Colocados na primeira fase aumentam e mais de metade na opção preferencial

O número de colocados na primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior aumentou para os 44 500 estudantes, 1,2% acima de 2018, revelam os dados oficiais que indicam ainda que mais de metade entrou na sua primeira opção.
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Colocados na primeira fase aumentam e mais de metade na opção preferencial O número de colocados na primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior aumentou para os 44 500 estudantes, 1,2% acima de 2018, revelam os dados oficiais que indicam ainda que mais de metade entrou na sua primeira opção. Entraram 44 500 alunos para o ensino superior nesta primeira fase, o que representa a colocação de 87,2% dos 51.036 candidatos que este ano tentaram aceder ao ensino superior, de acordo com os dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) este fim de semana. Do total, 27 280 entraram nas universidades e 17 220 nos institutos politécnicos, crescimentos de 0,9% e 1,5% respetivamente face ao ano anterior.

O total de alunos colocados no curso da sua preferência (primeira opção) é de 23 625, o que equivale a 53,1% do total, um peso percentual ligeiramente inferior aos 54,7% de 2018.

A grande maioria dos candidatos conseguiu uma colocação num dos três primeiros cursos indicados como preferência.

Mais candidatos que vagas

Este ano houve mais candidatos do que vagas – 51 036 alunos concorreram às 50 860 vagas disponíveis – mas ainda sobraram para as fases seguintes do concurso nacional de acesso 6734 lugares, menos 7,6% do que os 7290 de 2018.

77 mil novos estudantes
A expetativa da tutela é a de que em 2019-2020 entrem no ensino superior público 77 mil novos estudantes.

“Serão cerca de 77 mil o número de novos estudantes no ensino superior público no ano letivo de 2019-2020, incluindo cerca de 68 mil estudantes nos cursos de licenciatura e mestrados integrados e mais de nove mil estudantes em formações curtas de âmbito superior (cursos técnicos superiores profissionais).

Estes valores são estimados pela Direção-Geral do Ensino Superior com base nos resultados da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA) e nas estimativas das instituições de ensino superior para as demais vias de ingresso”, refere o MCTES em comunicado.

O Ministério tutelado por Manuel Heitor destaca ainda o crescimento em 40% do contingente de estudantes internacionais, “que deverá superar 7000 novos estudantes, confirmando a afirmação internacional do ensino superior em Portugal”.

Mais estudantes estrangeiros
O número de estudantes estrangeiros a estudar em Portugal ao abrigo do Estatuto do Estudante Internacional tem vindo a crescer nos últimos anos: eram 4521 em 2017 e 5540 em 2018.

Mais vagas nos cursos mais procurados
Também o aumento de vagas nos cursos mais procurados por melhores alunos, uma alteração introduzida este ano na política de definição de vagas nas instituições, se traduziu num aumento de colocados nessas formações.

“O número de colocados em ciclos de estudo com maior concentração de melhores alunos (índice de excelência dos candidatos) aumentou cerca de 15% face ao ano anterior, mostrando que as instituições e a procura responderam positivamente às medidas entretanto implementadas de definição de vagas”, refere a tutela.

De acordo com as novas regras, sempre que os cursos tenham uma procura superior ao total de vagas abertas por candidatos com notas iguais ou superiores a 17 valores são obrigados a aumentar o número de vagas entre 5% e 15%.

Lisboa e Porto recuperam as vagas
Estas alterações traduziram-se este ano em mais 107 vagas em 11 cursos das universidades de Lisboa e do Porto, que conseguiram por esta via recuperar parte do corte de vagas a que foram sujeitas no ano letivo anterior, quando o MCTES decidiu eliminar 1100 lugares nas universidades e politécnicos das duas maiores cidades do país com o argumento de fomentar a coesão territorial e a procura de instituições em zonas do interior.

No âmbito dessa política, o aumento do número de estudantes colocados este ano em regiões com menor pressão demográfica foi de 2,6%, mas a redução de estudantes em Lisboa e no Porto foi apenas de 0,1%.

Também a aposta em cursos direcionados para a formação em competências digitais tem um crescimento de 4% no total de colocados face ao ano anterior, revela a tutela, que acrescenta que o aumento de colocados nestes cursos é já de 14% desde 2015.

“O número de estudantes emigrantes colocados aumenta 18% face ao ano anterior. O número de estudantes colocados através deste contingente aumentou 147% desde 2015, a par com a iniciativa “Estudar e Investigar em Portugal”, adianta ainda o MCTES.

Já o contingente especial para estudantes com deficiência coloca este ano 224 alunos, mais 21% do que em 2018, segundo a tutela, e mais 87% do que em 2015.

