Há menos chumbos e o contexto socioeconómico ainda pesa

As raparigas têm mais sucesso escolar do que os rapazes. Os alunos mais carenciados têm piores notas. As médias dos exames nacionais oscilam ligeiramente. Matemática e Português do Secundário estão na positiva. Ministério da Educação analisa provas finais e exames nacionais do ano passado.
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Os alunos do 3.º Ciclo e do Ensino Secundário, duas últimas etapas da escolaridade obrigatória, estão a chumbar menos durante o seu percurso escolar. No entanto, o contexto socioeconómico das famílias continua a determinar as hipóteses de sucesso, o que se comprova no fosso que existe entre alunos com e sem Apoio Social Escolar (ASE). As conclusões ressaltam no relatório que apresenta os resultados dos principais indicadores nas provas finais do Ensino Básico e nos exames nacionais do Secundário, no ano letivo passado. O documento foi divulgado no início deste mês pelo Ministério da Educação (ME).

Há menos retenções. Os alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico geral e dos cursos artísticos especializados chumbam menos, verifica-se um aumento ligeiro do sucesso escolar de 45% no ano letivo 2017-2018 para 47% em 2018-2019. No ano letivo de 2015-2016, essa percentagem era de 40%, subindo para os 46% no ano letivo seguinte. As raparigas têm mais sucesso escolar do que os rapazes, nos indicadores avaliados. Em 2018-2019, mais de metade, mais concretamente 52% das raparigas tiveram percursos diretos de sucesso, ou seja, não reprovaram nos anos do 3.º Ciclo, no 7.º e 8.º. Do lado dos rapazes, a percentagem é de 43%. Nos últimos anos, as raparigas estiveram sempre à frente dos rapazes.

“As diferenças de desempenho neste indicador de alunos de diferentes estratos socioeconómicos continuam bastante vincadas, como observado em estudos anteriores, com 56% de percursos diretos de sucesso entre os alunos do 3.º Ciclo que não beneficiaram de apoios ASE, em 2018-2019, e apenas 21% entre os seus colegas enquadrados no escalão A de apoios ASE”, lê-se no relatório. O número de alunos que não precisa de apoio financeiro para estudar e com percurso de sucesso tem aumentado. Subiu de 47% em 2015-2016 para 54% em 2016-2017, desceu ligeiramente para 53% no ano letivo seguinte, e atingiu os 56% em 2018-2019.

No escalão A, respeitante aos alunos mais carenciados, a subida dos alunos com percursos diretos de sucesso, neste caso sem retenções no 3.º Ciclo, é mais tímida: 18% em 2015-2016, 22% em 2016-2017, 20% em 2017-2018, 21% no ano letivo de 2018-2019 - mais de 30 pontos percentuais abaixo dos 56% sem apoios que conseguem um percurso sem retenções e com aprovação nas provas finais. No escalão B, a subida tem sido mais acentuada: 28% dos alunos tiveram percursos diretos de sucesso em 2015-2016, número que aumenta para 34% em 2016-2017, descendo para 33% em 2017-2018, subindo para 38% em 2018-2019.

A nível distrital, em 2018-2019, a percentagem de percursos diretos de sucesso, sem retenções, no 3.º Ciclo do Ensino Básico geral e dos cursos artísticos especializados ficou acima dos 50% nos distritos de Braga, Castelo Branco, Coimbra, Viana do Castelo e Vila Real. Viseu ficou nos 50%. As piores percentagens estão em Beja com 34% e em Setúbal com 39%. Lisboa registou 47% e o Porto 48%. A percentagem global continental ficou nos 47%.

