CDS propõe pacto nacional para a educação

O CDS-PP propõe, no seu programa eleitoral, apresentado ontem, um pacto nacional para a educação, e nada refere sobre a devolução do tempo de serviço congelado aos professores, que levou o atual Governo a ameaçar demitir-se.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
No texto, ontem anunciado pelos centristas em Lisboa, o partido liderado por Assunção Cristas defende que este setor precisa de estabilidade e que o CDS “quer ver consagrada através de um pacto em que as várias forças políticas acordam estabilizar as principais políticas públicas em educação para os próximos oito anos”.

A negociação far-se-ia nos primeiros dois anos de legislatura e, depois de consensualizado com as restantes forças partidárias, teria uma validade de oito anos, ou seja, duas legislaturas completas.

Já quanto aos professores, a proposta dos centristas é que seja feita uma revisão da carreira, estabelecendo que “uma progressão na carreira implicará provas públicas a prestar em instituições de ensino superior públicas devidamente credenciadas para o efeito”, e “assente no mérito”.

O programa nada refere, em concreto, sobre a polémica em torno dos professores, e da contagem total do tempo em que as carreiras estiveram congeladas, e que o PSD se propõe resolver o problema de forma faseada e num período “não inferior a seis anos”.

A presidente dos centristas, Assunção Cristas, admitiu, em julho, numa entrevista à revista Visão, que "foi um erro" a posição do partido na questão da devolução do tempo de serviço congelado aos professores, que poderá ter contribuído para o fraco resultado nas europeias de maio.

O CDS e o PSD juntaram-se aos partidos da esquerda, à exceção do PS, partido do Governo para alterar, na especialidade, no parlamento da lei para a reposição total do tempo de serviço congelado aos professores e o primeiro-ministro, António Costa, ameaçou demitir-se se o diploma fosse aprovado em votação final global – o que não veio a acontecer.

Entre as propostas dos centristas, que querem “transformar a escola num elevador social”, contam-se atualizar os currículos e os ciclos de estudo, ou ainda a “instituição de exames nos momentos de fim de ciclo”, como “instrumento essencial de transparência e capacidade de agir preventiva e corretivamente”.

A presidente do CDS-PP destacou ontem que o programa eleitoral para as legislativas dá centralidade às pessoas e é feito de ideias que “fazem todo o sentido”, porque o país precisa de uma política que “não seja socialista”.

“Se eu tivesse de sintetizar este programa numa linha, eu diria que este é um programa que coloca as pessoas no centro. Foi feito com muitas pessoas, foi apresentado por muitas pessoas, porque as pessoas estão no centro do nosso programa eleitoral, estão no centro do CDS e da forma de fazer política”, disse Assunção Cristas.

O programa eleitoral do partido foi ontem apresentado pelo coordenador, Adolfo Mesquita Nunes, e por vários candidatos às eleições legislativas, numa iniciativa que decorreu à porta da sede do CDS-PP, em Lisboa, e durou perto de uma hora e meia. “Eu acho que é bem claro que temos um grande programa eleitoral” com “muitas boas ideias” e que “fazem todo o sentido”, advogou a líder centrista.

No final de uma apresentação que decorreu em jeito de entrevista aos candidatos, Cristas apelou aos militantes que “gastem todos os minutos que têm a falar destas ideias, das ideias do CDS e porque é que faz sentido votar no CDS”.

“Faz todo o sentido porque estas ideias fazem todo o sentido, porque os nossos candidatos fazem todo o sentido e porque o país precisa de uma política que não seja socialista, de uma política de centro e de direita, com convicção, com ambição, com arrojo e com muita vontade de vencer”, assinalou Assunção Cristas.

“Nós estamos unidos, estamos fortes, estamos motivados, sabemos que temos muito trabalho pela frente, sabemos que temos um mês e meio de intensíssimo trabalho e não desvalorizamos isso”, adiantou a também cabeça de lista do partido pelo círculo de Lisboa, relevando-se convicta de que “há muita gente” no país que “acha que estas ideias fazem sentido”.

No programa eleitoral que leva às eleições legislativas de 06 de outubro, com 256 páginas, o CDS-PP propõe um pacto nacional para a educação, o alargamento da ADSE e a criação de uma rede de cuidadores, e elege como prioridade a baixa de impostos.

O documento contempla também uma reforma da justiça, uma estratégia nacional de combate à corrupção e à criminalidade organizada, uma reforma da administração pública, a eliminação ao longo desta legislatura da taxa extraordinária do Imposto Sobre Produtos Petrolíferos ou a eliminação do benefício fiscal de isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para os partidos políticos.

O programa eleitoral centrista, que está dividido em cinco áreas temáticas, pretende que o Estado coloque “no mercado” a “maior quantidade possível" de edifícios públicos para dar lugar a habitação, a criação de suplemento de reforma e, ainda, de uma aplicação do Estado para telemóveis.

No final da apresentação das linhas que o partido propõe para a próxima legislatura, a líder do CDS-PP sinalizou que quer "um país livre e um país seguro".

"[Queremos] também olhar para um país onde, de facto, as crianças têm os seus percursos com ambição, com escolha, com a possibilidade de escolherem a sua escola, fazendo sentido que não fiquem circunscritas ao seu bairro e àquele seu pequeno mundo, onde muitas vezes ficam aprisionadas e não conseguem superar", assinalou, notando que este é, também, um programa que contempla "um estatuto fiscal para o interior" e uma valorização da agricultura e do ambiente.

Assunção Cristas defendeu "um verdadeiro Estado social de parceria, assente num princípio de subsidiariedade" e na ideia de que "as pessoas existem antes do Estado", sublinhando que "não é por ser do Estado ou não ser do Estado, por ser privado ou social" que esta "energia imensa que está nas pessoas e que está nas instituições" pode ser desperdiçada.

"Ao fim de muito tempo a apertar o cinto e de anos traumáticos da 'troika', ao fim de muito tempo a dizermos que é preciso reformas - e nós tivemos quatro anos a suscitar e a pedir mais reformas -, eu acho que é chegado o tempo de dizer [que] este programa tem ambição", frisou, acrescentando que "o país precisa de ambição".
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.