Tecnologia nas escolas: segurança e privacidade

O ensino à distância voltou e com ele várias questões associadas à proteção de dados. Os estabelecimentos de ensino devem sensibilizar a comunidade escolar para boas práticas na utilização das ferramentas digitais.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir

Um mundo carregado de tecnologia, uma transformação digital constante e em todos os setores, Educação incluída. Ferramentas evoluídas em permanente atualização e à medida das exigências da sociedade. Mas nem tudo é tecnologia, nem tudo é como deveria ser. Há riscos, há perguntas, há dúvidas. A segurança na era digital e a proteção da privacidade arrastam muitas questões.

A tecnologia tornou-se um recurso e até mesmo um alicerce do ecossistema educativo, sobretudo agora, em confinamento e com aulas à distância. Se por um lado, há questões a esclarecer, por outro, há ferramentas que são oportunidades para ideias criativas e novas abordagens.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) divulgou, no ano passado, um documento em que identifica riscos e faz recomendações relativamente ao ensino à distância, com avisos para cuidados com a privacidade, segurança e a possibilidade de videovigilância. A utilização indevida de dados transferidos através das plataformas, a falta de transparência quanto à forma de armazenamento, tratamento e eventuais subcontratações feitas por fornecedores de soluções e-learning, bem como a definição de perfis ou avaliações com base na informação observada na atividade dos utilizadores, são alguns dos riscos referenciados.

Há outros perigos como usar plataformas que não garantam a segurança das comunicações no ensino à distância. Por outro lado, a partilha de um computador fragiliza a confidencialidade. E há ainda o risco, como sublinha a CNPD, “de vigilância à distância com a finalidade de controlar o desempenho profissional dos professores.”

A utilização das tecnologias de suporte ao ensino à distância não pode afetar direitos fundamentais. Nesse sentido, a CNPD recomenda que as plataformas escolhidas tenham finalidades bem definidas e compatíveis com o ensino à distância. E os dados a tratar devem ser os estritamente necessários para finalidades bem especificadas. Os riscos à privacidade devem ser bem avaliados e as plataformas devem definir, de forma clara, os papéis e responsabilidades dos vários intervenientes no tratamento de dados pessoais.

Utilização informada e explícita
“Os professores devem ser devidamente informados relativamente à utilização das plataformas”, recomenda a CNPD. “Em particular, devem conseguir identificar as corretas configurações para garantir que não decorrem riscos para a privacidade dos utilizadores, com especial enfoque nos alunos”. As escolas devem sensibilizar a comunidade escolar para boas práticas e precauções na utilização dessas tecnologias. Sempre que possível, plataformas que impliquem menor exposição de quem as usa e do seu ambiente familiar.

“Os estabelecimentos de ensino devem avaliar se dispõem de meios técnicos para implementar as plataformas de ensino à distância, para evitar optarem por tecnologias que sobrecarreguem os seus sistemas tecnológicos, tornando-os, por isso, inseguros”, realça a CNPD. E nenhuma escola pode impor a utilização da tecnologia de inteligência artificial aos seus alunos. Essa utilização tem de ser por livre e informada vontade, específica e explícita do aluno ou, quando menor, de quem o representa.

Aulas gravadas em direto obrigam a que os alunos, ou respetivos encarregados de educação, sejam informados de tal facto, bem como do tempo em que a gravação ficará disponível. A plataforma tem de permitir ao aluno desligar o microfone e a câmara, de forma a que não sejam recolhidos dados como a sua voz e imagem.

A segurança e a privacidade na era digital são abordadas de diversas formas. As escritoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada são autoras do livro “Talvez uma App”, editado pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), que desafia a criatividade dos jovens na era digital. A obra, dirigida sobretudo aos jovens do 3.º Ciclo, tem uma história para contar que as apps ocupam cada vez mais espaço nas mais diferentes áreas do quotidiano, inclusive nas saídas profissionais.

O enredo é simples. Mário é um jovem pragmático, habituado a analisar racionalmente todas as vertentes de cada situação. O amigo Manel Ricardo tem uma visão oposta. E há outras personagens na história: Renato é músico e sócio de Manel Ricardo no negócio, Guida é uma nova amiga e provável estilista de sucesso, Madalena é também amiga, culta e inteligente, e Zínia é uma surfista irreverente. A APS tem outro livro, “Armadilha Digital”, de educação financeira, dirigido aos jovens estudantes do 3.º Ciclo.

    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.