Educação Digital na Europa

‘Educação Digital nas Escolas da Europa’ é o mais recente relatório da rede Eurydice, um estudo comparado e participado por 43 sistemas educativos, 28 dos quais Estados-Membros da União Europeia, que aborda a educação digital na Europa do ano letivo 2018/2019 abrangendo os níveis primário e secundário.
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Criada em 1980, fruto de uma parceria entre a Comissão Europeia e os seus estados-membros, a rede Eurydice dedica-se a trabalhar e a difundir informação referente a políticas e sistemas educativos europeus, desde o ensino infantil até ao ensino superior. No trabalho desenvolvido pelas 42 unidades nacionais, onde cada unidade representa um país, a informação é recolhida, trabalhada e sistematizada em forma de estudos e análises comparadas abordando vários temas das áreas da educação e formação. Para além disso, é da responsabilidade de cada unidade validar a versão final dos estudos comparados e proceder à sua tradução para posterior utilização e consulta.

Por norma, cada unidade nacional da rede Eurydice, trabalha em estreita colaboração com especialistas da área da educação estando, na sua grande maioria, integrados nos seus Ministérios da Educação. A unidade portuguesa não é exceção, estando sedeada na Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, que tem por missão assegurar o desempenho das atividades da Unidade Portuguesa da rede Eurydice.

‘Educação Digital nas Escolas da Europa’ é o mais recente relatório da rede Eurydice, um estudo comparado e participado por 43 sistemas educativos, 28 dos quais Estados-Membros da União Europeia, que aborda a educação digital na Europa do ano letivo 2018/2019 abrangendo os níveis primário e secundário.

É inegável a revolução que as tecnologias digitais têm provocado na sociedade em geral, incluindo os sistemas educativos, mas interessa sobretudo avaliar o impacto que esta possa ter tanto na forma como o ensino é administrado, bem como um papel fundamental na preparação dos mais jovens para um mundo mais tecnológico.

Curiosamente, os dados disponibilizados referem que o uso de novas tecnologias junto deste público-alvo está concentrado em atividades não escolares e recreativas. Por outro lado, se tivermos em conta estas mesmas tecnologias em contexto escolar, para fins educativos, o atraso é significativo. Apesar de ainda não serem conhecidos os reais efeitos da utilização das novas tecnologias no ensino, começa a ser veiculada a ideia de que ambientes de aprendizagem inovadores e estimulantes podem contribuir para facilitar aprendizagens e aumentar a motivação.

A competência digital, transversal a outras tantas competências, é essencial para a integração social e fundamental para uma participação cívica ativa e consciente, sendo há já alguns anos, tema prioritário em relatórios, comunicações e políticas europeias. Essa importância crescente deu origem ao Quadro Europeu de Referência para a Competência Digital, publicado em 2013, um documento que orienta, de forma consensual, as principais características da competência digital, dividida em cinco áreas de conhecimentos: literacia de informação e de dados; comunicação e colaboração; criação de conteúdos digitais; segurança e resolução de problemas. É na proteção de dados e privacidade que se nota uma preocupação e relevância crescente que se manifesta nos currículos europeus de quase 30 sistemas educativos.

Dos 43 sistemas educativos que integram esta abordagem comparativa, quase metade integra as competências digitais como essencial e na sua maioria considera o desenvolvimento desta competência nos três níveis de ensino. A transformação acelerada da área digital coloca mais de metade dos sistemas educativos a considerar a introdução de competências digitais no currículo e, para aqueles cujo tema já era abordado, estão a proceder a reformas e transformações curriculares mais evidentes.

A reavaliação de políticas e de procedimentos é uma constante perante a contínua e crescente transformação da nova sociedade, cada vez mais digital. É imperativo que os países europeus acompanhem esta evolução com a adoção de novas e estratégicas políticas para fazer face a um universo cada vez mais exigente.

Apesar da definição de competência digital do corpo docente ser variável, é inequívoca a importância deste tipo de competências junto da classe, antes da entrada na carreira de docente, reconhecidas nos quadros de competências em cerca de dois terços dos países participantes neste estudo. Se tivermos em conta as medidas de apoio ao desenvolvimento contínuo de competência digitais do professor, quase todos os sistemas de ensino contemplam uma oferta diversificada de desenvolvimento profissional na área das novas tecnologias por forma a acompanhar uma educação digital de qualidade superior. E o relatório também menciona o papel dos pais em toda a dinâmica tecnológica. É importante perceber até que ponto os pais estão habilitados a fazer um acompanhamento eficaz das competências tecnológicas do seu educando. A maior parte dos sistemas educativos mostra esta fragilidade. São raras as medidas estratégicas que visam envolver e apoiar pais e encarregados de educação na educação digital.

Ainda assim, 32 países colocaram na sua agenda política medidas para melhorar o desenvolvimento e permitir a disponibilidade dos recursos digitais de aprendizagens ao serviço dos seus sistemas educativos.

No que diz respeito à avaliação de competências digitais em exames nacionais, apenas a Áustria e a Noruega aplicam exames nessa área em todos os níveis de ensino. Mais de metade dos sistemas de ensino não faz essa avaliação. Mas os exames nacionais permitem aferir duas situações distintas. Avaliar e certificar as competências de cada aluno bem como avaliar o sistema de educativo de forma integrada. Países como Finlândia e Suécia já integraram as tecnologias digitais nos exames nacionais praticando, há já algum tempo, uma digitalização gradual dos exames nacionais, sendo esta ainda a fase de experimentação mas que brevemente passará a definitiva.

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