“Será que é possível ter 100% da atenção dos meus alunos?”

Rui Simões Correia, 53 anos, professor de História do 3.º Ciclo na Escola Básica de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha, é o vencedor do Global Teacher Prize Portugal deste ano. Respeitar o ritmo dos alunos é uma das estratégias que lhe permite responder à pergunta que o move.
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Emocionou-se quando recebeu o prémio, dedicou-o aos seus alunos, sentiu a honra e o prestígio da distinção que recebeu mais de 200 candidaturas de professores de todo o país, de todos os níveis de ensino, de escolas públicas e privadas. “Nós não somos os melhores professores do país, somos alguns dos melhores. E não precisamos de sair das nossas escolas para os ver”, referiu Rui Correia, o melhor professor do ano da segunda edição do Global Teacher Prize Portugal. Dá aulas de História ao 3.º Ciclo na Escola Básica de Santo Onofre, do Agrupamento de Escolas Raul Proença, nas Caldas da Rainha. Na lista dos 10 finalistas, seis mulheres e quatro homens, o professor de 53 anos, na docência há 30, que usa métodos interativos para captar a atenção dos alunos, venceu o chamado “Nobel da Educação”. O professor usa copos semáforos nas aulas para que a matéria seja assimilada como deve ser. Cada aluno tem três copos: um vermelho que levanta quando não compreende a matéria e quer fazer uma pergunta, um amarelo para que o professor repita o que explicou porque houve uma distração, um verde para utilizar quando está à vontade para responder ou trocar por miúdos o que o professor disse. “O meu projeto envolve muito a ideia de que ninguém aprende sem estar amavelmente comprometido com o ato de aprender. Eu tenho um grande adversário que é o aluno que sente que não tem de saber coisas. E o querer saber, para mim, é um ponto essencial”, revelou aos jornalistas na cerimónia de entrega do prémio, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

A missão que elegeu é manter os alunos interessados no que estão a aprender, manter o máximo de atenção pelo máximo de tempo possível. “Será que é possível ter 100% da atenção dos meus alunos?” Perguntou e trabalhou para obter uma resposta. Querer saber é muito importante, fundamental no processo de aprendizagem. Pede aos alunos resumos dos primeiros 15 minutos de aula para que a turma participe e partilhe o que é mais interessante ou o que não foi bem compreendido. A sua explicação é simples: quando alguém quer saber é muito difícil que não venha a aprender.

No vídeo que gravou para a candidatura ao prémio, Rui Correia lembrou que num meio socioeconómico desfavorecido “não é nada fácil garantir que os alunos têm a noção de que estudar é uma coisa para todos”. E isso tornou-se uma obsessão para o professor que percebeu a importância de assegurar ciclos de atenção durante uma aula para que haja empenho, vontade e interesse em aprender História.

Encontrou soluções para reativar ciclos de atenção durante uma aula de 45 ou 90 minutos. No fundo, trata-se de respeitar os ritmos dos alunos para eles próprios sejam capazes de controlar o ritmo das aulas e se sintam completamente envolvidos no que estão a fazer. Com riso e humor, realça o professor de História. “Não há nenhuma possibilidade de perceber a aprendizagem sem que ela seja descontraída, simpática e amável”, defende.

Rui Correia recebe 30 mil euros para investir num projeto educativo e é automaticamente um dos candidatos à próxima edição mundial do prémio. A iniciativa pretende realçar a importância do papel dos professores no desenvolvimento da Educação e do país, valorizar métodos de ensino alternativos e adaptados a todos, bem como “partilhar boas práticas” e “promover um debate construtivo sobre o futuro da educação”.

O secretário de Estado da Educação, João Costa, esteve presente, via Skype, na cerimónia de entrega do prémio e destacou que os 10 professores finalistas são, de alguma forma, “o rosto de muitos que diariamente vão trabalhando nas escolas com recursos limitados e contextos complicados, fazendo a diferença na vida dos seus alunos”. “Alguns são excelentes, alguns são péssimos e outros medianos. E, por isso, é importante reconhecer as boas práticas”, acrescentou.

O professor e ex-ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio e Afonso Mendonça Reis, fundador da edição nacional do prémio e membro do painel da edição mundial, presidiram ao júri composto ainda por Pedro Carneiro como representante da comunidade científica, Sara Rodi, a representante dos encarregados de educação, e João Brites, representante dos alunos.

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