Médias melhoram, escolas privadas nos primeiros lugares

Os resultados dos exames nacionais do Ensino Secundário e do 9.º ano, realizados no ano passado, voltam a ser analisados à lupa. Há subidas e descidas, desempenhos melhores e outros piores, e os estabelecimentos de ensino público continuam atrás dos colégios nos rankings escolares.
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As notas dos exames nacionais dos alunos do Ensino Secundário e do 9.º ano de escolaridade, realizados no verão do ano passado, melhoraram em relação a 2018. As escolas privadas continuam a ocupar os lugares cimeiros dos rankings e as raparigas voltam a ter melhores desempenhos do que os rapazes. Os diretores dos estabelecimentos que se destacam, nas análises efetuadas com base nas médias alcançadas, realçam o ensino personalizado, turmas pequenas, atividades paralelas que motivam e envolvem os alunos. O ranking elaborado pela Lusa, com dados fornecidos pelo Ministério da Educação (ME), revela subidas e descidas por todo o país.

As notas do Secundário nas provas nacionais de 2019 melhoraram em relação ao ano anterior e os colégios registaram uma subida maior do que as escolas públicas. Nos colégios, a média foi de 12,69 valores, nas escolas públicas de 10,95. Comparando com o ano anterior, os colégios subiram mais de meio ponto, ou seja, de 12,16 para 12,69, enquanto as escolas públicas melhoraram de 10,77 para 10,95.

Mais uma vez, realizaram-se muito menos provas nos colégios: pouco mais de 25 mil exames no privado, 196 427 no público, ou seja, quase oito vezes mais. Das 17 disciplinas analisadas, apenas Filosofia registou média negativa de 9,76 valores. Matemática B, Desenho A, Espanhol e Geometria Descritiva A lideraram a lista pelo lado das melhores médias com a primeira disciplina a obter 14,63 e as restantes com médias na casa dos 13 valores.

O Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, volta a ser a escola com a melhor média do ranking da Lusa, que excluiu os estabelecimentos de ensino com menos de 100 provas realizadas pelos alunos do Secundário. A média dos 553 exames realizados foi de 15,61 valores. O Colégio D. Diogo de Sousa, em Braga, e o Colégio Moderno, em Lisboa, surgem nos lugares seguintes, segundo e terceiro, respetivamente.

A Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite, em São João da Madeira, é a escola pública com melhores resultados nos exames nacionais do Secundário, aparece em 32.º lugar do ranking. E é a escola que mais subiu, uma vez que, em 2018, ocupava o 330.º lugar entre meio milhar de estabelecimentos de ensino. A média das 155 provas dos alunos foi de 13,29 valores. A cultura da escola, que desafia cerca de 800 alunos para projetos paralelos de ciência e outras atividades de complemento à aprendizagem convencional, é um dos ingredientes do sucesso.

“Ao fim de 12 anos de estudo, parece que tudo está condicionado ao exame nacional, mas a vida de um aluno dentro da escola é muito mais do que isso. Dentro deste ambiente controlado, tentamos dar-lhes todas as experiências possíveis para que adquiram competências e aptidões que lhes permitam, quando saírem da escola, traçar os caminhos que quiserem e concretizar os seus sonhos”, afirmou, à Lusa, Anabela Brandão, diretora do estabelecimento de ensino. Não há muito tempo, os alunos de todo o agrupamento de São João da Madeira comunicaram com astronautas durante uma iniciativa desenvolvida com a Estação Espacial Internacional. “Como estes projetos geralmente têm muito sucesso, os miúdos ficam muito mais motivados para a escola e para a aprendizagem”, sublinha a diretora.

77,8% de positivas nas escolas públicas
As escolas públicas descem cinco lugares em relação a 2018. No ano passado, a primeira pública ocupava o 27.º lugar. Apesar da descida, as notas subiram em relação ao ano anterior. Nesta tabela, a Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, volta a ocupar o 2.º lugar com uma média de 13,11 valores nos 675 exames realizados. Em 3.º lugar, está a Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, com uma média de 13,04 valores e o 39.º lugar no ranking geral.

