A Astronomia chega às escolas

Projeto de ciência cidadã envolveu investigadores, divulgadores de ciência e professores do 1.º Ciclo. Comunidade escolar sai a ganhar com mais conhecimentos, outras perceções, novas atividades.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir

O envolvimento de professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico na investigação em Astronomia promove a disseminação, tanto de resultados como de processos científicos, às crianças e restantes membros da comunidade escolar? Sim ou não? Este foi o ponto de partida de “CoAstro: Um Condomínio de Astronomia@”, projeto de investigação coordenado pelo Planetário do Porto – Centro de Ciência Viva e desenvolvido na Unidade de Ensino das Ciências da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

Ilídio André Costa é professor, atualmente destacado no Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, a desenvolver trabalho no Planetário do Porto, estudou ao pormenor o assunto que é tema da sua tese de doutoramento “Ciência Cidadã: envolvimento do público na investigação e divulgação em Astronomia”. As conclusões revelam que os professores do 1.º Ciclo aumentaram os seus conhecimentos em Astronomia, e processos envolvidos na produção de conhecimento, e alteraram atitudes e crenças em relação a esta área do saber. E a qualidade das suas práticas de divulgação científica aumentou.

“O CoAstro permitiu perceber como um projeto de ciência cidadã, sem recursos humanos ou financiamento próprios, pode contribuir, com efeitos duradouros e abrangentes em termos de público, para que a escola se abra à comunidade e esta à escola, e para que o público se abra à investigação e esta se abra ao público”, refere o autor da tese de doutoramento, em comunicado.

A divulgação da Astronomia extravasou as salas de aula, os professores idealizaram a melhor forma de envolver as suas comunidades escolares, tendo em conta potencialidades e limitações, promoveram diversas atividades. Alunos e seus familiares aumentaram o seu interesse pela Astronomia. “Na verdade, verificamos que o projeto não só motivou para a dinamização de atividades de divulgação da Astronomia que passou a estar no dia-a-dia das escolas ao longo de todo o ano letivo, como alterou, em termos qualitativos (inclusive por alterações na metodologia de implementação), as atividades de divulgação que os professores realizavam noutras áreas científicas”, lê-se na tese.

O projeto motivou atividades de divulgação “com grande qualidade e metodologicamente diferentes do habitual”. Os professores do “CoAstro” sentiram-se mais conhecedores de ciência, colocando-a no seu quotidiano e prática profissional. Também foi evidente o efeito desmultiplicador da influência do CoAstro nos docentes com quem os professores do projeto se relacionam na mesma escola ou de outros estabelecimentos de ensino, abrindo “novas vias de trabalho colaborativo que, até então, não se vislumbravam”. De várias formas, a Astronomia alcançou diretamente um milhar de participantes mas, pelo efeito desmultiplicador de influências que a escola permite, terá chegado indiretamente a um número maior de pessoas, que não é possível quantificar.

Novas competências comunicacionais
Durante meses, docentes, astrónomos e divulgadores de ciência participaram e colaboraram em processos de investigação e divulgação da Astronomia. Numa primeira fase, os professores do 1.º Ciclo participaram em dois projetos de investigação, um relacionado com a determinação de parâmetros estelares, outro com a deteção de exoplanetas. Analisaram espetros de estrelas-padrão, estudaram curvas de luz de estrelas, aprenderam a linguagem de programação Python, realizaram um vídeo sobre Mercúrio.

Numa segunda fase, desenvolveram iniciativas de divulgação de Astronomia junto dos seus alunos e comunidade escolar, com apoio de comunicadores e divulgadores. No final, astrónomos e comunicadores de ciência alteraram a perceção que tinham dos professores que foram ganhando novas competências comunicacionais e novas formas de estruturar práticas de divulgação.

“Este projeto, enquanto estudo de caso, foi importante ao permitir explorar a forma como comunidades distintas – divulgadores, investigadores, professores – podem colaborar para benefício de todos os envolvidos, tendo ainda um impacto significativo nas comunidades ligadas a estes profissionais”, sublinha Mário João Monteiro, diretor do Departamento de Física e Astronomia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e investigador do Instituto de Astrofísica. “A Astronomia pode efetivamente ser um bom ponto de partida para reforçar o papel e a importância da Ciência na sociedade através de um projeto de ciência cidadã com características muito particulares”, acrescenta.

Para Carla Morais, uma das orientadoras do projeto, do Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, o “CoAstro” foi “uma via de alcançar a consciencialização, a compressão e o envolvimento com a ciência e com a natureza do conhecimento científico, tendo alcançado expressividade não apenas pela participação empenhada e competente de todos os intervenientes diretos, mas também pelo seu alargamento à comunidade destinatária das iniciativas de divulgação – grupos de professores, alunos, encarregados de educação, outros membros da comunidade educativa”.



 

    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.