O que influencia as competências literárias nas escolas

Estudo vai analisar o desempenho dos alunos em provas nacionais e internacionais. Depois dos resultados, serão traçadas estratégias de ação para melhorar a educação literária nas escolas.
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Apresentar propostas fundamentadas para a melhoria da educação literária no quadro do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, das aprendizagens essenciais, e da própria missão da leitura. Essa é uma das ideias. Nesse sentido, o Plano Nacional de Leitura, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, e a Direção-Geral de Educação, avançam com um estudo que analisará o desempenho dos alunos em provas nacionais e internacionais.

“É obrigação da escola formar pessoas competentes e qualificadas nos vários domínios disciplinares e criar leitores autónomos, que façam da leitura um gosto e um hábito para a vida, encontrando nos livros a motivação para ler e continuar a aprender”, lê-se no enquadramento do estudo “Educação Literária no Ensino Básico e no Ensino Secundário”.

Além da atenção dada às leituras escolares, iguais para todos, é também necessário criar oportunidades de mudança das práticas de mediação dos professores. Tudo para que, segundo o estudo, “os alunos valorizem e exercitem as suas competências e atividades de leitura literária e estas se enraízem como um hábito cultural, convertendo a Educação Literária, numa verdadeira via de capacitação para a receção de qualquer texto, com criatividade e sentido crítico próprios”.

A metodologia passa por compilar, relacionar e analisar informação da avaliação interna e externa dos alunos do 1.º, 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e do Secundário no domínio da Educação Literária, tendo por base as provas nacionais de aferição, de fim de ciclo e de exame, e provas internacionais. O estudo quer determinar o nível de desempenho dos alunos e sua relação com as motivações e hábitos de leitura.

Há várias perguntas à procura de respostas. De que modo os conhecimentos e as capacidades, expressas nos documentos curriculares, se relacionam com as exigências de uma formação leitora, que estimulem práticas e hábitos de leitura e promovam o gosto de ler? Em que medida as aprendizagens essenciais e as provas nacionais e internacionais acolhem as novas representações e modos de leitura e escrita, nomeadamente em ambientes digitais?

O estudo decorrerá entre 2020 e 2022. No primeiro ano, traça-se o retrato da educação literária do ponto de vista dos estudos internacionais e dos resultados da avaliação externa nacional. Em 2021, será feito o trabalho de campo com monitorização e acompanhamento de escolas e professores para um levantamento e caracterização das práticas escolares, no âmbito da educação literária. No terceiro ano, em 2022, os resultados do estudo serão analisados para avançar com recomendações e boas práticas. O Ensino Secundário será objeto de atenção numa 2.ª fase do estudo.

Ler por obrigação ou por prazer?
Os resultados conhecidos até ao momento são importantes. Em relação aos hábitos de leitura, e tomando como referência o ano de 2009, a percentagem de alunos que “só lê se for obrigado” e que considera a leitura uma “perda de tempo” aumentou. “A leitura ganhou importância como forma de encontrar informação, mas perdeu expressão relativamente a 2009 como um prazer e como entretenimento”, adiantam os envolvidos no estudo.

Em 2018, no 2.º ano, 42,5% dos alunos no domínio da Leitura e Iniciação à Educação Literária e 41,3% na Escrita revelaram dificuldades, não conseguiram responder de acordo com o esperado ou nem sequer responderam. No 5.º ano, 67,6% dos alunos no domínio da Leitura e Iniciação à Educação Literária e 32,6% na Escrita também tiveram dificuldades. No 8.º ano, mais de metade, 51,1% e 66,5%, nos mesmos domínios, também não se saíram bem.

No 3.º Ciclo, entre 2013 e 2017, a classificação média nacional variou entre 2,6 e 3,1, numa escala de 1 a 5, nas provas finais de ciclo e nos exames nacionais de Português. No Secundário, entre 2013 e 2017, a classificação média nacional oscilou entre 9,7 e 11,5, numa escala de 0 a 20.

Em termos internacionais, na escala ordenada dos resultados, entre 2011 e 2016, Portugal passou do 19.º para o 30.º lugar no PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Nas duas finalidades avaliadas, leitura como experiência literária e leitura como meio para adquirir e utilizar informação, os resultados obtidos em 2016 (528 pontos em ambas as finalidades) foram significativamente inferiores aos obtidos em 2011.

No PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), em 2018, 80% dos alunos revelaram proficiência superior ao nível 2 em Leitura e as tarefas dos níveis máximos de proficiência só foram resolvidas por 7%. Os alunos foram melhores a “avaliar e refletir” do que a “localizar informação” ou a “compreender”.
 

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