Greve climática global agita escolas

Semana do clima motiva jovens para um futuro mais promissor
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De 20 a 27 de setembro, a mobilização global pelo clima pôs quase oito milhões de pessoas na rua. As redes sociais fizeram o apelo e as pessoas responderam em massa. Um pouco por todo o globo, realizaram-se mais de seis mil ações nos 185 países aderentes, com o contributo de 820 organizações e mais de três mil empresas. A força da comunicação digital adquiriu outra dimensão ao registar mais de oito mil sites com a temática das alterações climáticas, o que torna esta iniciativa única e a maior mobilização climática da história da humanidade. E Portugal não foi exceção.

Greta Thunberg, parece ser a grande fonte de inspiração dos mais jovens. Esta jovem ativista, hoje com 16 anos, decidiu fazer greve todas as sextas-feiras, em frente ao parlamento sueco, reivindicando medidas concretas em defesa do ambiente e do planeta. Começou sozinha, mas rapidamente conseguiu sensibilizar e mobilizar estudantes de todo o mundo para aquela que se está a tornar na greve de estudantes pelo clima mais mediática.

Rúben Silva tem 16 anos, frequenta a Escola Secundária Homem Cristo, em Aveiro, e é ativista individual. Estuda para técnico auxiliar de saúde e assumiu a responsabilidade pelo núcleo de Aveiro da greve climática estudantil nacional, tendo sido o impulsionador de uma marcha com um percurso mínimo que marcou o final da semana da greve pelo clima.

‘Para mim isto é uma missão’ – afirma Rúben Silva que não perde uma oportunidade para desenvolver uma iniciativa na escola onde frequenta. Perante esta emergência climática, as campanhas de sensibilização são importantes para a passagem da mensagem. E os meios podem ser tão diversificados com as ações. O recurso às redes sociais, cartazes na escola e até mesmo palestras podem fazer a diferença. ‘Às vezes pequenos mínimos podem fazer uma grande diferença’, defende este ativista. Interventivo em diversas áreas e com clara identificação das dificuldades a quem se propõe mudar o mundo, Rúben põe o dedo na ferida em relação às escolas e ao seu papel. Apesar de reconhecer que há muitas escolas com projetos ambientais interessantes, grande parte delas não tem docentes responsáveis para alavancar as iniciativas propostas e fazer ainda mais e melhor pelo planeta.

Com uma preocupação crescente pelas questões ambientais, o Agrupamento de Escolas de Lousada também respondeu à chamada e participou, de forma ativa, nas iniciativas que foram programadas. Carla Lopes é a professora que coordena as atividades e projetos do Agrupamento e assegura que ao longo do ano também são desenvolvidas outras atividades ligadas ao ambiente, havendo lugar para a divulgação da informação e cujas práticas não se limitam apenas a alunos e professores mas envolvem também os pais e encarregados de educação.

Para assinalar a semana da greve climática, alguns alunos do 6º ano da Escola Básica de Lousada Centro, em colaboração com o Clube Eco-Escolas, efetuaram uma ação de limpeza dos jardins e zonas verdes, fazendo a devida separação dos resíduos. Comum a todas as escolas do agrupamento foi a colocação da bandeira verde a meia haste durante alguns dias, em sinal de luto e pesar pelo ambiente, chegando também a ser usada uma faixa preta, em sinal de protesto.

Eva Santos e Ana Rita Chamusca, ambas alunas de 11º ano da Escola Secundária de Lousada, foram instigadas a participar nestas manifestações através da direção de turma, que acabou por aderir em massa. A própria comunidade escolar teve uma participação e adesão significativa a todas as atividades que acabaram por ser desenvolvidas dentro e fora das escolas. A realização e colocação de cartazes pela escola e nos jardins, com algumas mensagens bilingues, como forma de comemorar do Dia Europeu das Línguas, que se assinalou durante essa semana.

Eva e Ana Rita consideram que o papel das redes sociais tem sido fundamental na mobilização dos estudantes e na divulgação de informação. É fundamental que cada um tente, por si só, dar o seu contributo na conservação do planeta e dos seus recursos. Ana Rita também já está empenhada neste processo e na gestão dos recursos energéticos. ‘Sempre que estou a utilizar um equipamento eletrónico que já não necessite de carga, removo o carregador da tomada, reciclo sempre e faço um consumo controlado de água bem como optei pela redução de consumo de carne de vaca para também eu contribuir para redução da pegada ecológica’, assumo esta aluna.

Sensibilizada com a situação atual, Eva prefere destacar a importância de ações como esta. ‘As entidades competentes devem entender este momento como uma preocupação efetiva dos alunos face ao futuro. O planeta está a morrer e é urgente mudar muitas atitudes’.

A mobilização global pelo clima ditou ainda uma marcha que percorreu pelas ruas de Lousada e distribuição de informação sobre a necessidade de salvar o planeta.

Salomé Bentes e Kamilly Ribeiro, com apenas 17 anos, já estão um passo mais à frente na luta e na defesa desta causa climática. Já haviam participado na marcha sobre o clima que decorreu em março último em Lisboa e a vontade de descentralizar estas iniciativas é tão grande que organizaram, com o apoio da mãe de Salomé, uma greve estudantil em Serpa, de onde são naturais e frequentam a escola secundária.

Nessa altura, a preocupação não era o número de pessoas que se pudessem envolver, mas sim a iniciativa que pretendiam levar a cabo. O importante era que acontecesse qualquer coisa para alertar a população em geral e os jovens em particular. Muito embora tivessem o apoio da escola na divulgação desta iniciativa, o descrédito pelo desfecho da mesma também teve o seu peso. Surpreendentemente, a participação dos estudantes de Serpa em maio de 2019 superou os 200 participantes dando alento a estas duas jovens a tentar alcançar ainda mais.

O apelo a nível mundial já teve outro impacto nesta cidade alentejana uma vez que para estas duas jovens já foi mais fácil mobilizar colegas e professores com a realização de iniciativas e cartazes alusivos à semana de mobilização pela greve do clima. Kamilly e Salomé organizaram algumas atividades com alunos do pré-escolar para sensibilizar os mais novos e convidaram um elemento da Associação Zero de Beja para uma palestra que teve lugar na escola secundária.

A dinamização levada a cabo por Salomé e Kamilly não passa despercebida aos órgãos autárquicos. Importa referir que tem havido contactos entre as jovens e o presidente da Câmara para que seja trabalhada uma agenda para o clima a atuar de forma local. Sempre seguras nestas abordagens mais institucionais, Salomé e Kamilly contam com o apoio e suporte dos seus pais e de organizações tais como a Parents for Future Portugal, um movimento global de cidadãos empenhados na defesa de um futuro mais sustentável, e do núcleo central dos organizadores da greve climática estudantil.
Foi ainda sugerido por estas jovens, em reunião com o presidente da Câmara, e com uma base científica sustentada, anunciar Serpa como sendo o primeiro município a declarar um estado de emergência ambiental para que outros municípios possam seguir esse exemplo, de forma a criar mais pressão sobre o poder político central e local.

‘Isto é só o começo’, defendem as alunas!
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