Na tabela do sobe e desce, a Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite, em São João da Madeira, volta a aparecer para ocupar o 1.º lugar, seguindo-se a Escola Secundária Pinhal do Rei, na Marinha Grande, que também teve uma acentuada subida ao passar do 416.º lugar do ranking de 2018 para a 212.ª posição. No grupo das escolas que subiram mais de 200 lugares aparece ainda a Escola Básica e Secundária de Arfa e Lima, em Viana do Castelo, que disparou do 316.º lugar para o 114.º.

Os estabelecimentos de ensino que não alteraram a sua posição em relação aos rankings do ano passado dividem-se entre colégios e escolas públicas. O Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, voltou a ocupar o 1.º lugar, o Colégio Pedro Arrupe, em Lisboa, o 16.º, a Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, o 39.º, e o Colégio do Minho o 47.º. O Instituto de Ciências Educativas, em Odivelas, destaca-se pelo sentido inverso, ao descer mais de 300 lugares: em 2018, o estabelecimento de ensino particular ocupava o 63.º lugar e este ano ficou em 387.º.

Quase oito em cada dez escolas públicas conseguiram uma média positiva nos exames nacionais, o que revela uma melhoria em relação ao ano anterior. Em termos percentuais, houve uma subida de 75% de positivas para 77,8%. No ranking geral, que junta escolas públicas e privadas, surgem agora 11 estabelecimentos públicos entre as 50 melhores, enquanto no ano passado eram apenas oito numa lista que é sempre dominada pelas privadas.

Coimbra volta a ser o distrito com a melhor média nos exames nacionais do Secundário com uma média de 11,61 valores nos 8 824 exames realizados em 2019. O distrito do Porto surge a seguir com menos uma décima numa lista que continua com os distritos de Viseu, Leiria, Viana do Castelo, Lisboa, Aveiro e Braga, este último com 11,3 valores. Portalegre surge como o único distrito com negativa com uma média de 9,73 valores. No entanto, verifica-se aqui uma disparidade entre os resultados dos exames e as notas finais dadas pelas escolas e nem as médias são semelhantes. Ou seja, as médias distritais para a classificação interna final são todas positivas e rondam os 13 e 14 valores.

As raparigas têm melhores resultados no Secundário e nos exames nacionais, destacando-se em Matemática B e Desenho, enquanto os rapazes foram melhores em Geometria Descritiva e Inglês. As alunas tiveram uma média de 11,27 valores nos exames. Os rapazes tiveram uma melhoria de cerca de duas décimas em ambos os casos em relação ao ano de 2018. Na avaliação interna, também foram elas que tiveram mais sucesso: a média de todas as notas foi de 14,1 valores, a dos rapazes de 13,6.

Tanto os rapazes como as raparigas conseguiram melhores resultados nos exames de Matemática B do que na nota atribuída pelo trabalho feito ao longo do ano em sala de aula: elas subiram, em média, 1,2 valores e eles 0,6. Esta foi, aliás, a disciplina em que as raparigas mais se destacaram nos exames, obtendo 15,06 valores. Os rapazes ficaram nos 13,86.

Média de 11,58 em Matemática A
As notas do exame nacional de Matemática A melhoraram, ainda assim mais de um quarto das escolas teve média negativa. De qualquer forma, comparando com o ano anterior, registou-se uma diminuição de escolas com negativa, de 40% para 28,25%. No ano passado, 33 244 alunos do Secundário realizaram o exame e a média de todas as provas foi de 11,58 valores, uma melhoria em relação ao ano anterior. Dos 615 estabelecimentos de ensino onde se realizou a prova, 175 “chumbaram”, já que a média das notas dos seus alunos foi abaixo de 10 valores.

