COVID-19: Marcelo pede cooperação internacional pela educação

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou hoje para a cooperação internacional pela recuperação e qualidade da educação, que considerou ser “o princípio e o fim de tudo na nossa vida coletiva”.
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Marcelo Rebelo de Sousa participou hoje na reunião da Educação Global, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em que apelou para a mobilização dos países e de toda a comunidade internacional para recuperar a educação, colocada em causa devido à pandemia da COVID-19.

“União e solidariedade para assegurar uma educação de qualidade e preparar um futuro muito melhor para a humanidade, sobretudo com o compromisso político, sem esquecer que a educação é o princípio e o fim de tudo na nossa vida coletiva”, apelou o chefe de Estado.

Na sua intervenção, recordou o encerramento das escolas em Portugal e as consequências da suspensão do ensino presencial para os alunos, famílias e professores, sublinhando o aprofundamento de desigualdades sociais, os elevados níveis de ansiedade provocados pelo confinamento e pela mudança repentina no ensino e a forma como se tornaram visíveis as diferenças entre escolas, entre famílias e entre regiões.

“A ausência da educação pré-escolar prejudicou as crianças com menos de cinco anos numa fase crucial do seu desenvolvimento”, acrescentou o Presidente da República.

Em Portugal, as escolas encerraram em 16 de março, ainda durante o 2.º período letivo, devido à pandemia da COVID-19, e para o ensino básico só voltaram a abrir em setembro, no início deste ano.

Apesar do regresso dos alunos e professores às escolas e às salas de aula, os estabelecimentos de ensino em Portugal estão a funcionar sob uma série de medidas excecionais de segurança sanitária.

“A reabertura das escolas, em plena pandemia, está a tornar este ano num ano académico muito atípico e difícil. Os impactos no médio e longo prazo devem ser cuidadosamente monitorizados e avaliados para corrigir as assimetrias causadas ou pioradas por estes oito meses extremamente difíceis e por aqueles em diante”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

“Todos nós temos uma tarefa enorme para os próximos anos como resultado desta pandemia”, acrescentou, apelando para uma ação que inclua esforços de toda a comunidade internacional.

A reunião da Educação Global, organizada em colaboração com os governos do Gana, Noruega e Reino Unido, decorreu hoje por videoconferência e juntou chefes de estado e de governo, cerca de 70 ministros e representantes de várias instituições internacionais.

Durante o encontro, em que vários governantes trocaram também experiências e dificuldades, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, sublinhou o desafio que a pandemia da COVID-19 impôs sobre a educação.

“Nenhuma escola foi desenhada para uma pandemia como esta e, por isso, esta pandemia representa para todos nós um desafio sem precedentes”, referiu o ministro, apontando a necessidade de criar políticas inovadoras e pensar o processo de ensino-aprendizagem de maneira diferente.

Para o governante, contingências como a pandemia têm de passar a ser consideradas no processo de tomada de decisão dos governos e o futuro da educação deve, por isso, é preciso que é tão importante um compromisso global que passe por “investir mais e melhor”, sobretudo na digitalização do ensino.

Durante o encontro, os participantes assinaram uma Declaração que quantifica em 200 mil milhões de dólares por ano (cerca de 170 mil milhões de euros) os recursos que faltam para financiar os sistemas educacionais, em particular dos países mais pobres.

Concretamente, o documento prevê que os países destinem "pelo menos 4% a 6% do seu PIB ou 15% a 20% dos seus gastos públicos para a educação".

"Este investimento não é um sacrifício nem um custo", frisou a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, alertando que "se não o fizermos agora, o futuro será triste e sombrio".

A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 41,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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