Brincar, saltar, aprender a aprender

O pré-escolar é uma fase importante para a socialização das crianças, para a adaptação a novos contextos, para começar a lidar com adversidades. Para pular, correr, crescer. É também a preparação para a caminhada na escola, a porta de entrada para o 1.º Ciclo.
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O pré-escolar acontece num ambiente muito próprio e peculiar, repleto de experiências e vivências únicas. Brinca-se à vontade, sem manuais ou cadernos, sem qualquer pressão curricular. É um tempo muito próprio para crianças dos três aos cinco anos com cérebros que não sossegam, curiosidade em ebulição, perguntas atrás de perguntas, muita agitação. Não há aulas, há atividades. Aprende-se de várias formas e a criatividade e a imaginação estão sempre à espreita. Os mais pequenos saem do contexto familiar e dão os primeiros passos em direção à educação formal. Entram num novo mundo, descobrem outras realidades, fazem amigos que podem ser para toda a vida.

É uma educação não formal.Contam-se histórias, brinca-se ao ar livre, não há lugares marcados. Há jogos e livros para ver, revistas e jornais para recortar, figuras para pintar e picotar, plasticina para moldar, bonecas para vestir e cuidar, figuras geométricas para encaixar, brinquedos para explorar, bolas, carrinhos, cozinhas em miniatura. Incutem-se hábitos de leitura e de cálculo mental, estimulam-se os neurónios, aprende-se a estar com os outros.

Habilidades e competências dão de si, manifestam-se, desenvolvem-se. Os benefícios têm sido estudados ao longo dos anos e a lista vai aumentando. Os mais pequenos aprendem a aprender, espicaçam a partilha de ideias e a cooperação nas atividades em grupo, puxam pela autoestima e pela autoconfiança, descobrem objetos e materiais, percebem o que é a resiliência através de diversas tarefas. O sentido crítico começa a ganhar forma, aceitam-se novos desafios, aprende-se a lidar com as adversidades e a frustração. E tudo isso é crescer.

Nesta primeira etapa do processo educativo dos mais novos, trabalha-se o desenvolvimento pessoal, a socialização, a saudável inserção na sociedade. São tempos preciosos. E a própria lei evidencia os seus benefícios, como promover o desenvolvimento social da criança ao fomentar a sua integração em grupos social e culturalmente heterogéneos, fomentar o respeito pelas características individuais. As relações interpessoais com outras crianças e adultos, o desenvolvimento de competências comunicativas, o despiste de inadaptações, deficiências e precocidade, são outras vantagens.

O pré-escolar é também a preparação para a entrada no 1.º Ciclo do Ensino Básico, a primeira etapa de um percurso de 12 anos de escolaridade obrigatória. A prevenção do abandono escolar e da exclusão social começa aqui, começa cedo, portanto. As pesquisas convergem e confirmam que boas experiências no pré-escolar ajudam à adaptação no primeiro nível de ensino. Por isso, há aspetos a analisar no pré-escolar, nomeadamente as interações sociais, as relações com os adultos, mas também as atividades não focadas apenas na entrada no 1.º Ciclo. E o envovimento parental é condição mais do que obrigatória. O diálogo com os educadores, a participação nas atividades, as conversas em casa para entender o que manter e o que mudar, ajudam nesta passagem dos braços da família para um espaço com mais meninos e meninas.

Mais vagas e mais salas
No arranque deste ano letivo, o Ministério da Educação (ME) destacou uma “aposta forte na inovação pedagógica” na educação pré-escolar. A tutela anunciou um número significativo de crianças e famílias com acesso. Nas contas que divulgou, mais de 1.400 vagas para crianças dos três aos cinco anos em 2019/2020, mais de 7.500 famílias abrangidas no total durante a legislatura de quatro anos, que está prestes a chegar ao fim.

Para o ME, a frequência do pré-escolar para a promoção do sucesso escolar no percurso de cada aluno, mas também para a compatibilização da vida individual, familiar e profissional dos pais e encarregados de educação, é essencial. No ano passado, abriram mais de 70 salas e este ano serão mais de 50, segundo dados do ME. Há quatro anos, havia pouco mais de 286 mil crianças no pré-escolar. No ano passado, não chegavam às 249 mil, com idades entre os três e os cinco anos. Durante a atual legislatura, a tutela assegura que “foram abertas mais de 300 salas nos territórios de maior pressão demográfica, o que corresponde ao referido aumento de 7.500 vagas”.

“Os dados preliminares do ano letivo 2018/2019 demonstram que a taxa média de utilização da rede nacional da educação pré-escolar foi de 85,6%”, avançou o ME. E, além do aumento de vagas, foi alterado o rácio de pessoal não docente, que passou de um assistente operacional por cada 40 alunos para um assistente operacional por cada sala, onde podem estar no máximo 25 crianças.

Ainda segundo o ME, foi nos “territórios metropolitanos onde habitualmente se verificava falta de resposta” que surgiram novas vagas. A Área Metropolitana de Lisboa foi sempre a zona mais problemática do país. Quase duas em cada 10 crianças (18,2%) das famílias que viviam nesta região estavam fora da rede no ano letivo de 2017/2018, segundo dados da Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), e referidos pela Lusa.
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Comentários
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Dos 0 aos 6 anos
heitor.cleto@gmail.com
E a importância atual do pré escolar dos 0 aos 3 Anos?
28-09-2019
 
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