Orçamento Participativo Jovem 2019 apura sete vencedores

Iniciativa tem como objetivo envolver as camadas mais jovens, estimulando a sua capacidade de vigilância sobre os organismos públicos. Mais de 200 projetos foram a votos e as ideias vencedoras serão implementadas em 2020.
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O Orçamento Participativo Jovem é uma iniciativa do governo da República que permite a participação de jovens, com idades compreendidas entre os 14 e os 30 anos, que queiram apresentar e decidir projetos de investimento público.

Esta participação democrática, cujos resultados foram divulgados, após votação pública no passado mês de agosto, contempla um orçamento de 500 mil euros, que será distribuído pelos sete projetos mais votados.

De forma objetiva, as propostas deviam ter em conta alguns aspetos. O foco da intervenção era abordar temas relacionados com a educação formal e não formal, emprego, habitação, saúde, ambiente e desenvolvimento sustentável, governação e participação e Igualdade e inclusão social. Atendendo que o montante máximo atribuído a cada projeto não pode ir além dos 100 mil euros, não é válida a construção de infraestruturas, mas deve beneficiar mais do que um município e ser tecnicamente executável.

Com o objetivo de envolver as camadas mais jovens, estimulando a sua capacidade de vigilância sobre os organismos públicos, esta iniciativa, que já vai na sua terceira edição, aposta no espírito crítico e na capacidade empreendedora do seu público-alvo. Iniciado em março, todo o processo desenrolou-se em aproximadamente cinco meses e passou por cinco fases distintas até apurar os projetos vencedores. A participação e votação de propostas estava aberta a todos os cidadãos nacionais e estrangeiros a residir no país de forma legal.

Garrafas reutilizáveis
Eva Claro era ainda estudante do ensino secundário quando decidiu avançar com a sua proposta. A aluna, de 17 anos de idade e atualmente a frequentar o curso superior de engenharia Aeroespacial, centrou a sua ação no plástico e foi o segundo projeto mais votado. Ao projeto ‘Plástico Zero’ foi atribuída uma verba de 30 mil euros para implementar a sua ideia em todas as escolas do agrupamento de Tomar e Alcanena. Eva propõe que estas escolas assumam o compromisso de reduzir ou até mesmo eliminar a utilização do plástico nos recintos escolares. Só em garrafas de água, e de acordo com um inquérito realizado juntos destas escolas, terão sido vendidas 20 mil garrafas de água no ano de 2018.

De forma pedagógica, Eva quer oferecer a cada aluno uma garrafa reutilizável, acompanhada de um folheto explicativo e elucidativo acerca da existência abusiva do plástico no dia-a-dia e algumas ideias que possam promover a sua redução. O projeto complementa-se com a aquisição de 60 dispensadores de água, a serem colocados nas escolas destes dois agrupamentos, para que os alunos possam abastecer. ‘A minha inspiração vem do projeto eco-escolas, programa que a minha antiga escola tinha implementado e isto é apenas uma das formas de tornar a escola mais eficiente. É preciso incutir, sobretudo nos alunos, hábitos mais sustentáveis’, esclarece a aluna.

Precious Plastic Aveiro

Um pouco mais a norte, Liliana Macedo, a estudante de mestrado em Comunicação Multimédia na Universidade de Aveiro, também apresentou uma proposta sobre o plástico e a sua poluição. Um intercâmbio de jovens na Eslováquia, através do programa Erasmus +, com outros voluntários da Associação Agora Aveiro, uma associação que trabalha na promoção da cidadania ativa e participativa, terá sido suficiente para despoletar este alerta ambiental. ‘Durante este intercâmbio, assistimos a uma conferência sobre questões ambientais onde nos apresentaram o movimento Precious Plastic e quando surgiu a oportunidade de participar no Orçamento Participativo Jovem foi só fazer uma ligação imediata. E porque não o Precious Plastic Aveiro?’ refere Liliana. A ideia ganhou forma, avançou e conquistou o quinto lugar com um orçamento de 75 mil euros.

Pensado para ser implementado nos municípios de Aveiro, Albergaria-a-Velha e Estarreja, o Precious Plastic Aveiro pretende sensibilizar a comunidade em geral e os mais jovens em particular, para esta temática, optando por soluções mais sustentáveis se tivermos em conta que, se nada for feito, em 2050 existirá mais plástico do que peixes no mar.

