Os Direitos Humanos. Os jovens e o respeito pela liberdade

As gerações mais novas são essenciais nas mensagens de respeito e proteção dos direitos e liberdades nas escolas, nas famílias, nas comunidades.
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“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. É o que está escrito no artigo n.º 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas a 10 de dezembro de 1948. Há 72 anos. É uma declaração que fala de direitos e liberdades, sem distinções ou discriminações de cor, raça, sexo, língua, religião, opinião política. Cada ser humano merece respeito independentemente da origem social, da fortuna, do nascimento.

A defesa, proteção e promoção dos direitos humanos fazem parte do dia-a-dia da Amnistia Internacional. Hoje celebra-se a vitória da humanidade. E não só. “Refletir sobre os direitos humanos por ocasião do dia 10 de dezembro é também uma maneira de perceber que é necessário introduzi-los e usá-los no nosso dia-a-dia, nas formas como vivemos em sociedade e nas maneiras como lemos o mundo”, refere Matia Losego, diretor de Educação e Juventude da Amnistia Internacional Portugal.

O respeito pelos direitos humanos não tem sido um caminho fácil, mas há passos dados na construção de um mundo mais justo. “É fundamental que os Estados respeitem as suas obrigações e incluam os direitos humanos nas suas leis e nas suas políticas. É fundamental que, enquanto cidadãs e cidadãos, cada uma e cada um de nós respeite os direitos humanos nas suas relações com outras pessoas, em casa, no trabalho, na escola, no bairro, no mundo e nos espaços online”, afirma o responsável. Os ativistas têm de continuar atentos para não deixar passar decisões políticas que violem os direitos humanos.

Discursos de ódio, racismo, xenofobia, discriminações. Qual o papel das gerações mais novas no respeito pelos direitos humanos? Em primeiro lugar, é preciso perceber o que essas situações significam, como funcionam, onde aparecem. “Um post racista nas redes sociais está mascarado, muitas vezes, como uma piada ou um comentário inocente. Uma vez identificado, é necessário bloqueá-lo, seja através dos mecanismos de denúncia, seja amplificando a voz das vítimas e espalhando mensagens e notícias que promovam os direitos humanos”. “Também é fundamental refletirmos sobre as nossas próprias contradições e preconceitos, e fazer com que estes não violem os direitos humanos de outras pessoas, aqui ou em qualquer outro lugar”, acrescenta Matia Losego. O Movimento Contra o Discurso de Ódio, do qual a Amnistia Internacional faz parte, tem feito bastante trabalho neste âmbito.

“No que diz respeito à participação dos jovens na luta para os direitos humanos, é necessário perceber que os jovens não são os cidadãos do futuro, mas sim cidadãos do presente. Como tal é importante deixar espaços para que os jovens possam participar no ativismo para os direitos humanos da forma que eles entenderem, também em lugares de governança e tomada de decisão”, sublinha o diretor de Educação e Juventude da Amnistia Internacional Portugal.

“O mundo não se muda sozinho”
Este ano, o XXI Encontro de Jovens Ativistas (EJA) da Amnistia Internacional aconteceu exclusivamente online devido às circunstâncias. Um desafio gigante, mais de 60 jovens de 12 distritos online durante um fim de semana, acompanhados por uma equipa de jovens ativistas da Amnistia. O balanço é positivo. “Explorámos o trabalho da Amnistia, as implicações da pandemia nos direitos humanos e várias formas de ativismo. Também tivemos a oportunidade de falar diretamente com jovens ativistas da Amnistia Internacional de outros países”.

Matia Losego recorda os testemunhos de uma ativista polaca que defende os direitos das mulheres e de Melike Balkan do Grupo de Solidariedade LGBTI+ da Universidade Técnica do Médio Oriente, da Turquia, um dos casos da Maratona de Cartas, o maior evento de direitos humanos do mundo, deste ano. “Os jovens que estiveram connosco no EJA demonstraram um grande sentido de responsabilidade ao olhar para o que se passa no mundo do ponto de vista dos direitos humanos, ao reconhecer também os seus privilégios e a querer passar à ação”. “Os futuros que cada uma e cada um imaginam são muito diferentes, mas todos têm em comum o respeito pelos direitos humanos e pelas outras pessoas que partilham connosco este planeta”, sublinha.

Será que a capacidade de mobilização dos jovens em iniciativas relevantes para a sociedade continua a fazer a diferença e a mudar mentalidades e formas de estar nas escolas, nas famílias, na comunidade? “Sem dúvida, o mundo não se muda sozinho e cada uma e cada um de nós tem um papel nesta mudança”, responde Matia Losego.

Segundo o responsável, os jovens ativistas, desde os grupos de estudantes da Amnistia nas escolas e nas universidades, até aos coletivos da Greve Climática Estudantil, estão a levar a mensagem dos direitos humanos aos espaços que habitam, às salas de aula, às mesas de jantar, aos chats online, às redes sociais. Além disso, garante, os jovens ativistas “mostram-nos que é possível olhar para o mundo numa perspetiva global e interseccional, sabendo que a opressão não acontece de forma isolada e, por isso, também a luta para os direitos humanos deve ser comum, interligada as várias causas e contextos”.

 

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