Bragança e Portalegre com piores percentagens
O aumento do sucesso educativo dos alunos dos cursos científico-naturais do Ensino Secundário foi mais expressivo do que o do 3.º Ciclo, de 37% em 2017-2018 para 44% em 2018-2019. É a maior percentagem dos últimos anos. Em 2015-2016 era de 37%, 42% em 2016-2017 e 37% em 2017-2018. A nível regional, no ano letivo passado, a percentagem de percursos diretos de sucesso, sem retenções, nos cursos científico-humanísticos ficou acima dos 50% nos distritos de Coimbra, Viseu e Viana do Castelo. Bragança e Portalegre registaram as piores percentagens. Lisboa registou 42%, Porto teve uma percentagem de 46%. A percentagem global do Continente é de 44%.

Tal como no 3.º Ciclo, as raparigas do Secundário superam os rapazes nos percursos diretos de sucesso, sem retenções no 10.º e 11.º anos. A diferença tem sido expressiva. Quarenta e oito por cento das raparigas e 39% dos rapazes no ano letivo passado. Quarenta e um por cento das raparigas e 32% dos rapazes em 2017-2018, 47% das raparigas e 37% dos rapazes em 2016-2017, e 41% das raparigas e 34% dos rapazes em 2015-2016.

Os alunos do Secundário sem ASE têm mais sucesso, com alguns altos e baixos. A diferença é entre 29% de percursos diretos de sucesso entre alunos com ASE e 45% nos alunos sem esse apoio. Em 2018-2019, eram 45%, mais do que os 38% de 2017-2018. Em 2016-2017, a percentagem aproximava-se da atual, com 44%. Em 2015-2016, eram menos, 39% mais precisamente. Os alunos que beneficiam do escalão A continuam a ter menos sucesso escolar. Eram 29% no ano letivo passado, 23% em 2017-2018, 28% em 2016-2016 e 23% em 2015-2016. No escalão B, as percentagens são superiores: 36% de alunos com sucesso em 2018-2019, 30% em 2017-2018, 35% em 2016-2017, 30% em 2015-2016.
Na análise das provas finais do Ensino Básico e dos exames nacionais do Secundário, há aspetos que se salientam. A média das classificações da prova final de Matemática do 9.º ano aumentou significativamente, em comparação com os anos anteriores, atingindo uma classificação média nacional positiva. Na prova de Português, 77% dos resultados foram positivos, a classificação média nacional continua a ser positiva, embora com uma ligeira diminuição relativamente a 2018. Nos últimos cinco anos, as médias dos exames nacionais de Matemática e Português estabilizaram.

Médias que sobem e descem
No Secundário, na quase totalidade dos exames nacionais, com exceção de Filosofia e de Física e Química, a classificação média é superior a 10 valores, positiva, portanto. Nos exames nacionais de Física e Química, os resultados dividem-se quase pela metade, 52% dos alunos têm negativa, 48% positiva. As médias dos exames de Biologia e Geologia estabilizaram, comparativamente a 2018.

As médias dos exames nacionais de Matemática A têm estado na positiva desde 2015. Nesse ano, a média foi de 11,1 valores, desceu ligeiramente para 10,3 no ano seguinte, em 2017 estava nos 10,7, voltou a descer para os 10,2 em 2018 e subiu para os 10,8 em 2019. Português, no mesmo período, também registou médias positivas: 10,9 valores em 2015, 10,8 em 2016, 11,1 em 2017, 11 em 2018, e 11,8 em 2019.

Em Física e Química A, as médias dos exames nacionais tiveram altos e baixos. Uma média negativa de 9,1 valores em 2015, 10,4 no ano seguinte, 9,3 em 2017, 10 valores em 2018 e 9,5 no ano passado. As médias de Filosofia estiveram na positiva até 2019, ano em que desceu para 9,5. De 2015 a 2017 foi sempre a mesma, de 10,3 valores, e em 2018 subiu para 10,7. A média de Geografia A também desceu em 2019, mas ficou na positiva de 10,2 valores. Antes disso, em 2015 era de 11,1, no ano seguinte de 11,2, em 2017 foi de 10,9 e em 2018 de 11,4.

O cálculo dos indicadores apresentados no relatório foi feito pela Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência, a partir das bases de dados do Júri Nacional de Exames e dos dados reportados pelas escolas de Portugal Continental.

 

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