definidos por peritos. São eles que possuem o conhecimento e nos orientam acerca da forma de pensar. Os cidadãos vivem cada vez mais num espartilho de aço, ao mesmo tempo que o conhecimento tradicional vai sendo empurrado para trás", alegou o especialista alemão, não obstante reconhecer que estão a emergir novas formas de conhecimento.

Gerhard de Haan chamou ainda a atenção para a necessidade do conhecimento ser encarado como um bem comum que, como tal, deve ser partilhado. Já Maria Brederode dos Santos defendeu que "a escola não pode ser a única instância educativa na sociedade do conhecimento", sugerindo um maior aproveitamento da televisão nesse domínio por se tratar "de um meio que chega mais facilmente a toda a gente". "Em Portugal, a educação através da televisão pública tem sido completamente repudiada, por oposição ao que acontece em países como a França ou a Inglaterra".

A professora universitária e membro do Conselho Nacional de Educação referiu o exemplo do site da estação de televisão inglesa BBC, que "atualmente é um dos sites ingleses mais importantes ao nível da educação e um sinal ao qual deveríamos estar atentos".

Partindo da ideia de que o conhecimento não pode continuar circunscrito aos muros de uma escola, Maria Brederode dos Santos defendeu a importância das tecnologias de informação na captação da população não escolar. "Se queremos uma sociedade do conhecimento, não podemos abandonar essas pessoas".

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