Mais de um terço dos jovens portugueses já se sentiu desconfortável na Internet

Um em cada três jovens portugueses já se sentiu desconfortável enquanto navegava na Internet e 14% já foram ofensivos ou agiram incorretamente com alguém, segundo um estudo nacional hoje divulgado. Para dar para dar a conhecer as boas práticas de utilização na Internet abordando temáticas como o “bullying” ou o “sextorsion”, foi hoje lançado para jovens, pais e educadores um novo programa educativo 'online'.
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O estudo, conduzido pela Netsonda e promovido pelo Faceboook, hoje divulgado, revela que 38% dos jovens já se sentiram desconfortáveis enquanto navegavam na internet, em oposição com os restantes 62% que dizem nunca terem sentido qualquer incómodo.

Dos jovens inquiridos, 14% admitiram mesmo já terem dito algo ofensivo ou terem agido incorretamente com alguém através da ‘web’, sendo que “chamar nomes” foi o ato mais apontado.

Comparando rapazes com raparigas, eles são mais agressivos também na Internet (17% contra 10% das raparigas).

Perante a hipótese de alguém ser desagradável com eles ou com alguém seu conhecido, a maioria optaria por enviar mensagem privada ao “agressor” ou pedir ajuda aos pais, professores ou algum adulto de confiança.

No entanto, 29% ignorariam o ato, enquanto outros 22% optariam por falar diretamente com a pessoa. Os amigos surgem como a quinta opção: 19% dizem que recorreriam aos seus amigos para tentar resolver o problema.

É através das redes sociais que os jovens se mantêm em contacto com os amigos, mas é também em frente a um ecrã que se divertem, acompanham as novidades e tendências, segundo um inquérito online realizado durante o mês de agosto a mil jovens portugueses, entre 14 e 19 anos O estudo tentou perceber o que fazem os mais novos quando estão nas redes sociais, de que forma acedem à Internet, como reagem perante uma “agressão” virtual ou que experiências já vivenciaram.

Hoje em dia, são raros os jovens que não têm um ‘smarphone’ e é através dele que acedem à Internet: 69% usam o telemóvel, seguindo-se o computador (17%).

As consolas de vídeo jogos e o computador de família são as opções menos recorrentes (2%).

É precisamente para estar em contacto com os amigos que os jovens mais usam as redes sociais (79%), mas também como forma de entretenimento (61%).

Já 49% dizem que lhes permite acompanhar as novidades das marcas e os “influencers”. Numa comparação entre rapazes e raparigas, elas estão muito mais interessadas em acompanhar as tendências (60% contra 39% de rapazes) enquanto eles usam muito mais as redes para entretenimento (74% contra 47%).

“Ler notícias” também é um dos principais motivos para usar as redes sociais, principalmente entre os mais velhos: os jovens entre os 17 e os 19 anos colocam esta função em terceiro lugar, enquanto entre os mais novos o desejo de se manter informado surge em quinto.

Apenas um em cada três jovens diz usar as redes sociais para manter o contacto e ver as publicações da família.

O estudo hoje divulgado revela ainda a atitude que os jovens imaginam que teriam perante um eventual abuso, sendo apresentada a hipótese de ser publicada uma fotografia sua sem consentimento: oito em cada dez (79%) dizem que pediriam que a foto fosse retirada, 76% acreditam que reportariam a situação à rede social e 61% retiravam a sua identificação da imagem.

No universo de inquiridos, 60% já comunicaram situações nas redes sociais.

Bloquear ou deixar de seguir alguém já faz parte dos hábitos dos jovens, com mais de 60% dos inquiridos a admitirem que já utilizaram estas ferramentas para gerir o contacto ‘online’ com outros.
Apenas 3% desconheciam que tal era possível e 12% disseram conhecer essa opção, mas nunca a utilizaram.

O estudo tentou ainda perceber se seriam capazes de partilhar as suas ‘passwords’ com alguém. A maioria disse que não, mas 35% responderam afirmativamente, colocando a família, os namorados e os melhores amigos como as pessoas a quem estavam dispostos a entregar as palavras passe de acesso às redes sociais, e-mails ou ‘smartphones’.

Um em cada 100 jovens disse mesmo que partilharia a ‘password’ com os professores ou diretores da escola. 

Programa 'online' alerta jovens para perigos na Internet
No mesmo dia em que o Facebook divulga o estudo sobre “Comportamentos 'online' dos jovens em Portugal”, os jovens, os pais e os educadores têm um novo programa educativo 'online' para dar a conhecer as boas práticas de utilização na Internet abordando temáticas como o “bullying” ou o “sextorsion”.

O “GeraZão” foi pensado para garantir a segurança e a privacidade dos jovens na Internet e está desde hoje disponível em https://www.gerazao.org/.

O programa pertence ao Facebook em parceria com a Organização Não Governamental (ONG) Cibervoluntarios Foundation e conta com o apoio da Direção-Geral da Educação, o Seguranet, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e o Centro Internet Segura.

Entre os conteúdos interativos destaca-se o “Desafio Z”, um itinerário 'online' que constrói uma rede saudável e segura, e o “Escape Room Z” – um jogo que permite uma aventura digital educativa.

Existem outros materiais como uma biblioteca de literacia digital do Facebook e recursos de formação do Instagram com padrões e guias sobre temas como o assédio, a identidade digital ou a marca pessoal.

“É fundamental para o Facebook que os jovens, pais e educadores portugueses, consigam usar a Internet de forma segura, conscientes dos riscos que existem e ao mesmo tempo, das possibilidades de segurança e privacidade que as redes sociais oferecem”, explicou Natalia Basterrechea, responsável do Facebook Espanha e Portugal na área de políticas públicas.
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