Três alunas usam cascas de amendoim para travar poluição na ria de Aveiro

Projeto inovador destacou-se no Concurso Nacional Jovens Cientistas do ano passado, foi premiado na 13.ª Mostra Nacional de Ciência, e recentemente representou Portugal num evento internacional realizado a partir de Moscovo.
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Tudo começou com a leitura de notícias que davam conta de altos valores de um material tóxico na ria de Aveiro. Inês Lourenço, Jéssica Marques e Maria João Marcelino, alunas da Escola Secundária Homem Cristo, em Aveiro, não ficaram indiferentes aos alertas e ao facto de nascerem bebés com a presença desse metal no sangue e no cabelo. “Estas notícias desoladoras desencadearam o nosso interesse no estudo dos impactos deste problema e na tentativa da sua resolução”, explicam. E assim surgiu “Mercúrio na Ria de Aveiro”, um projeto inovador de despoluição que não tem passado despercebido.


Começaram por estudar a toxicidade do mercúrio no mexilhão, um dos bivalves mais consumido na região. “Foi então que notámos que o nível de stress a que os bivalves estavam sujeitos devido ao mercúrio era bastante elevado, bem como as concentrações de mercúrio que acumulavam”, revelam. “Concluímos que a ingestão de bivalves contaminados levava, consequentemente, a uma ingestão do metal tóxico, potencialmente prejudicial à nossa saúde”. Na procura de uma solução, as alunas tentaram extrair o mercúrio da água usando bio absorventes.

“Escolhemos as cascas de amendoins devido à sua estrutura porosa, à presença de grupos carboxílicos e ao baixo valor económico, sendo um bem não perecível e que não precisa de tratamento químico para ser utilizado”. E exemplificam. “Usámos para estudo 1 grama de cascas trituradas para 1 litro de água contaminada num tempo de exposição de 24 horas e notámos que os resultados foram bastante satisfatórios”. Ou seja, mais de 60% do mercúrio tinha sido removido.

Com base nos resultados, Inês, Jéssica e Maria João decidiram participar na Mostra Nacional de Ciência, organizada pela Fundação da Juventude. A ideia era dar a conhecer o projeto à comunidade científica. “O projeto foi recebido com profissionalismo e reconhecimento pelo que agradecemos o voto de confiança e a oportunidade que nos foi concedida”, sublinham. O trabalho destacou-se no Concurso Nacional Jovens Cientistas de 2019 e acabou por ser premiado na 13.ª Mostra Nacional da Ciência, duas iniciativas que, todos os anos, a Fundação da Juventude promove para apoiar e desenvolver na juventude o interesse pela investigação na área das ciências.

Mas o projeto não acaba por aqui, tem mais para dar. As alunas têm mais planos. “Estamos a tentar introduzi-lo nas indústrias causadoras da poluição de modo a diminuir a contaminação no ecossistema”, adiantam. E prometem ter novidades para breve.

Recentemente, em outubro deste ano, o projeto foi falado no “Step Into the Future”, evento internacional dedicado à ciência e à juventude, realizado a partir de Moscovo, com jovens de vários países, e que aconteceu em modo virtual. As três alunas de Aveiro falaram do seu trabalho, das suas ideias, representaram Portugal. Uma oportunidade única de dar visibilidade à investigação na área da despoluição ambiental, tão importante nos nossos dias e em todo o mundo.

“É gratificante ver o talento dos jovens portugueses a ganhar visibilidade internacional afirmando o contributo de projetos tão relevantes como o Concurso Nacional Jovens Cientistas e a Mostra Nacional de Ciência”, sustenta Carla Mouro, presidente-executiva da Fundação da Juventude. “Anualmente, mais de uma centena de projetos são apresentados a concurso, projetos que são desenvolvidos graças ao trabalho e dedicação de muitos alunos e professores”, acrescenta. E os melhores trabalhos têm possibilidade de marcar presença em certames internacionais. A edição de 2020 da Mostra Nacional de Ciência será realizada em formato virtual durante o mês de novembro.

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