Legumes, verduras, salsa e coentros ajudam no combate à acne

Quase 85% dos adolescentes são afetados pela acne, uma doença inflamatória que, além de ser dolorosa, lhes causa problemas de auto-estima. O que alguns não sabem é que a alimentação pode ser uma arma contra as temidas borbulhas.
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É raro o adolescente que não sofre de acne e que, consequentemente, não tem problemas de auto-estima, devido às borbulhas que teimam em aparecer na face e, algumas vezes, no tronco. Logo no início da adolescência, a partir dos 12 anos, surgem os primeiros sintomas, como resultado da atuação das hormonas no sistema reprodutor. A doença caracteriza-se pelo aparecimento de pequenos quistos subcutâneos ou pontos brancos e por pontos negros, pápulas ou pústulas. Nos casos mais graves, pode ainda tomar a forma de abcessos e de quistos. Seja de uma forma mais agressiva ou mais leve, poucos são os jovens que convivem pacificamente com a acne. Muitos recorrem a dermatologistas e testam variados produtos e medicamentos. Outros tentam, cada vez mais, controlar a doença com a ajuda da alimentação. É que, ao que tudo indica, os alimentos podem ter um papel importante na diminuição do processo inflamatório. E podem, consequentemente, ajudar a minorar as lesões na pele, causadas pela acne.

“A maior parte da acne surge devido a alterações hormonais. Com a alimentação tentamos, essencialmente, trabalhar ao nível do processo inflamatório, com o objetivo de o diminuir. Há alimentos que pioram a infeção e outros que têm o efeito contrário”, explica ao EDUCARE.PT Catarina Lopes, nutricionista. É por isso que, quando um adolescente chega a uma consulta sua de nutrição, a primeira coisa que a especialista faz é “retirar o consumo de refrigerantes, açucares refinados, cereais refinados, óleos vegetais (ricos em ómega 6), leite e derivados, enchidos e embutidos”. As bebidas alcoólicas, no caso de quem as consome, apesar da idade, também ficam proibidas. “Depois, alguns alimentos podem ir sendo reintroduzidos. Cada caso é um caso. A acne é um processo multifactorial, em que cada pessoa responde de forma diferente e, por isso, tem de ser tratada de forma individual. Há pessoas que só com a alimentação obtêm bons resultados, outras não”, ressalva Catarina Lopes. Há, ainda, a ter em conta o facto de existir acne alérgica. O chocolate, o ovo e, em menos casos, o morango são os principais responsáveis por essa reação.

Índice glicémico
A relação entre a alimentação e a acne continua a ser estudada e há opiniões diferentes sobre o assunto. “Relativamente à dieta, a comunidade dermatológica não valoriza a relação entre acne e alguns tipos de alimento, como por exemplo o chocolate, os fritos e fast-food. Contudo, o aumento da prevalência da acne nas sociedades ocidentais industrializadas, comparativamente à das sociedades menos desenvolvidas, indicia que o tipo de dieta pode ser um fator ambiental a considerar”, deixa claro Manuela Selores, diretora do serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar e Universitário do Porto, num artigo da Nascer e Crescer, uma publicação daquela unidade hospitalar. “Foi demonstrado que a ingestão de alimentos com carga glicémica elevada (ricos em cereais refinados e açúcar) leva à hiperinsulinemia. A qual, por sua vez, desencadeia uma cascata de fenómenos endócrinos, que podem estar implicados na patogénese da acne”, atesta, também a dermatologista.

Na realidade, alguns estudos concluíram que evitar o consumo de alimentos com elevado índice glicémico (como é o caso do pão branco, da batata e da melancia, entre outros) pode ajudar no combate à acne. “Alguns dos alimentos que eu excluo da dieta de quem me procura são retirados, também, por terem elevadas cargas glicémicas. Não tem só a ver com a questão de serem inflamatórios”, confirma Catarina Lopes.

O que comer
A ligação entre a alimentação e a acne é um processo complexo. Há que retirar alimentos e reintroduzi-los. Há que testar e voltar a testar, consoante a pessoa. Porque cada alimento pode ser responsável pelo desencadear de uma reação no organismo. É o caso do leite e seus derivados, por exemplo, que muitos especialistas em nutrição defendem que, além de estarem relacionados com o aumento do processo inflamatório, estão também interligados com a parte hormonal.

O certo é que o aumento da produção de sebo (ou gordura) é causado por certos alimentos. E que prejudica a acne. Daí que as gorduras boas – como o azeite e o abacate –, apesar de serem benéficas para o processo inflamatório, possam ter que ser também doseadas para combater a doença, devido à produção de sebo.
Mas, afinal, o que deve comer um adolescente que pretenda controlar a acne com a ajuda da alimentação? “Alimentos anti-inflamatórios” é a resposta. Frutas, legumes e verduras são alguns dos alimentos indicados. E juntam-se a eles especiarias como a curcuma, a salsa, os coentros, o alecrim e os óregãos, além das já referidas gorduras boas. “O problema é que a alimentação base dos adolescentes não é a melhor. Além disso, por vezes os pais não têm determinados conhecimentos para a alterar. Daí pedirem ajuda. Hoje em dia, as pessoas estão mais sensibilizadas para não tomar tantos medicamentos, por isso recorrem muito a profissionais de nutrição”, adianta Catarina Lopes.

Efeitos a longo prazo
Manuela Selores, que também preside ao Colégio de Especialidade de Dermatologia e Venereologia da Ordem dos Médicos, frisa, no artigo da Nascer e Crescer, que “é importante transmitir a noção de que a resolução da acne demora tempo e que deve ser tratada o mais precocemente possível, para minorar as cicatrizes”. É assim no caso da utilização de medicamentos tópicos e sistémicos, mas também no caso da nutrição. Aliás, é ainda mais difícil no caso da nutrição. “É muito complicado obter resultados a curto prazo. Uma boa resposta é aquela em que se conseguem resultados num ano. No entanto, muitas pessoas começam a sentir melhorias ao final de um ou dois meses”, esclarece Catarina Lopes, sublinhando que “há muitos tipos de acne”.

A acne continua a ser uma doença inflamatória que afeta a maioria dos adolescentes. Nalguns casos, é dolorosa. Noutros, incomoda apenas a nível estético, podendo levar, até, à rejeição social. O pico acontece entre os 14 e os 17 anos, no caso das raparigas, e entre os 16 e os 19 anos, nos rapazes. E há outros factores, como o stress, que influenciam o desenvolvimento da doença. A boa notícia é que, na maior parte dos casos, desaparece, praticamente, a partir dos 20 anos.

 

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