Mais idade, menor aproveitamento

Uma análise ao percurso dos alunos dos cursos científico-humanísticos mostra que a taxa de conclusão, no tempo esperado, tem vindo a aumentar. O abandono escolar é mais significativo nos cursos profissionais.
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Durante três anos, a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) seguiu os alunos que ingressaram nos cursos científico-humanísticos do Secundário e revela vários dados num relatório que acaba de divulgar. A percentagem de alunos que conclui os cursos científico-humanísticos (CH) em três anos tem vindo a aumentar gradualmente nos anos mais recentes, embora sem uma evolução significativa no último ano analisado. Ou seja, 55% dos estudantes que ingressaram nesta oferta de ensino em 2012/13 concluíram-na no tempo normal de três anos. Comparando com os colegas mais novos, que ingressaram em 2013/14, em 2014/15 e em 2015/16, a percentagem análoga de conclusão em três anos subiu para 57%, 60%, e 59%, respetivamente.

A percentagem de alunos que pede a transferência para outras ofertas educativas, a meio do percurso no Secundário, é significativamente superior entre os que ingressam nos cursos CH (cerca de 10%) do que entre os que frequentam os cursos profissionais (cerca de 5%). A maioria dos alunos do ensino científico-humanístico que muda de via formativa procura, precisamente, o ensino profissional.

A percentagem de alunos que não concluíram os cursos e não foram encontrados como matriculados no Secundário três anos após o ingresso, e que é um indicador de abandono escolar, é relativamente baixa no ensino científico-humanístico, cerca de 3%. É um valor significativamente inferior aos 12-15% registados nos cursos profissionais.

Há quatro cursos CH e os alunos que ingressam no curso de Ciências e Tecnologias são os que, em média, têm melhores resultados: 62% conseguem concluí-lo em três anos, comparativamente aos 52% dos que ingressam nos cursos de Ciências Socioeconómicas e de Artes Visuais. Os valores mais elevados nos indicadores de abandono e de transferência para outras ofertas encontram-se nos cursos de Artes Visuais e de Línguas e Humanidades, embora as diferenças face aos restantes cursos sejam relativamente pequenas.

A maioria dos alunos que ingressam no científico-humanístico frequentou, no 9.º ano, o Ensino Básico geral. Contudo, há também estudantes com outros tipos de percursos escolares anteriores. O ensino artístico especializado é o mais comum e são esses alunos que mais frequentemente terminam os seus cursos em três anos, com uma taxa de conclusão no tempo de 86% para o ano letivo mais recente, contra uma taxa análoga de 59% entre os alunos oriundos do Ensino Básico geral - embora os alunos dos cursos artísticos sejam em menor número.

Retenções e mudanças de percurso
A DGEEC revela que o facto de os cursos CH terem uma população de alunos relativamente homogénea, na sua quase totalidade oriunda do Ensino Básico geral (mais de 99%), é uma das características que diferencia a realidade desta oferta educativa da realidade observada nos cursos profissionais, em que cerca de um terço dos alunos frequentaram CEF ou cursos vocacionais no Ensino Básico. Estas diferenças de origem refletem-se também nos indicadores de sucesso e de abandono das duas ofertas educativas, cerca de 3% nos cursos CH e entre 12-15% nos cursos profissionais.

Se a amostra apenas se restringir aos alunos provenientes do Ensino Básico geral, “as taxas de abandono após três anos dos cursos profissionais são de 6%, um valor significativamente inferior às taxas globais desta oferta (13-15%) e mais próximo dos 3% observados nos cursos CH”. “São, portanto, os abandonos dos alunos provenientes dos CEF e dos cursos vocacionais que elevam a taxa de abandono nos cursos profissionais bastante acima da verificada nos cursos CH”, lê-se no relatório.

É de esperar que os alunos com mais retenções no Ensino Básico tenham mais dificuldades no ensino científico-humanístico, pelo menos em média, concluindo-se que há diferenças substanciais no aproveitamento escolar. As taxas de abandono do Secundário também apresentam diferenças significativas, sendo de apenas 1% para os alunos que ingressaram com 15 anos nos cursos CH, mas subindo para 36% entre os que ingressaram com 18 ou mais anos de idade.

Por outro lado, verifica-se que as taxas globais de conclusão em três anos foram, nos anos mais recentes, semelhantes no ensino profissional e no científico-humanístico, apesar da primeira oferta receber alunos, em média, um pouco mais velhos. Os que ingressam no profissional parecem ter menos dificuldades durante o Secundário do que os que ingressam no científico-humanístico, o que é um facto significativo e diferenciador destas duas ofertas.

A percentagem de alunos que conclui o ensino científico-humanístico em três anos é menor nas escolas públicas do que nas privadas. E em todos os anos analisados, a percentagem de conclusão do ensino científico-humanístico em três anos é mais alta no sexo feminino do que no masculino. No caso dos alunos que ingressaram no Secundário em 2015/16, estas taxas foram de 65% e de 53%, respetivamente, o que configura uma diferença significativa, de 12 pontos percentuais, entre os indicadores de sucesso associados aos dois sexos.

Em termos de regiões, verifica-se que a percentagem de alunos que conclui o ensino científico-humanístico em três anos é um pouco inferior no Algarve e na Área Metropolitana de Lisboa, comparativamente ao que aconteceu no Alentejo, Centro e Norte.

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