Mais médias positivas e mais candidatos ao Ensino Superior

Maioria das disciplinas do Ensino Secundário teve média positiva na primeira fase dos exames nacionais. Na segunda, as notas baixaram e seis disciplinas passaram de positiva para negativa. Quase 70% dos alunos que fizeram a prova de Matemática do 9.º ano chumbaram. As candidaturas de acesso ao Ensino Superior fecharam e há 51 291 estudantes para 50 860 vagas
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Os alunos que terminaram o 12.º ano de escolaridade com aprovação e querem prosseguir os estudos académicos estão agora numa nova fase. Depois da etapa dos exames nacionais, da primeira e segunda fase, da divulgação dos resultados, dos cálculos feitos para as candidaturas às universidades, resta esperar pela afixação das pautas em setembro que indicam quem entrou no Ensino Superior e respetivas médias, curso a curso, faculdade a faculdade. Este ano, há mais candidatos do que vagas, é a segunda vez que isso acontece na última década (a última foi em 2017). E é uma subida de 3,4% em relação ao ano passado.

Os resultados da segunda fase dos exames nacionais deste ano não são animadores. Face à primeira fase, seis disciplinas passaram a linha vermelha, de médias positivas para médias negativas. Em Matemática B, Física e Química, História A, Literatura Portuguesa, Latim, e Matemática Aplicada às Ciências Sociais, os alunos não conseguiram subir as notas da primeira fase. Em Português, reprovaram 13% alunos, em Matemática 17%, em Física e Química 15%. Em Filosofia, pelo contrário, registou-se uma subida de uma média negativa para 10,6 valores (numa escala de 0 a 20).

Na prova de Matemática do 9.º ano da segunda fase dos exames nacionais, feita por 2 264 alunos, menos 800 do que em 2018, a taxa de reprovação foi de quase 70%. Uma nota média de 29%, melhor do que os 21% do ano passado, mas com uma taxa de reprovação superior. Este ano, 67% dos alunos chumbaram a Matemática na segunda fase, contra os 63% de 2018. Na disciplina de Português, a nota média baixou e entrou em terreno negativo: os 51% de 2018 baixaram para 44% este ano, o que representa uma taxa de reprovação de 34%.

O Ministério da Educação (ME) faz uma leitura dos resultados. “A segunda fase das provas finais de ciclo do 9.º ano de escolaridade destinou-se aos alunos que se encontravam em situação de não aprovação no ciclo. Assim, os alunos que tiveram acesso à segunda fase das provas finais são, naturalmente, os alunos que demonstraram maiores dificuldades ao longo do ano letivo, sendo as médias das classificações das provas finais de Português e de Matemática mais baixas relativamente aos resultados da primeira fase”, lê-se numa nota que emitiu, aquando a divulgação dos resultados. A segunda fase dos exames nacionais decorreu em 643 escolas em Portugal e no estrangeiro, tendo sido realizadas 107 807 provas, uma diminuição face às 115 105 provas de 2018. Os exames foram classificados por 3 900 professores.

Na primeira fase, as médias dos alunos do 9.º ano nas provas finais desceram a Português e subiram a Matemática, voltando a uma média positiva, mas com uma taxa de reprovação ainda a rondar os 30%. Na primeira fase, Matemática registou uma média de 55% e Português 60%. De acordo com os dados do ME, as 4 925 provas finais realizadas na segunda fase decorreram em 1 198 escolas em Portugal e no estrangeiro, e foram classificadas por cerca de 290 professores.

Descidas na segunda fase

O exame nacional do 12.º ano de Português melhorou a média em uma décima face a 2018, passando dos 10,2 valores para 10,3, ficando ligeiramente acima do limiar da positiva, tendo apenas em conta os alunos internos, ou seja, aqueles que frequentaram as aulas ao longo de todo o ano letivo. Em Matemática A, a melhoria no resultado é mais expressiva, com uma média de 11 valores este ano, seis décimas acima dos 10,4 de 2018. Na primeira fase dos exames nacionais, Português registou uma média de 11,8 valores e Matemática A de 11,5 valores. Duas disciplinas particularmente relevantes por constituírem provas de acesso a muitos cursos superiores nas áreas de humanidades e ciências sociais e cursos científicos.

“Por regra, os resultados da segunda fase são inferiores aos da primeira fase, no entanto, os exames da segunda fase de algumas disciplinas, Geografia, História da Cultura e das Artes, Filosofia e Desenho A, apresentam resultados superiores aos observados na primeira fase. Em relação aos resultados obtidos pelos alunos internos na segunda fase verificam-se classificações inferiores a 95 pontos [9,5 valores] em quatro disciplinas, a saber: Literatura Portuguesa, Latim A, História A e Matemática B”, lê-se numa nota do ME.

