Greta, a ativista carismática e incómoda, ganha prémio

Jovem sueca vence primeira edição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade, um milhão de euros para o combate à crise climática. O rosto e a voz de uma luta que inspira mais do que uma geração.
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Greta Thunberg, 17 anos, ativista da causa ambiental, que colocou as alterações climáticas no centro da atenção mundial, que inspirou um movimento em defesa do ambiente, ganhou a primeira edição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade, entre 136 nomeações correspondentes a 79 organizações e 57 personalidades de 46 países. A jovem sueca ganha um milhão de euros, verba que será aplicada em projetos de combate à crise climática e ecológica pela Fundação Thunberg.

Tornou-se o rosto de uma luta por um mundo melhor, mais puro, mais respirável. Os alertas para a crise provocada pelas alterações climáticas, e a sua forma direta, assertiva e incisiva de comunicar, deram-lhe uma enorme projeção internacional. A sua voz tornou-se a voz de várias gerações. A Fundação Gulbenkian refere que “a sua influência global é sem precedentes para alguém da sua idade”. A Time Magazine considera-a uma das 100 pessoas mais influentes do mundo e elegeu-a Personalidade do Ano em 2019. A Revista Forbes incluiu-a na lista das 100 mulheres mais poderosas de 2019. Em 2019 e 2020, esteve nomeada para o Prémio Nobel da Paz.

O seu lado carismático e inspirador e a força da sua mensagem “singular e incómoda”, capaz “de despertar sentimentos opostos”, bem como “a sua capacidade de marcar a diferença no combate às alterações climáticas”, foram alguns dos fatores destacados. Jorge Sampaio, presidente do júri do prémio, ex-presidente da República, salienta a forma como “conseguiu mobilizar as gerações mais novas para a causa do clima e a sua luta tenaz por mudar um status que teima em persistir, que fazem dela uma das figuras mais marcantes da atualidade”.

A Fundação Thunberg doará os primeiros 200 mil euros à campanha SOS Amazónia, da Fridays for Future Brazil, que combate a COVID-19 na Amazónia, e à Stop Ecocide Foundation que quer tornar o ecocídio um crime internacional.

Greta Thunberg recebeu o prémio com satisfação e honra e insiste que o mundo vive uma situação de emergência. A sua fundação, garante, “irá doar o dinheiro do prémio, o mais rapidamente possível, a organizações e projetos que lutam por um mundo sustentável e defendem a natureza, apoiando pessoas que enfrentam os piores impactos da crise ecológica e climática”.

“Não há planeta B”
A greve às aulas, todas as sextas-feiras, e a sua presença junto ao parlamento da Suécia, para chamar a atenção para os problemas ambientais, não passaram despercebidas. Greta tornou-se um símbolo de uma luta por causas ambientais que move não só a sua geração, como as mais velhas. A sua intervenção na sede das Nações Unidas, em setembro do ano passado, foi um marco importante. A ativista confrontou os líderes mundiais com a passividade face às alterações climáticas. O seu discurso correu mundo. “Como é que se atreveram? Vocês roubaram-me os sonhos e a infância com as vossas palavras vazias”.

Desde então, percorreu vários países e esteve em Portugal no início de dezembro de 2019. Chegou de barco e deixou mensagens poderosas. “Não vamos parar. Vamos continuar a viajar e a pressionar as pessoas que estão no poder, assegurando-nos que priorizam este problema.” “Acho que as pessoas estão a subestimar a força dos miúdos zangados. Nós estamos zangados, frustrados, mas é por uma boa razão.”

No ano passado, no nosso país, alunos, professores, pais, organizações ambientalistas e cidadãos aderiram a mais uma greve estudantil em nome do clima, em protestos inspirados em Greta Thunberg. Em maio, gente de mais de 1600 cidades de 119 países aderia ao apelo da jovem sueca. Em Portugal, vários cartazes exprimiam os motivos do descontentamento pela forma como o planeta está a ser tratado. “Carrego um vergonhoso legado ambiental”, “Eu não quero lixo, quero ‘bollycaos’ embrulhados em sacos de papel”, “Há medidas a tomar e o Governo anda a brincar”, “Não há planeta B” foram algumas das palavras de ordem escritas em cartazes.

Hans Schellnhuber, fundador e diretor emérito do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, Hindou Ibrahim, ativista ambiental e presidente da Associação de Mulheres e Povos Indígenas do Chade, Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, Miguel Bastos Araújo, geógrafo e Prémio Pessoa em 2018, Sunita Narain, escritora e diretora do Centro de Ciência e Ambiente de Nova Deli, foram algumas das figuras do júri. Para a Isabel Mota, presidente Gulbenkian, com este prémio, “a Fundação sublinha o seu compromisso para com a urgência da ação climática, contribuindo para uma sociedade mais resiliente e preparada para as alterações globais, protegendo em especial os mais vulneráveis”.
 

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