A escola com melhores resultados à disciplina volta a ser um estabelecimento de ensino particular, desta vez o Colégio Mira Rio, em Lisboa, onde a média dos 10 alunos levados a exame foi de 17,45 valores. Segue-se o Externato Senhora do Carmo, no Porto, com 17,37 valores. Em 3.º lugar surge a primeira escola pública, a Escola Básica e Secundária Pedro Alvares Cabral, em Belmonte, Castelo Branco, com uma média de 17,27 valores, e volta a ser a pública com melhores resultados a Matemática, com apenas quatro alunos que realizaram o exame. Nos lugares seguintes, quarto e quinto, aparecem o Colégio Nossa Senhora da Paz, no Porto, e o Colégio Valsassina, em Lisboa. A segunda escola pública melhor classificada surge em 11.º lugar, a Escola Básica e Secundária das Flores, em Santa Cruz das Flores. A terceira pública melhor posicionada é a Secundária José Falcão, em Coimbra, 35.º do ranking geral, com uma média de 14,87 valores.

No fim da lista, com piores resultados, há seis escolas com médias abaixo dos 5 valores. A média dos cinco alunos da Escola Secundária da Baixa da Banheira, em Setúbal, foi de 2,56 valores, muito abaixo da nota atribuída pelos professores pelo trabalho realizado ao longo do ano de 11 valores.

As notas do exame nacional de Português continuam a subir e mais de 90% das secundárias tiveram positiva na média das classificações dos seus alunos. A Academia de Música de Santa Cecília, em Lisboa, lidera o ranking com uma média de 17,72 valores com apenas quatro alunos levados a exame. A Escola Básica e Secundária de Vila Cova, em Barcelos, escola pública, surge em 2.º lugar, os 23 alunos que foram a exame conseguiram uma média de 17,5 valores. Os 20 lugares seguintes da lista são ocupados por escolas privadas. Viseu, Porto e Santarém foram os distritos que conseguiram melhores resultados. As regiões com piores médias foram Portalegre, Açores e Setúbal.

Quatro em cada dez escolas do Ensino Secundário tiveram média negativa no exame nacional de Biologia e Geologia, uma das mais importantes provas para quem quer seguir cursos superiores na área da Saúde, piorando os resultados em relação ao ano anterior. Com quase 26 mil exames realizados no verão de 2019, as notas desceram ligeiramente, passando de uma média de 10,93 valores para 10,69. As raparigas voltaram a ter um melhor desempenho com uma média de 10,74, ligeiramente acima dos 10,63 dos rapazes.

Seis em cada dez escolas tiveram média negativa no exame nacional de Física e Química do Secundário em 2019, piorando os resultados do ano anterior. A Escola Básica e Secundária com Pré-escolar e Creche do Porto Moniz, na Madeira, foi o estabelecimento mais bem classificado nesta prova. José Sequeira, presidente do conselho executivo da escola, em declarações à Lusa, explicou que os professores trabalham “com turmas com poucos alunos e isso ajuda”. “Também temos uma sala de estudo que ajuda os alunos a aperfeiçoarem os seus conhecimentos e que, no fundo, é um espaço de preparação para os exames nacionais”, acrescentou. No entanto, a Madeira é a zona do país com piores resultados a esta disciplina. A Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra, surge em 17.º lugar e a Escola Básica e Secundária Henrique Sommer, em Leiria, em 18.º.

Média de Português do 9.º ano desceu
As notas melhoraram nos exames nacionais do 9.º ano, mas a maioria das escolas voltou a “chumbar”, segundo o ranking da Lusa. No ano passado, os alunos do 9.º ano realizaram mais de 184 mil exames nacionais a Português e Matemática e a média de todas as provas foi de 3,03 valores (numa escala de zero a cinco). Mas a maioria dos estabelecimentos de ensino “reprova” quando é feita a média das notas nos exames dos alunos internos de cada escola: num universo de 1 242 escolas, 52% tiveram média negativa.

