Silêncio, luto, cartazes, megafones, e mais mensagens

Segunda greve estudantil pelo clima levou milhares de alunos, crianças, jovens, pais, professores, avós, netos, cidadãos, para as ruas de várias cidades. “O planeta está a morrer e os políticos só a ver” foi uma das frases de ordem. A greve geral pelo clima está marcada para 27 de setembro.
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Mais uma greve estudantil em nome do clima e, mais uma vez, milhares de estudantes fora das escolas. O protesto, o segundo deste ano, é um grito de alerta aos responsáveis políticos de todo o mundo para que se tomem medidas e se travem as alterações climáticas e seus efeitos. Alunos, professores, pais, adultos, organizações ambientalistas e cidadãos saíram às ruas um pouco por todo o país. Portugal juntou-se às greves realizadas em mais de 1 600 cidades de 119 países. Esta greve climática estudantil é inspirada na sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que iniciou um boicote às aulas para exigir do parlamento da Suécia ações urgentes. A sua intervenção está a ter eco em todo o mundo.

Em Lisboa, na Praça Marquês do Pombal, o protesto juntou pessoas de todas as idades e depois caminhou em direção à Assembleia da República. “Eu não quero lixo, quero ‘bollycaos’ embrulhados em sacos de papel”, “The planet is getting hotter than Leonardo di Caprio [o planeta está a ficar mais quente do que Leonardo di Caprio]”, “Assim nem as vacas dos Açores são felizes”, “Salvem os peixinhos do plástico”, “Carrego um vergonhoso legado ambiental”, eram algumas das mensagens escritas em cartazes.

Maria Eugénia Tiago, de 72 anos, levou um grande cartaz onde se lia “Quero deixar às minhas netas um planeta limpo e saudável” e estava na rua com a neta Ana Catarina Tiago. “Os jovens estão a acordar, se continuarmos assim acredito piamente que isto vai mudar”, referiu, em declarações à agência Lusa.

No manifesto que leram em frente à escadaria da Assembleia da República, onde terminou a marcha iniciada na rotunda do Marquês de Pombal, os estudantes voltaram a exigir a declaração de emergência climática, a meta da neutralidade carbónica até 2030 e “uma enorme vontade política” aos decisores europeus e portugueses.

No Porto, mais de mil jovens também exigiram medidas em defesa do planeta. Megafones, bandeiras e cartazes deram início à manifestação pelas ruas da cidade. “Há medidas a tomar e o Governo anda a brincar” e “A nossa a luta é todo o dia, pela água, clima e energia” foram alguns dos apelos dos estudantes, não só de escolas do Porto, mas também de cidades vizinhas. “A juventude continuará a levantar-se sempre que houver injustiças e sempre que for confrontada com problemas que dizem respeito a si mesmos. Estamos a falar do futuro do planeta”, sublinhou, à Lusa, Francisco Araújo, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, um dos estudantes envolvido na organização da greve.

A mãe Filomena Moura, acompanhada dos seus dois filhos, de 5 e 10 anos, fez questão de participar no protesto. “É importante perceberem desde pequenos que podem fazer a mudança e que podem fazer parte da solução”, afirmou, à Lusa. “Este protesto dá-nos esperança, há mais consciência daquela que a minha geração teve, maior vontade de mudar. Estou na casa dos 40e para nós é um grande alento perceber que isto está assim”, acrescentou.

“A tua cosmética tem microplásticos”
Em Viseu, cerca de 500 alunos fizeram greve às aulas e juntaram-se no Rossio, em frente à câmara municipal. “O objetivo é sensibilizar os governadores do nosso país, que não está a ir no bom caminho nesta questão do clima”, referiu, à Lusa, Ana Maia, de 18 anos, aluna da Escola Secundária Alves Martins e uma das organizadoras da manifestação. “Não há planeta B” e “O ambiente não tem preço, eu quero o que mereço” foram algumas das frases entoadas pelos jovens que deixaram alguns avisos: “A tua cosmética tem microplásticos”. Helena Marques, professora bibliotecária do Agrupamento de Escolas Grão Vasco, também se juntou à greve. “Trata-se da luta mais importante da atualidade para o futuro deles. É um assunto urgente, premente, e não podiam deixar de estar aqui”, disse à Lusa.

Cerca de duas centenas de jovens da Universidade da Beira Interior (UBI) e das escolas secundárias da Covilhã vestiram-se de negro em sinal de luto pelo planeta e marcharam em silêncio para exigir soluções para as questões climáticas. “A gritar ninguém nos ouve. Vamos em silêncio para nos fazermos notar. Tem mais impacto o silêncio, se não ninguém nos ouve”, explicou à Lusa, Daniel Pais, estudante da UBI e responsável pelo Movimento Académico de Proteção Ambiental da UBI (MAPA). Em frente à sede do município, fizeram-se 12 minutos de absoluto silêncio - 12 minutos pelos 12 anos que a comunidade científica indica como o tempo ainda possível para reverter a situação que o planeta vive em termos climáticos.

Em Sines, no litoral alentejano, centenas de alunos também se manifestaram. “Temos a Central Termoelétrica de Sines, cujo encerramento defendemos, e muitas outras fábricas”, como as “da Repsol ou da Galp”, referiu, à Lusa, Duarte Colaço, um dos porta-vozes da manifestação em defesa do planeta, aluno do 11.º ano da Escola Secundária Poeta Al Berto. Alguns participantes vestiram-se de negro para simbolizar “o luto pelo planeta”.

Em Évora, cerca de 200 crianças e jovens, participaram numa marcha lenta pelas ruas da cidade, com cartazes e palavras de ordem, exigindo uma mudança de políticas em defesa do planeta. Pouco depois do início da concentração, uma das participantes, Linda Assunção, com megafone na mão, subiu para um banco da praça e leu o manifesto da greve climática estudantil. “O planeta está a morrer e os políticos só a ver” foi uma das mensagens, em jeito de aviso, que soou mais alto.
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