Um regresso tranquilo com muitas saudades

As crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo estão de volta à escola, ao modo presencial. Chegaram com alegria e com vontade de muita brincadeira. O primeiro passo do desconfinamento está dado. Seguem-se o 2.º e 3.º ciclos a 5 de abril e o Secundário a 19.
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O dia 15 de março marca o início do plano de desconfinamento do país com o regresso à escola de cerca de 650 mil crianças do pré-escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Foram quase dois meses em casa com o ensino à distância para o 1.º Ciclo estreado no final do 2.º período do ano letivo passado. A 22 de janeiro deste ano, todos os alunos novamente em casa, indicação de pausa letiva nas primeiras duas semanas, calendário letivo redefinido, férias da Páscoa reduzidas, mais uma etapa no percurso escolar. Na última segunda-feira, foi dia de regresso, de alegrias e de saudades, de reencontros e brincadeiras no recreio. 

Na segunda-feira, Mónica Silva, professora do apoio educativo, percorreu várias turmas da EB1 Fernando Guedes, em Avintes, do Agrupamento de Escolas Gaia Nascente, e constatou a alegria generalizada do regresso às aulas. “Estavam sedentos de estar uns com os outros, com imensas saudades de trabalhar uns com os outros”, conta. Um reencontro alegre. “Mas tranquilo, não estavam demasiado agitados”, acrescenta.

Ana Oliveira, professora da Escola Básica da Sé, em Braga, recebeu a sua turma de 24 alunos do 2.º ano com um sorriso no rosto tapado pela máscara. Disse-lhes várias vezes que, apesar de não se ver, havia uma enorme expressão de contentamento na sua cara. Os alunos voltaram mais faladores, ansiosos por conversar, o que se notou tanto no recreio como na sala de aula. “Estavam com saudades de brincar, de estar com os amigos, estavam muito felizes”. Com ânsia de colocar a conversa em dia com os amigos, com os colegas. “É um regresso diferente, é um regresso bom”. 

Na sexta-feira passada, a poucos dias do regresso, Pedro Moura, professor do 1.º Ciclo na EB1 das Devesas, em Vila Nova de Gaia, conversou com os seus 21 alunos do 1.º ano sobre o assunto do momento, sobre a indicação de voltar ao modo presencial. Havia entusiasmo. Na segunda-feira, foi tempo de matar saudades, passar mais tempo fora da sala e mais no recreio para brincar e esticar as pernas e até o menu da cantina, massa com atum, foi do agrado das crianças. “É uma alegria enorme regressar à bolha da escola”. E à pergunta se tinham saudades, um sim em uníssono. “Estavam com saudades e fartos de estar em casa”.    

Para a turma do 1.º ano foi voltar a uma realidade cheia de regras sanitárias que já conhece desde o início do ano letivo. No entanto, os alunos ainda não conhecem os colegas dos outros anos por causa das normas impostas pela pandemia. “Já iniciámos o ano com estas restrições especiais, com regras de segurança”, recorda o professor. “Quase que regressámos à experiência normal”. Para Pedro Moura, foi ligeiramente diferente, foi regressar a uma escola no contexto covid, muito diferente da realidade que conhece antes da pandemia, sem normas apertadas de proteção da saúde pública.   

Cansaço e saturação à distância
Mónica Silva estava ansiosa por voltar ao trabalho presencial e desligar a tecnologia. “Não sei ser professora de computador, é extremamente difícil explorar determinados conteúdos letivos dessa forma”, refere. Além dos problemas da tecnologia, falhas de rede, cortes na ligação, na sua opinião, não se está formatado para passar dias e dias à frente do computador. Mónica Silva, professora há 23 anos, admite a saturação de ambos os lados. “Os alunos estavam cansados e saturados”. No início, a novidade de usar as novas tecnologias, depois mais destreza nessa parte. Mas sempre com vontade de voltar ao modelo cara a cara. 

Ana Oliveira, professora do 1.º Ciclo há 38 anos, professora por vocação e paixão, que não se imagina a fazer outra coisa, confessa que trabalhou bastante durante o confinamento. Garante que os seus alunos não perderam aprendizagens, alguns assuntos a consolidar na primeira semana de regresso, e seguir com o programa, com a planificação. “Trabalhámos com os alunos dentro do mesmo horário com outro tipo de recursos”, lembra. 

O ensino à distância, em seu entender, correu bem. No início, a curiosidade de experimentar novas tecnologias, outros recursos de aprendizagem por parte dos alunos, depois o à-vontade com esses meios, e toda uma aprendizagem paralela no domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).   

Para Pedro Moura, professor há 19 anos, o ensino à distância tem aspetos positivos e aspetos negativos. E, pela sua experiência, não há comparação entre um 4.º ano do ano letivo passado e um 1.º ano deste ano. “No final, constatei que foi muito semelhante com o que se passa na sala de aula. Os alunos que têm mais autonomia também a tinham no ensino à distância, os alunos que tinham dificuldades continuaram a tê-las à distância”, comenta. 

Houve muita curiosidade para explorar os meios digitais, como processar textos no computador, descobrir novas ferramentas. Houve também pais a entrar na sala de aula, à distância, que perceberam que ensinar e aprender não é apenas dar respostas. Seja como for, na balança, o prato pende mais para o lado negativo. “Os alunos não estão ali só para aprender a ler e a escrever, faltam competências sociais que são adquiridas em contexto de grupo”, refere Pedro Moura.     

A comunidade escolar já está a ser testada à covid-19 e a vacinação dos professores foi adiada por causa da suspensão de uma das vacinas. Na segunda-feira, o ministro da Educação acompanhou o regresso dos alunos numa visita à Escola Básica n.º 2 de Paços de Ferreira, falou com alunos e com professores, entrou em várias salas de aulas. “As escolas continuam a assegurar um conjunto de procedimentos que as fazem lugares seguros”, disse. 

“Vimos todos os protocolos de circulação, a higienização das mãos, a higienização também dos espaços e a forma como agora vimos, não sendo ainda obrigatório, como a grande maioria das crianças do 1.º Ciclo já utiliza, também por decisão dos encarregados de educação, as máscaras, aqui com um compromisso suplementar para que exista segurança”, sublinhou Tiago Rodrigues Brandão.  
 

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