Física e Química A está entre as maiores quedas nos resultados dos alunos internos em comparação com 2018, caindo dos 11,4 valores para os 9,6. Biologia e Geologia, pelo contrário, voltou a terreno positivo, subindo dos 9,6 valores em 2018 para os 10,3 valores em 2019. História A subiu a média na segunda fase em quase um valor, mas continua em território negativo: os 8,5 valores de 2018 subiram para 9,2 este ano.

A média mais baixa na segunda fase pertence a Latim A, com um resultado de 8,1 valores, abaixo dos 9,7 valores de 2018, e com uma taxa de reprovação de 60%, a mais alta nesta fase dos exames nacionais. Mesmo assim, a tutela salienta que há disciplinas em que os alunos conseguiram aprovação na segunda fase. “Os dados relativos às taxas de reprovação dos alunos internos, nesta segunda fase, mostram-nos que uma significativa percentagem dos alunos internos que não tinham conseguido obter aprovação na primeira fase dos exames nacionais conseguiu agora a respetiva aprovação. Sobre esta matéria salientam-se as disciplinas de História B, com 96% de taxa de aprovação de alunos internos, bem como de Economia A e História e Cultura das Artes, ambas com 95 %”.

As disciplinas de Física e Química A, Biologia e Geologia, Matemática A e Português voltaram a ser as mais concorridas, com mais de 20 mil alunos internos e externos inscritos em cada uma. Todavia, em relação ao ano anterior, verifica-se uma diminuição significativa do número de provas realizadas na segunda fase a Português e a Matemática A, como indica o ME, “respetivamente, 5 208 e 3 824 provas, o que se encontra em linha com o aumento da média das classificações destes exames na primeira fase e a correspondente descida nas taxas de reprovação”.

“Os portugueses querem estudar mais”

Este ano, há mais candidatos a um lugar no Ensino Superior do que as vagas disponíveis. São 51 291 alunos para 50 860 lugares na primeira fase de acesso ao Ensino Superior. É a segunda vez em 10 anos que as vagas não chegam para os interessados em entrar na universidade. E é um aumento de 3,4% em relação ao ano passado, quando havia 49 625 candidatos. Para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o aumento do número de candidatos nesta fase “representa um sinal positivo na evolução registada ao longo dos últimos anos, designadamente em termos do alargamento da base social do Ensino Superior e da ambição de garantir que seis em cada dez jovens de 20 anos frequentem o Ensino Superior em 2030”.

Segundo dados do ME, antes dos exames nacionais do Secundário, 159 mil alunos estavam inscritos nas provas e mais de metade, 55%, cerca de 87 mil, tinham manifestado intenção de candidatar-se ao Ensino Superior. Os resultados da primeira fase de acesso ao Ensino Superior são conhecidos a 9 de setembro. De 9 a 20 de setembro e de 3 a 7 de outubro, há mais duas fases de acesso para as vagas que sobram.

O ministro Manuel Heitor está satisfeito com o panorama, com os números. “É um sinal muito positivo, mostra que os portugueses querem estudar mais”, afirmou à Lusa. Cerca de 46% dos jovens com 20 anos estão hoje a frequentar o Ensino Superior, valor superior ao de 2015, quando era de 40%. Em 2005, essa percentagem era de 30%.

“Tinham-se inscrito no 12.º ano mais de 500 jovens face ao ano passado e tivemos um aumento de candidatos de mais de 1 600, por isso aumenta a fração daqueles que se candidataram ao Ensino Superior, que é sempre um facto positivo”, sublinhou o governante, lembrando outro dado, ou seja, o aumento de estudantes estrangeiros nas instituições portuguesas de Ensino Superior.

Segundo os dados agora divulgados pela tutela, o número de estudantes estrangeiros no Ensino Superior “aumentou mais de 50% nos últimos três anos, e este ano os últimos dados disponíveis, de meados de julho, que ainda são só iniciais, mostram já um aumento de cerca de 40% no número de candidatos estrangeiros ao Ensino Superior português”, na sua grande maioria oriundos de países lusófonos. É expectável que a procura de estudantes internacionais continue a aumentar até ao final outubro, quando terminam as colocações.

Para o ministro, este cenário representa “um sinal da qualidade e confiança do Ensino Superior em Portugal e, por isso, são aspetos positivos que têm que continuar a evoluir durante os próximos anos, para chegarmos às metas que ambicionamos”. “É um fator de confiança principalmente das sociedades dos países lusófonos, com uma grande participação de brasileiros, que hoje representam um terço dos estudantes estrangeiros em Portugal, seguido de um aumento de estudantes africanos, nomeadamente de Angola, claramente de Cabo Verde, onde a fração é particularmente grande, mas também, recentemente, da Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe”, acrescentou à Lusa.

Os números oficiais indicam também um crescimento no número de estudantes inscritos pela primeira vez em instituições de Ensino Superior públicas e privadas nos últimos quatro anos: de 87 mil no ano letivo 2014-2015 para 103 mil em 2018-2019.

    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.