Resiliência para pais e filhos em tempo de pandemia (e não só)

É uma história infantil pensada para famílias num contexto diferente do habitual. É um livro que surge num cenário especial para puxar por conversas sobre imprevistos e desafios de um mundo virado de pernas para o ar.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir


Sebastião sonha que faz tudo em casa com a família sempre por perto. Aulas em casa, judo pelo computador, amigos e restante família no ecrã do telemóvel. Brincadeiras com a irmã em casa, os pais em casa. Por vezes, é tudo confuso e cansativo, mas é preciso manter o otimismo porque há sempre um arco-íris lá fora. Sebastião é o protagonista de um livro, personagem que podia ser de carne e osso. Inês Afonso Marques, psicóloga clínica, psicoterapeuta infantojuvenil, especializada em psicoterapia cognitivo-comportamental com crianças e adolescentes, escreveu a história. A ilustradora Célia Fernandes deu vida às personagens. E assim nasceu o livro “Sonhar com o arco-íris”.

São 32 páginas e um pequeno guia para ajudar pais e filhos a cultivar a resiliência e a relativizar situações mais complexas num momento complexo e especial. Sebastião, Titão como lhe chama a irmã, mergulha num sonho, regressa à realidade, pensa no que se está a passar. “É uma história infantil que permite pôr pais e filhos a conversar sobre situações desafiantes, imprevistas, que podem invadir a vida das famílias, tornando-se exigentes do ponto de vista emocional, precisamente por colocarem a noção de controlo e estabilidade em causa”, adianta Inês Afonso Marques, ao EDUCARE.PT.

Uma noite, um sonho, pessoas especiais, ocasiões felizes, coisas realmente importantes da vida, atividades que divertem. Uma história para os dias que correm. “É um livro que fala de emoções, de valores, da gratidão. Fala sobre a resiliência. E sobre o poder da imaginação, para nos conduzir a lugares seguros, sempre que situações exigentes do ponto de vista emocional ocorrem nas nossas vidas”, refere a escritora e autora de outros livros como “A Brincar Também se Educa” e “Crescemos Juntos. 365+1 Inspirações para uma Parentalidade Feliz”, entre outros.

A inspiração é óbvia, ou seja, o atual contexto, a pandemia. Em todo o caso, acaba por ser uma história que faz sentido em qualquer tempo. Segundo Inês Afonso Marques, “em qualquer momento em que o fluxo habitual dos nossos dias é interrompido por situações em que as emoções parecem querer andar de montanha russa”. “Pode ser uma ajuda para falar de emoções e de estratégias de regulação emocional em situações como um divórcio, uma perda de um ente querido, uma catástrofe natural, uma mudança de país, uma situação de desemprego…”, acrescenta a psicóloga também especializada em neuropsicologia pediátrica.

A imaginação é uma boa ferramenta para lidar com um mundo virado de pernas para o ar. Um recurso muito poderoso. E a mensagem foca-se nos aspetos positivos da vida e no que se consegue controlar. No final do livro, um guia de resiliência para pais e educadores, um conjunto de estratégias simples e práticas com pistas para saber como lidar com as emoções dos mais novos. “A inteligência emocional é a chave para a nossa capacidade de adaptação. No fundo é também um convite para prolongar o diálogo sobre os temas do livro, uma forma de os pais conhecerem ainda melhor os seus filhos e de estreitarem laços emocionais, enquanto conversam sobre aquilo que pensam e sentem, sobre como veem o mundo”. Uma história que conduz a lugares seguros em tempo de tantas incertezas.

 

    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.