Ainda assim, quando comparado com o ano anterior, regista-se uma ligeira melhoria, já que as escolas com média positiva subiram de 43% para 47%, mantendo assim uma tendência que já se vinha registando nos últimos anos. As escolas privadas voltam a liderar a tabela e, este ano, o primeiro lugar é ocupado pelo Externato Escravas Sagrado Coração de Jesus, no Porto, seguindo-se o Externato As Descobertas, em Lisboa, e o Colégio Cedros, em Vila Nova de Gaia.

A primeira escola pública volta a surgir em 20.º lugar, à semelhança do que aconteceu no ano passado, posição ocupada pela Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa. “Os alunos e professores estão muito orgulhosos destes resultados que acho que são fruto do trabalho de todos e do bom ambiente que temos na escola”, referiu Lilian Kopke, diretora da escola, em declarações à Lusa. As turmas são pequenas, um professor tem, no máximo, 20 alunos na sala, o que permite, sublinha, “adaptar o ensino e torná-lo mais personalizado”. Em segundo lugar, surge a Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga (40.º lugar do ranking geral), e em 3.º a Escola Básica Vasco da Gama, em Lisboa (46.º lugar do ranking geral).

A maioria das escolas voltou a ter média negativa nas provas de Matemática e Português, mas esta é uma realidade que não se aplica aos colégios. Se 59% das escolas públicas “chumbaram”, entre os privados foram apenas 15% das instituições. No ano passado, a média dos alunos na prova de Matemática voltou a ser negativa, mas houve uma ligeira melhoria, ou seja, de 2,61 para 2,95 valores. Já a Português, os alunos parecem ter tido mais dificuldades com a prova e a média nacional baixou de 3,39 para 3,12 valores.

As notas dos alunos do 9.º ano baixaram no exame de Português de 2019, ano em que mais do que uma em cada três escolas teve média negativa. A média nacional desceu de 3,39 para 3,11 valores entre 2018 e 2019. O desempenho mais fraco dos estudantes revelou-se também na quantidade de escolas que conseguiu que a média das notas de todos os seus alunos fosse positiva: mais de uma em cada três (37,5%) “chumbou”, enquanto no ano anterior eram apenas 10%.

O Externato Escravas Sagrado Coração de Jesus, no Porto, o Colégio dos Plátanos, em Sintra, e o Externato As Descobertas, em Lisboa, ocupam os três primeiros lugares com uma média superior a 4 valores. Os 28 alunos da Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, conseguiram a melhor média entre os estudantes do ensino público (3,92 valores), seguindo-se a Escola Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra (33.º lugar do ‘ranking’ geral), e a Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga (46.º do ‘ranking’ geral).

Os alunos do 9.º ano melhoraram o seu desempenho no exame de Matemática, mas a maioria das escolas continua com média negativa. A média dos exames nacionais realizadas por 92 504 alunos continua a ser negativa. No ano passado, a média foi de 2,95 valores, o que representa uma melhoria em relação a 2018, quando a média foi de 2,61 valores. Das 1 240 escolas que levaram alunos a exame, apenas 510 conseguiram que a média dos resultados fosse positiva, 41% do total - 59% dos estabelecimentos de ensino “chumbaram”, o que mesmo assim revela uma melhoria significativa quando comparado com o ano anterior. No geral, as raparigas continuam a ter melhores resultados a Matemática: tiveram uma média de 3 valores, enquanto os rapazes obtiveram 2,89.

As escolas privadas voltam a liderar a tabela com o primeiro estabelecimento de ensino público a surgir apenas em 29.º lugar.
A Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, surge em 1.º lugar com uma média de 4,21 valores. Esta escola destacou-se também na prova de Português, conseguindo assim ser a pública mais bem classificada no ranking que junta as duas disciplinas de exame do 9.º ano. Os primeiros lugares são ocupados pelo Colégio Cedros, em Vila Nova de Gaia, Externato As Descobertas, em Lisboa, e o Externato Escravas Sagrado Coração de Jesus, no Porto, todas com médias superiores a 4,5 valores.

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