Nova de Lisboa e ISCTE já sem vagas para a segunda fase

A Universidade Nova de Lisboa, o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e as três escolas de enfermagem, de Lisboa, Porto e Coimbra, já não têm qualquer vaga disponível para as fases seguintes de acesso ao ensino superior. De acordo com os dados oficiais divulgados, estas são as cinco instituições públicas com a totalidade das vagas preenchidas logo na primeira fase do concurso nacional de acesso. “A Universidade Nova de Lisboa é a única universidade generalista do país a ocupar 100% das vagas disponíveis na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público 2019-2020, com a colocação de 2.577 alunos. Este é o melhor resultado de sempre alcançado pela Universidade Nova de Lisboa, que lidera, a nível nacional, 14 cursos de diversas áreas, ou seja, em 35% do total da sua oferta”, destaca a Universidade Nova em comunicado.

ISCTE - Aumento da nota média de entrada
Por seu lado, o ISCTE, que já em anos anteriores tinha conseguido o mesmo desempenho, destaca também em comunicado o aumento da nota média de entrada nesta universidade, que subiu para 14,7 valores e o “índice de força” da instituição, ou seja, o peso dos candidatos em primeira opção face ao total de vagas disponíveis, que no caso do ISCTE é de 174,3%. O ISCTE recebeu 1933 candidaturas em primeira opção para 1109 vagas disponíveis.

Outros casos em que a procura em primeira opção supera largamente a oferta total das instituições são os da Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Universidade de Lisboa.

No caso dos politécnicos essa situação apenas se verifica nos institutos de Lisboa e do Porto e na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

Há instituições que, apesar de não terem já preenchido todos os lugares, deixaram apenas algumas dezenas para as fases seguintes, como é o caso das universidades de Aveiro, Minho, Porto, Lisboa, dos politécnicos do Cávado e Ave, Lisboa, Porto, ou da Escola Superior Náutica Infante D. Henrique, ainda que neste caso as 77 vagas deixadas em aberto representem quase metade das 173 levadas a concurso.

Aeroespacial lidera médias

Engenharia Aeroespacial, no Instituto Superior Técnico (IST), da Universidade de Lisboa, recuperou a liderança na lista das médias mais altas de entrada no ensino superior público, e dois cursos de Medicina ficam fora das 20 médias mais elevadas.

Depois de um ano de interrupção, por um caso caricato em que o único colocado em Engenharia Civil na Universidade da Madeira catapultou a instituição para a liderança das médias mais altas em 2018, Engenharia Aeroespacial recupera “o título” de curso com a média de entrada mais elevada, com um registo de 18,95 valores.

2 cursos de Medicina fora do ’top 20’
Os dados oficiais divulgados pelo MCTES mostram que os cursos de engenharia marcam cada vez mais presença no topo desta tabela, remetendo dois dos sete cursos de Medicina para fora do ’top 20’ das médias mais altas.

A Engenharia Aeroespacial sucedem-se Engenharia Física Tecnológica, também no IST, com um registo de 18,88 valores no último colocado e Bioengenharia, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com um registo de 18,65 valores.

Entre os cursos de Medicina é o do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, que regista a nota mais alta, com 18,5 valores, a quinta nota de acesso ao ensino superior mais elevada na primeira fase do concurso nacional deste ano.

Engenharias sobem as médias
Entre os cursos que este ano deixaram dois cursos de Medicina abaixo das 20 notas de entrada mais altas estão várias engenharias das universidades de Lisboa, Porto e Minho, mas também do Politécnico do Porto, Arquitetura no Porto, Gestão na Nova de Lisboa e no Porto a até um curso da área de Letras, como foi o caso de Línguas e Relações Internacionais na Universidade do Porto.

Todos estes cursos tiveram notas dos últimos colocados superiores a 17,5 valores e nenhum deixou vagas por preencher.

Em mais de mil cursos há 702 que já não têm qualquer vaga disponível para a segunda fase do concurso nacional de acesso, há 38 que não tiveram qualquer aluno colocado, maioritariamente em politécnicos no interior do país, e 128 com menos de 10 alunos colocados.

Cursos técnicos curtos crescem a afirmam-se no acesso a licenciaturas

Os cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP) devem receber este ano 9625 novos alunos, revelam dados oficiais, que mostram que os inscritos duplicaram em três anos e que são cada vez mais uma via de acesso a licenciaturas.

As estimativas do MCTES apontam para 9625 alunos matriculados pela primeira vez e no primeiro ano dos CTeSP em 2019-2020, um número bastante superior aos 6316 nesta situação no ano letivo anterior.

O número de “caloiros” nos CTeSP tem vindo a crescer desde 2015, mas de forma pouco expressiva nos primeiros anos, com números entre 5000 e 5500 alunos, só tendo passado a barreira dos 6000 no ano letivo passado, esperando-se para 2019-2020 números já próximos dos 10.000 novos alunos.

