Uma pausa para... Gap Year

Se o seu filho chegar a casa e disser que quer fazer um Gap Year, como será a sua reação? Está preparado para aceitar e apoiar esta decisão?
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O Gap Year é um período de pausa no percurso de uma vida rotineira e regular. Apesar deste intervalo poder contemplar um ano de atividade, o Gap Year deve ter, no mínimo, cinco meses. É considerado um momento de reflexão, que obriga a que as pessoas que recorrem a ele terem uma grande consciência sobre si e sobre aquilo que deseja para a sua vida.

A Gap Year Portugal, uma organização não-governamental e sem fins lucrativos, surgiu há cerca de sete anos com o claro objetivo de consciencializar os jovens para este conceito e apoiar quem o queira fazer. Joana Dâmaso, vice-presidente desta associação é muito clara num ponto: 'Nós não financiamos experiências. Ajudamos sim as pessoas a alcançar os seus objetivos'. Se estamos a falar de uma pausa pessoal, não há uma fórmula mágica ou um pacote de experiência que sirva vários públicos. Uma experiência Gap Year é algo muito próximo, com uma identidade própria, de acordo com os objetivos de cada indivíduo.

'O que nos move é que te movas' é o lema da Gap Year Portugal e que simboliza a razão de ser desta associação e de tudo aquilo que defendem e acreditam. 'Por haver cada vez mais jovens a desistir da faculdade no primeiro ano, quando começamos, há sete anos, o nosso público-alvo era essencialmente jovens a sair do ensino secundário e a nossa razão de ser era sobretudo para combater isso. Neste momento, temos um público mais abrangente, com outras faixas etárias, alguns mesmo já no mercado de trabalho que nos procuram para fazer um Gap Year' refere Joana Dâmaso.

O maior desafio é sair da zona de conforto. A rotina é quebrada e dá lugar a novas experiências que desejavelmente levem a pessoa a um processo de desenvolvimento pessoal, académico e até mesmo profissional. A Gap Year Portugal orienta para que os jovens possam escolher aquilo que vão fazer durante aquele ano. As suas escolhas vão permitir perceber o que mais gostam e daquilo que são capazes contribuindo para uma sociedade mais consciente, informada, independente e aberta ao mundo.

As possibilidades são imensas. Viajar, aprender novas línguas, experimentar cursos superiores, estagiar, trabalhar, fazer voluntariado, conhecer novas culturas. O ponto de partida é construir um plano e organizar ideias para que os mentores da Gap Year Portugal possam elucidar acerca das ferramentas e das dicas disponíveis para cada projeto. 'A ideia é que não sejamos nós a planear. O planeamento é feito pelo interessado e nós orientamos e ajudamos a encontrar as melhores oportunidades', indica Joana Dâmaso.

Ao longo destes anos, a Gap Year Portugal (GYP) foi crescendo ao nível das valências e dos próprios recursos. Uma vez que a experiência não é planeada pela GYP, os interessados poderão recorrer ao GAPPER que é um departamento que se concentra naquilo que são as ideias e os sonhos de quem quer fazer um Gap Year. Este departamento é constituído por viajantes e outras pessoas que já tenham feito o Gap Year como forma de partilhar a sua experiência e orientar sobre novas aventuras.

Mas se o objetivo passa por consciencializar e apoiar o conceito Gap Year, a GYP também divulga o seu trabalho e as suas ações através da sua Road Tryp, uma carrinha que anda na estrada a espalhar inspiração pelas escolas secundárias por onde passa. Este projeto desenvolve-se há três anos e tem tido um desenvolvimento sustentado e em crescimento. Com foco no impacto do conceito nos jovens, a GYP acredita que já tenha chegado até dez mil jovens através das suas palestras, que durante quatro meses sete palestrantes partilharam experiências únicas. E a carrinha já tem nova viagem programada!

O Programa de Experiências Académicas é uma excelente oportunidade para os indecisos. A escolha de um curso superior deve refletir a nossa própria escolha e para evitar a opinião e até mesmo a influência de terceiros, este programa permite experimentar até três cursos superiores onde, durante duas semanas (para cada curso) é possível ir às aulas, conhecer os professores e até sentir o ambiente que se vive nos corredores das faculdades. Apesar de haver mais de 100 cursos disponíveis de norte a sul do país, os candidatos terão de se inscrever nos prazos estipulados e obedecer a alguns critérios. Este Programa de Experiências Académicas é exclusivo para jovens que concluíram o secundário e não pretendem seguir o ensino superior este ano; encontram-se no 12º ano a terminar disciplinas ou a fazer melhoria de notas ou até mesmo os alunos que terminaram a sua licenciatura. A segunda fase de inscrições para este programa termina em dezembro de 2019 pelo que os candidatos selecionados farão parte do programa durante o segundo semestre do ano letivo 2019/2020.

Apesar do trabalho desenvolvido pela GYP não contemplar financiamento, a Associação promove um concurso anual como uma oportunidade financiada a todos os jovens que pretendam fazer um Gap Year. Este concurso desenvolve-se em parceria com a Fundação Lapa do Lobo, uma entidade privada, sem fins lucrativos, com objetivos fundamentalmente culturais, educativos e de preservação do património, que atribui um prémio de cinco mil euros para candidaturas individuais e seis mil e quinhentos euros para candidaturas a dois. Dos 63 projetos elegíveis para o ano de 2019, Simão e Pedro, de Coimbra, foram os vencedores com a iniciativa Soumething, que consiste numa aventura de oito meses pelo continente africano. Esta aventura, que começou em setembro, pode ser acompanhada através do instagram

Mesmo com atividade recente, com apenas sete anos, a Gap Year Portugal já se mede por números. Aos mais de 40 voluntários jovens que fazem parte desta família, o trabalho desenvolvido entre 2018 e 2019 contabiliza mais de 70 pré-inscritos em Experiências Académicas, mais de três mil quilómetros percorridos em palestras e visitas a escolas secundárias, dez mil alunos presentes em palestras, 1700 jovens em contacto com o apoio ao Gapper, sete novos parceiros e mais de 500 mil pessoas alcançadas.
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