"Eu respiro Educação”

Venceu o Global Teacher Prize Portugal 2020. É professora do 1.º Ciclo no Agrupamento Escultor António Fernandes de Sá, em Vila Nova de Gaia. Deu aulas, é formadora de professores, criou o Projeto Coopera baseado na aprendizagem cooperativa.
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“O gosto pela escola e pela aprendizagem nasceu muito cedo em mim”, conta. Aos cinco anos, brincava às professoras e às escolinhas. “É um gosto que é um dom que ficou mais claro com o passar dos anos”, acrescenta. Assim foi. Estudou para ser professora, licenciou-se em Ciências da Educação. Sónia Moreira, professora há 26 anos, do Agrupamento Escultor António Fernandes de Sá, em Vila Nova de Gaia, venceu o Global Teacher Prize Portugal 2020. Um reconhecimento para o Projeto Coopera que criou em 2016 e que envolve dezenas de turmas, centenas de professores, milhares de alunos de todo o país.

Os primeiros anos a dar aulas foram deliciosos, mas Sónia Moreira rapidamente percebeu que tinha de aprender mais, aprofundar estratégias diferenciadas para chegar a todos os alunos, procurar projetos inovadores e transdisciplinares. Uma busca constante por aprender mais e mais. Voltou à universidade, tirou um mestrado e depois um doutoramento em Educação e Desenvolvimento Humano, contactou com diferentes metodologias ativas e com o conceito de aprendizagem cooperativa, que detalhou no seu projeto de doutoramento.

Um conjunto de professores começou a reunir-se informalmente para falar de constrangimentos e de soluções que fizessem sentido para a escola atual. Era o embrião do Projeto Coopera. Sónia Moreira concentrou-se na formação para professores assente na aprendizagem cooperativa, que se baseia não apenas nas capacidades cognitivas, mas também na criatividade e nas competências sociais. Em 2016, surgia o Projeto Coopera do pré-escolar ao 9.º ano que, até agora, teve um impacto direto em 60 professores, 29 turmas, cerca de 730 alunos. Neste momento, está em várias partes do país e envolve 300 docentes, 80 turmas, cerca de dois mil estudantes.

É um projeto que investe na formação de professores e que prima pela continuidade e monitorização no terreno, dentro e fora da sala de aula. Sónia Moreira anda por várias escolas do país. E como funciona a aprendizagem cooperativa? Os alunos estão divididos em grupos cooperativos de quatro elementos. “Cada um tem um papel e desempenha uma função de acordo com os objetivos de aprendizagem, um pode ser o porta-voz, outro o conciliador, por exemplo”. As funções são rotativas para que cada aluno experimente diferentes papéis. Neste momento, Sónia Moreira aprofunda esta área num pós-doutoramento.

Trabalhar em equipa, respeitar ideias
A aprendizagem cooperativa quer promover o sucesso escolar através de práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas. Rompe com os paradigmas da sala de aula, altera a disposição do mobiliário para criar diferentes espaços de aprendizagem. “Saber trabalhar em equipa, respeitar as ideias do outro, saber criticar uma ideia e não uma pessoa. A liderança é partilhada”, explica. É um projeto para quem tem vontade de fazer diferente.

Sónia Moreira costuma dizer que os professores são a classe mais importante do planeta. Di-lo com convicção. Os professores formam alunos, formam pessoas, abrem horizontes, dão ferramentas, expandem conhecimentos, dão possibilidades para escolhas futuras. Recebeu o prémio com muita alegria. “É uma vida de trabalho, de entrega, de dedicação, de formação de professores, de formação de alunos. Eu respiro Educação”. É uma vida dedicada ao ensino.

Dedica o prémio a todos os que ensinam. “A todos os professores que estão nesta profissão por vocação, que todos os dias se reinventam para dar o seu melhor”. E promete continuar a trabalhar da mesma forma. “Não vou fazer nem mais, nem menos. Vou colocar todo o meu amor e empenho pela Educação, pelo ensino.”

Este prémio é considerado o Nobel da educação. A vencedora do prémio em Portugal recebe 30 mil euros e tem acesso à próxima edição mundial. Este ano, a menção honrosa “Adaptação e Inovação do Ensino à Distância” foi para Ângela Morais, professora de Educação Musical no Colégio Atlântico no Seixal. A menção honrosa “Sustentabilidade Social” foi para Ana Mendes, professora de Educação Moral e Religiosa no Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco, em Famalicão, que dá também aulas de Educação Ambiental a alunos com necessidades educativas especiais. Os vencedores deste ano foram escolhidos entre 116 candidaturas.

O Global Teacher Prize é uma iniciativa criada pela Fundação Varkey, em 2015, com o objetivo de celebrar e reconhecer o papel dos professores em todo o mundo e divulgar metodologias de ensino. Em Portugal, o programa vai na terceira edição. Desde 2018, foram envolvidos mais de 310 professores e distinguidos mais de 60 projetos.

 

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