Menos alunos, menos professores, menos escolas

Estabelecimentos de ensino perderam mais de 400 mil alunos e mais de 30 mil docentes nos últimos 10 anos. No ano letivo de 2017-2018, apenas 640 professores do 3.º Ciclo e do Secundário tinham menos de 30 anos de idade. Rejuvenescer a profissão é uma tarefa cada vez mais complicada.
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O relatório “Educação em Números” da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) mostra um sistema de ensino com menos alunos, menos professores, menos auxiliares, menos administrativos, e menos escolas abertas. Na última década, as escolas do país funcionaram com menos 427 163 alunos, de 2 056 148 para 1 628 985, entre os anos letivos de 2008-2009 e 2017-2018. Neste período, o número de docentes também desceu, com uma quebra de 31 154.

A descida mais expressiva regista-se nos professores do 3.º Ciclo e do Ensino Secundário. Eram 91 325 em 2008-2009, passaram para 76 722 em 2017-2018. Menos 14 603. E o número de professores mais jovens, com menos de 30 anos de idade no cartão de cidadão, caiu significativamente. Em 2000-2001 eram 27 121, em 2017-2018 eram cerca de 1 200, ou seja, menos 25 921. Uma quebra imensa que reforça o preocupante cenário de uma classe envelhecida e que coloca dúvidas no rejuvenescimento da profissão. Em 2000-2001, havia 16 697 docentes do 3.º Ciclo e do Ensino Secundário com menos de 30 anos nas escolas portuguesas. Em 2017-2018, eram apenas 640. Menos 16 057.

A descida afeta todos os níveis de ensino. No 1.º Ciclo do Ensino Básico, havia 5 759 professores com menos de 30 anos em 2000-2001. Em 2017-2018, eram apenas 311. No 2.º Ciclo, a descida nesta faixa etária caiu de 4 665 para 320, no mesmo espaço temporal. Menos 4 345. As descidas são transversais. A faixa etária dos 30 aos 39 anos também não escapa: 47 064 professores em Portugal Continental no ano letivo de 2000-2001 e 18 911 em 2017-2018, uma quebra de 28 153. No grupo etário seguinte, dos 40 aos 49 anos, perderam-se mais de 5 600 professores.

Em contraciclo, estão as faixas etárias mais acima. Na faixa etária dos 50 aos 59 anos, o número de docentes praticamente duplicou, de 24 411 para 43 210 entre 2000 e 2018. Na faixa etária dos 60 anos ou mais, o número quase quadruplicou, de 3 633 docentes em 2000 para 12 931 em 2018.

Em termos de matrículas no ensino público e privado, no ano 2000-2001, havia 117 226 crianças no sistema público e 118 384 no privado do pré-escolar. No Ensino Básico, a diferença é muito maior: 1 099 901 alunos no público e 123 250 no privado. No Secundário, 344 135 estudantes no público e 69 613 no privado. Em 2017-2018, não há muita diferença no pré-escolar com 127 535 crianças no público e 112 696 no privado. No Ensino Básico, há uma quebra acentuada no público com 861 341 alunos e uma ligeira subida no privado com 128 383. No Secundário, regista-se uma subida no privado com 315 522 alunos no público e 85 528 no privado.

O número de auxiliares e administrativos nas escolas também diminuiu consideravelmente nos últimos anos. Em 2000-2001, eram 62 231 funcionários não docentes, em 2017-2018 passaram a 52 337. Ou seja, menos 9 894.

Menos alunos, menos professores, menos escolas. Na última década, fecharam 928 escolas públicas em Portugal, enquanto as privadas aumentaram de 2 583 para 2 633. No geral, em 10 anos, de 2007 para 2017, deixaram de funcionar 3 878 estabelecimentos de ensino públicos e privados no país. Em 2007-2008, eram 12 347.

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