Educação digital com outro fôlego depois do ensino à distância

Governo disponibiliza 400 milhões de euros para a Escola Digital e o investimento nos recursos tecnológicos ganha um novo impulso. A capacitação digital dos professores está agora na linha da frente.
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Todos os estabelecimentos de ensino público têm luz verde, durante 2020 e 2021, para comprar equipamentos e recursos tecnológicos. O Governo acaba de disponibilizar uma verba de 400 milhões de euros para o lançamento de concursos que permitirão comprar computadores e garantir a conectividade, no âmbito da Escola Digital. As desigualdades e dificuldades no acesso à tecnologia sentidas pela comunidade escolar durante o ensino à distância, e referidas em vários estudos e questionários realizados, vieram à tona. A reeducação digital de alunos e professores é agora uma questão da máxima importância.

O Conselho de Ministros autorizou a despesa e o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, explicou os objetivos do investimento na Escola Digital. “No próximo ano letivo, serão implementadas as medidas, em diferentes fases, que possam permitir a disponibilização universal do acesso e da utilização de recursos educativos digitais”, referiu. Numa primeira fase, a aposta é feita nas infraestruturas, na compra de computadores, na conectividade, nas licenças de software. A prioridade, como consta no Programa de Estabilização Económica e Social, será dada aos alunos abrangidos pela ação social escolar.

A ideia é atingir a utilização universal, democratizar o acesso aos recursos educativos digitais. Os professores estão na mira da tutela que pretende, neste programa, segundo o ministro, “desenvolver um conjunto de medidas para a capacitação digital dos docentes”. O ministério pretende, por outro lado, estimular a produção de novos recursos digitais e desmaterializar recursos físicos, nomeadamente os manuais escolares.

O ensino à distância colocou à prova alunos e professores na forma de lidar e trabalhar com ferramentas que passaram a fazer parte do quotidiano escolar. As escolas trabalharam a diferentes ritmos e velocidades. Na Madeira, por exemplo, os 2200 alunos do 5.º ano das escolas públicas tiveram tablets e acesso a manuais digitais de todas as disciplinas, no âmbito de um projeto que estará em vigor até 2023-2024. E os professores envolvidos tiveram ao dispor conteúdos de todas as disciplinas do pré-escolar ao 12.º ano, disponíveis na Escola Virtual, da Porto Editora.

São 24 escolas, 100 turmas, e 2200 alunos envolvidos neste projeto, em que os alunos mantêm o uso dos tablets e o acesso aos manuais escolares digitais à medida que transitam de ano. O balanço é positivo sobretudo ao nível dos percursos formativos dos professores e da disponibilidade dos alunos na utilização das ferramentas digitais, no processo de ensino e aprendizagem.

Menos indisciplina na sala de aula
Em abril, Jorge Carvalho, secretário Regional de Educação, Ciência e Tecnologia da Madeira, falou sobre o projeto ao EDUCARE.PT. “A generalidade dos alunos alcançou e/ou consolidou procedimentos adequados no acesso a conteúdos disponíveis na Internet. Os cuidados com o ‘material escolar’ são elevadíssimos, tendo-se registado o extravio de apenas um tablet. Os episódios de indisciplina em sala de aula diminuíram drasticamente, ao mesmo tempo que a participação nas aulas e a realização de trabalhos nas mesmas é muito satisfatória”, dizia, na altura.

A satisfação era evidente. A taxa de realização de tarefas e trabalhos em casa andava próxima dos 100%. O secretário regional estava satisfeito com o alinhamento do projeto, com as propostas de desmaterialização, com as formas de trabalho e realidades mais condicentes com a futura vida profissional dos alunos.

“A disponibilização dos conteúdos e transmissão de conhecimentos tornaram-se mais efetivas, sendo oferecidas aos alunos sob formas mais diversas e completas do que se dependessem da preparação de cada docente”, comentou. “Por outro lado, há um acompanhamento quase em tempo real das aquisições dos alunos, pois os docentes podem visualizar a realização dos seus trabalhos no momento da execução dos mesmos, desencadeando feedbacks pedagógicos específicos, adequados aos seus destinatários”, acrescentava.

A pandemia alterou procedimentos e rotinas, as escolas encerraram, o ensino à distância tornou-se a regra. O próximo ano letivo começa entre 14 e 17 de setembro e o ME pretende arrancar essa etapa escolar com o ensino presencial, ou seja, como todos os alunos nas escolas. Em todo o caso, o modelo misto, ensino presencial e à distância, está em cima da mesa.

O primeiro-ministro garantiu, entretanto, que o próximo ano letivo começará com o acesso universal à rede e aos equipamentos tecnológicos por parte de todos os alunos dos ensinos Básico e Secundário. O ensino à distância mostrou alunos sem computadores, casas sem Internet, problemas em trabalhar com plataformas tecnológicas, dificuldades de adaptação a um novo contexto fora da sala de aula. E António Costa começou a falar em acelerar a transição para a sociedade digital.

“As desigualdades são muito mais persistentes do que aquilo que muitas vezes se pensa e, quando elas se diluem na mesma sala de aula, elas acentuam-se quando cada um vai para as suas casas. Ou por insuficiência da infraestrutura de comunicação, ou por falta de equipamentos, ou por diferentes tipos de habitação, ou, ainda, por diferentes contextos familiares, essas desigualdades tornam-se ainda mais visíveis”, admitiu o primeiro-ministro, numa entrevista à Lusa.

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