Mindfulness e menos stress nas escolas

Primeiras jornadas de mindfulness partilham resultados de projetos que andam no terreno. Trabalhos mostram professores menos ansiosos e alunos mais satisfeitos. O encontro acontece sexta-feira e sábado no auditório dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir

Mindfulness significa atenção plena, consciência do momento presente, capacidade de estar atento às experiências internas e externas com paciência e compaixão, treino mental que ensina a lidar com pensamentos e emoções. Esta prática espalha-se por várias áreas, educação incluída. As Jornadas de Mindfulness e Compaixão vão debater e apresentar resultados da sua aplicação em diversos contextos e geografias do país. A iniciativa tem lugar no auditório dos Hospitais da Universidade de Coimbra esta sexta-feira e sábado, dias 14 e 15 de fevereiro. São esperados cerca de 200 participantes.

Os resultados do projeto “Mentes Sorridentes”, levado a cabo por esta associação sem fins lucrativos que pretende partilhar exercícios de mindfulness com públicos diversificados, serão divulgados nas jornadas. No entanto, já é público os benefícios do projeto não apenas nos professores, mas também nos alunos e na própria vida escolar. Primeiro foi aplicado numa escola em Loures e depois estendeu-se por várias zonas do país.

Nos professores, evidenciou-se “uma diminuição do stress, da ansiedade e do burnout (esgotamento profissional); nas crianças aumentou a satisfação com a vida e observou-se a melhoria da sua participação e rendimento escolar, assim como a diminuição de ansiedade”, revelou, à Lusa, José Pinto Gouveia, catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e coordenador científico das jornadas, que são promovidas por associações para o Mindfulness , pelas Mentes Sorridentes e pelo Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Universidade de Coimbra.

As jornadas destinam-se a professores, psiquiatras, psicólogos, terapeutas, médicos, gestores e estudantes, e ao público em geral. Segundo a Universidade de Coimbra, embora a prática já seja comum na educação e saúde, “ainda há desconhecimento e muita resistência em reconhecer os reais benefícios desta abordagem”. A iniciativa pretende, portanto, “contrariar esta tendência e mostrar o trabalho científico” que tem sido realizado no país, bem como partilhar conhecimentos e experiências.

Além da educação, serão tornados públicos resultados de outros projetos nas áreas da saúde, do desenvolvimento pessoal e das organizações. Na saúde, onde esta abordagem tem sido aplicada com regularidade, a organização destaca a divulgação dos resultados de um estudo, pioneiro em Portugal, “realizado com jovens agressores, focado na terapia baseada na compaixão”. Além disso, serão divulgados resultados da aplicação de programas de mindfulness em mulheres com cancro de mama, na dor crónica e no combate à obesidade e ingestão alimentar compulsiva.

“O mindfulness tem vindo a ser amplamente reconhecido como ferramenta terapêutica eficaz, com benefícios validados empiricamente em diferentes áreas”, sustenta José Pinto Gouveia que avisa, porém, que “não é panaceia universal ou uma pílula da felicidade”. O mindfulness é para a mente o que o exercício físico é para o corpo.

Esta prática exige concentração e tem sido usada, por exemplo, pela Google e pela Apple em programas internos para gestores e funcionários, com impacto relevante. “Trata-se de um treino mental que tem de ser praticado e essa prática desenvolve capacidades do cérebro e competências que nos permitem defender um pouco das próprias armadilhas do cérebro, por exemplo, da negatividade natural do cérebro”, refere o especialista e coordenador científico das jornadas.

    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.