Parentalidade e presença consciente são a base para o equilíbrio

Educar com mindfulness na adolescência é o mais recente livro da sueca Mikaela Övén. A autora define este seu trabalho como sendo um convite à autorreflexão, promovendo o conhecimento pessoal para que os pais e educadores possam fazer a diferença na relação que têm com os filhos.
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‘Nesta fase, os pais tendem a ser mais julgadores que curiosos. Se mudarmos de prisma, seremos capazes de ter mais paciência e seremos mais abertos. A adolescência é um tempo de oportunidades’, refere Mia, como prefere ser tratada.

Adepta do mindfulness, que significa presença consciente, Mia dedica-se às questões da parentalidade consciente há mais de uma década. E tudo começou com a sua própria necessidade. Mãe de três filhos, foi nos desafios da parentalidade e na busca de uma saúde emocional equilibrada que fizeram com que Mia procurasse coisas novas, uma vez que sentia que aquilo que estava a fazer não estava a funcionar.

Nesse caminho em busca de outras soluções, Mia descobre um terapeuta familiar dinamarquês, que mais tarde acabaria por fazer parte da sua formação, em que ele próprio se tornou um verdadeiro desafio para Mia ao questionar a sua parentalidade. Os inúmeros desafios apresentados por este terapeuta trouxeram-lhe culpa e a sensação de danos irreparáveis na educação das crianças.

O susto foi grande, mas não a fez desistir. Foi através do mindfulness que Mia percebeu que nem tudo estava perdido e que não era tarde para mudar, sendo necessário escolher um tipo de influência diferente.

A formação académica da autora reflete estudos em Ciências Comportamentais e uma licenciatura em Recursos Humanos com a especialidade de desenvolvimento de competências. Mas é no mindfulness, instrutora certificada desde 2012, e na parentalidade consciente que Mia Övén descobriu a sua verdadeira vocação. Fundadora da Academia de Parentalidade Consciente, o percurso profissional de Mia tem sido, aos longos dos seus anos de trabalho, uma fonte de inspiração para pessoas e famílias na constante procura do equilíbrio. E todos os seus ensinamentos são partilhados através de livros, textos, rubricas na rádio e televisão, cursos e palestras.

‘A parentalidade consciente é, sem dúvida, o melhor curso de desenvolvimento pessoal do mundo e os problemas que surgem na adolescência são ligeiramente diferentes de quando os filhos são mais pequenos. E muitas vezes uma infância mais tranquila dá lugar a uma fase intensa e plena de desafios na adolescência’ afirma Mia Övén.

Educar com mindfulness na adolescência evoca que a solução está em investir na relação. Mas para que essa relação seja bem-sucedida, as intenções dos pais precisam de estar bem definidas, caso contrário, acabam por perder o rumo. ‘A responsabilidade da relação é dos pais’, explica Mia continuando, ‘devemos questionar e assumir claramente o que queremos e o que queremos ser na relação com os nossos filhos. Na verdade, estamos a orientá-los e eles serão os futuros adultos da sociedade’, remata.

A fase da adolescência, aparece no meio entre a infância e a fase adulta, despoleta nos jovens a capacidade de perceção e um simples apontar de dedo ou desafio mexe ainda mais com a capacidade emocional dos pais. As queixas mais frequentes dos pais dão conta da dificuldade de conexão entre pais e filhos. Contudo, é precisamente o mesmo tipo de lamentos que os adolescentes mencionam. Eles também sentem que não são ouvidos e sentem-se interrogados nas suas ações e muitas vezes apenas direcionados para os resultados escolares.

Ainda que rodeados das melhores intenções, é aos pais que compete dar o primeiro passo. Significa ainda que o foco da relação está mal dirigido e que é preciso repensar mesmo que isso implique dar um passo atrás e pensar nas perguntas de maneira diferente, mais abertas e acolhedoras. A barreira pode ser mais facilmente quebrada se os pais tomarem a iniciativa de também eles falarem um pouco de si, do seu dia-a-dia e das suas vulnerabilidades.

O diálogo pode e deve ser a base da relação e é através desse diálogo que é suposto fortalecer a relação com os filhos que vai permitir alcançar a solução para os desafios. Se os adolescentes se sentirem amados, vão sentir que são aceites o que lhes vai permiti criar um laço de confiança entre pais e filhos.

‘É necessário retomar o amor incondicional que sentimos pelos nossos filhos. Os pais sentem isso, mas têm muita dificuldade em verbalizar esse sentimento’ refere Mia. ‘Para além disso, é importante que se intensifique a prática do igual valor, isto é, um adolescente vale tanto como um adulto, contudo, isso não significa que os pais devam abdicar do seu valor em prol dos filhos. Enquanto individualidade, pais e filhos estarão no mesmo patamar, mas a responsabilidade não poderá ser equiparada. E o facto de lhes reconhecermos valor, não significa que possam fazer tudo aquilo que querem até porque é possível oferecer resistência sem magoar’, finaliza a autora.

Educar com mindfulness na adolescência, de Mikaela Övén, é um manual que ensina que é possível os pais estarem efetivamente presentes na vida dos filhos sem imposições e providencia ferramentas da parentalidade consciente para facilitar a transição desta fase, minimizando dramas e conflitos destrutivos.

Para mais informações: www.mikaelaoven.com
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