Para além de políticas mais sustentáveis, o Precious Plastic Aveiro propõe dar uma nova vida ao plástico existente através da criação de uma Unidade de Reciclagem Criativa. Com o conhecimento e as ferramentas adequadas, esta unidade que será montada num contentor, dará ao plástico uma nova vida.

Estas recriações feitas de aparente plástico inútil serão posteriormente vendidas, canalizando esse valor para reinvestimento no próprio projeto.

O camaleão do Algarve
Miguel Villa de Brito e Nuno Alóvia de Almeida são dois de um grupo de quatro amigos extremamente atento, criativo e com grande consciência social. Cada um foi autor de um projeto, mas apenas dois é que subiram ao pódio. Aqui não há pressas quando o objetivo é ser bem-sucedido e qualquer ideia pode ser efetivamente uma boa ideia se, para tanto, tiver o tempo de maturação suficiente e se for lançada ou concretizada no tempo mais adequado.

Miguel Villa de Brito, 26 anos e consultor estratégico, trabalhou há cerca de três anos como nadador salvador na ilha de Cabanas de Tavira, no Algarve. Já na altura, tanto Miguel como Nuno achavam estranho o camaleão ser usado como símbolo turístico, mas por mais voltas que dessem à ilha, não conseguiam encontrar a espécie. ‘Não faz sentido utilizar o camaleão com atração turística e não haver nada que proteja a espécie’ argumenta Miguel Villa de Brito. O Orçamento Participativo Jovem, considerado o maior concurso de ideias para jovens, foi a oportunidade que estes amigos encontraram para apresentar a sua preocupação.

Considerado um animal de interesse comunitário e sujeito a proteção rigorosa, os 60 mil euros atribuídos a esta causa, o terceiro projeto mais votado, vão possibilitar a criação de um Centro de Recuperação e Investigação do Camaleão do Algarve, no Parque Natural da Ria Formosa. No primeiro ano de atividade, Miguel Villa de Brito promete, por um lado, impulsionar este projeto através de uma campanha de sensibilização para o risco da extinção da espécie, e por outro, usar o camaleão para campanhas de promoção turística da região. Do ponto de vista científico ainda está previsto uma parceria com a Universidade do Algarve e um espaço de acolhimento para recuperação, procriação e controlo da espécie na ilha de Cabanas de Tavira.

Jah Moment
Nuno Alóvia de Almeida, um marketeer com 29 anos, centrou os seus esforços num projeto de inclusão social. Jah Moment pretende ser uma rádio positiva onde a música, a cultura jamaicana, o reggae e a cultura rastafári são um elo de ligação. Este projeto, que ficou em quarto lugar, dispõe de 60 mil euros para promover o desenvolvimento de competências ao nível pessoal, escolar e profissional de crianças e jovens dos municípios de Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Seixal e Setúbal.

‘Jah Moment é um projeto piloto. E só faz sentido pô-lo em prática se aproximarmos o projeto das pessoas’ defende Nuno Alóvia de Almeida. ‘O espaço ainda não está fechado, mas já estão a ser feitos os primeiros contactos’ refere ainda o autor desta ideia. Jah Moment será trabalhado em três fases distintas. A primeira abordará questões sobre educação, formação e qualificação; de seguida será trabalhado o emprego e o empreendedorismo sendo que a terceira fase será concentrada na dinamização comunitária, participação e cidadania.

Durante mês e meio, os 232 projetos finalistas foram submetidos a um processo de votação pública nacional. Era da responsabilidade de cada autor, trabalhar na sua divulgação por forma a angariar mais votos e conquistar um lugar premiado.

Inovadores no conceito e na abordagem, Nuno Alóvia de Almeida e a restante equipa de amigos, que dos 4 projetos apresentados, três ocupam os dez primeiros lugares, não descuraram a divulgação, encarada como elemento fundamental neste processo democrático de votação. E não foi preciso ir para a rua em campanha. Para cada projeto foi elaborada uma estratégia de comunicação com uma aposta evidente na comunicação multimeios. O recurso às redes sociais, o design e a campanha de marketing, as notas de imprensa, as entrevistas aos órgãos de comunicação social locais e nacionais bem como a utilização de um email marketing foram os seus grandes aliados. E com um saldo claramente positivo.
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