Cariz profissionalizante
Estes cursos curtos, com dois anos de duração, ministrados pelos politécnicos, são sobretudo direcionados para alunos vindos de uma formação de ensino secundário de cariz profissionalizante e pretendem ser eles próprios uma continuidade nesse caminho, não conferindo grau académico aos seus diplomados, ainda que sejam cursos de nível superior.

No último ano ganharam também peso como forma de acesso a licenciaturas ou mestrados integrados, ou seja, cursos superiores conferentes de grau académico.

Desde a sua criação que está prevista a possibilidade de prosseguimento de estudos superiores para quem concluiu os CTeSP e em 2017-2018 foram 1265 diplomados destes cursos curtos que acederam a uma licenciatura ou mestrado integrado vindos desta via, representando 2% dos matriculados no ensino superior público nesse ano letivo.

Em 2016-2017, apenas 52 diplomados pelos CTeSP tinham avançado para outras formações superiores.

Mais novos alunos nos CTeSP
De acordo com os dados divulgados pelo MCTES, para quase todas as instituições que lecionam CTeSP a tutela espera este ano um aumento do número de novos alunos, que devem acolher cada uma delas, na sua maioria, centenas de “caloiros”.

No entanto, há uma instituição que já ultrapassou a barreira dos milhares de alunos nestes cursos: o Politécnico de Leiria recebeu no ano passado 1031 novos alunos nos CTeSP e espera este ano acolher 1191 “caloiros”.

Próximo de atingir a barreira de um milhar de novos alunos deve ficar este ano o Politécnico do Porto, que espera receber 977 novos alunos.

Tendo em conta o universo de inscritos (primeiro e segundo anos dos cursos), os dados divulgados mostram que de 2015-2016 para 2017-2018 duplicou o número de alunos a frequentar os CTeSP, com um crescimento dos 6.430 para os 12.780 alunos.

Os dados mostram também que os CTeSP são a via de formação superior preferencial para os alunos do ensino secundário profissional que prosseguem estudos.

Entre os que terminaram em 2016-2017 os cursos profissionais 6% estavam em 2017-2018 a frequentar uma licenciatura ou mestrado integrado, mas 12% optaram pelos CTeSP.

Ainda assim, apenas 18% dos alunos do ensino profissional prosseguem estudos superiores. Já 80% dos alunos que concluem o ensino secundário pela via científico-humanística seguem para uma universidade ou politécnico, 79% para tirar uma licenciatura ou mestrado integrado e apenas 1% para CTeSP.

Crescimento precisa de linha de continuidade e financiamento

O crescimento do ensino superior em Portugal é uma linha que devia ter continuidade, defendeu o presidente do conselho de reitores, aproveitando o “ciclo político” para pedir mais financiamento por estudante que permita recuperar o atraso face à Europa.

“Uma vez que estamos num novo ciclo político, era importante que Portugal desse continuidade a esta linha de crescimento do ensino superior. Mas enquanto se tem registado um investimento na ciência e na inovação, continuam a subsistir os níveis de subfinanciamento por estudante relativamente aos indicadores europeus. Era importante reforçar o investimento no ensino superior, para recuperar o atraso relativamente à Europa para permitir aumentar a capacitação e a requalificação das instituições, a par dos desafios que se avizinham para o século XXI, mas também continuar a aposta no alojamento e nos apoios de natureza social”, defendeu António Fontainhas Fernandes, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP).

Evolução positiva
Em declarações à Lusa, em reação aos resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, divulgados pelo MCTES, o presidente do CRUP afirmou que “os resultados confirmam uma evolução muito positiva que se tem vindo a registar no ensino superior nos últimos anos”.

Para Fontainhas Fernandes, há não só um “maior equilíbrio territorial na colocação de estudantes”, como também resultados das “dinâmicas institucionais e nacionais que têm vindo a ser desenvolvidas” e que se traduzem na atração de estudantes internacionais e na especialização das instituições.

Referiu ainda o crescimento dos cursos técnicos superiores profissionais e a “diversificação da base de recrutamento de estudantes”. “Há mais estudantes provenientes de vias profissionalizantes do ensino secundário, mas também de reingressos no ensino superior”, disse.

Quanto aos números de colocações de estudantes em primeira opção, considerou que são resultado da política de “racionalização de vagas” que tem sido aplicada.

Os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso estão disponíveis na página da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) em http://www.dges.gov.pt.

Os candidatos puderam concorrer a 1087 cursos nas universidades e politécnicos públicos.

A segunda fase de candidaturas decorre entre 09 e 20 de setembro e os resultados são divulgados a 26 de setembro.
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