Jovens que fazem pensar outros jovens

A sueca Greta Thunberg, a paquistanesa Malala Yousafzai, a norte-americana Marley Dias, a ugandesa Madina Nalwanga. As suas histórias de vida inspiram e influenciam o mundo. As suas palavras motivam ações. Exemplos para os mais novos de todo o planeta.
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E, de repente, milhares de jovens em todo o mundo, Portugal incluído, fizeram greve às aulas para chamar a atenção das consequências das alterações climáticas. Cartazes, palavras de ordem, músicas, intervenções, alunos unidos, jovens motivados para a construção de um futuro mais saudável. Greta Thunberg, a jovem sueca de 16 anos, foi a semente desta mobilização que ficará para a História.  

A história de Greta tem sido contada em praticamente todos os jornais e revistas do planeta. A menina, com síndrome de Asperger, que desde o verão do ano passado passa as sextas-feiras nas escadas do parlamento sueco, em Estocolmo, em manifestação, pelo combate às alterações climáticas, disse-o sem rodeios a quem perguntava o que estava ali a fazer. “Há quem diga que devia estar na escola. Mas por que hei de me preparar para um futuro que pode não existir?”, questionou. Por isso, não desiste de pedir que o governo do seu país reduza as emissões de carbono em respeito pelo Acordo de Paris.

Criou o movimento Fridays for Future que a 15 de março estalou em várias partes do mundo com greves às aulas por uma causa ambiental. Greta Thunberg não come carne, não anda de avião, anda de bicicleta, está na lista dos jovens mais influentes do mundo. A jovem sueca diz o que pensa e a terra abana. No ano passado, não passou despercebida no TEDx que aconteceu em Estocolmo e poucas semanas depois estava na Cimeira do Clima, na Polónia, a dizer o seguinte: “Vocês estão a roubar-nos o futuro”. E mandou o recado: “Não quero palavras positivas, quero que vocês sintam o medo que eu sinto todos os dias”.

As suas palavras são duras de engolir. Esteve no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, para sublinhar que um gesto, por mais pequeno que seja, pode fazer a diferença. No final de 2018, na Cimeira do Clima das Nações Unidas, voltou à carga e o seu discurso andou pelo mundo. “Estamos a ficar sem desculpas e sem tempo. Viemos aqui para que vocês saibam que a mudança está a chegar quer vocês gostem ou não. O poder é do povo”. O clima e o tempo na linha da frente. “É o sofrimento de muitos que paga pelos luxos de poucos”, alertou.

Com apenas oito anos de idade, entendeu os riscos e perigos ambientais, a importância de reciclar embalagens e de não gastar eletricidade desnecessariamente, e nunca mais largou a causa. Tornou-se uma voz respeitada a nível mundial e o seu nome já aparece na wikipédia. Filha de uma cantora de ópera e de um ator, uma das vencedoras no seu país numa iniciativa sobre o clima para jovens com ideias de desenvolvimento sustentável.

O seu pensamento faz escola. Na Austrália, por exemplo, milhares de alunos fizeram greve numa sexta-feira, mesmo depois dos avisos do primeiro-ministro, Scott Morrison, que queria “mais aprendizagem e menos ativismo” nas escolas. Greta vai direta às questões. “Há 30 anos que nos dizem para sermos positivos. Desculpem, mas não vou por aí, não resulta, ou já teríamos baixado as emissões de gases tóxicos para o planeta. O que precisamos é ação”.

Pelo direito à Educação
Malala Yousafazai é muito maior do que o seu próprio corpo, com marcas no rosto de um ataque que quase lhe custou a vida. A sua história é um exemplo maior da defesa de direitos humanos, é respeitada em todo o mundo por nunca ter calado a revolta perante a negação do acesso à educação às mulheres do seu país. Ganhou o Prémio Nobel da Paz e foi a pessoa mais jovem a ser distinguida com um Nobel.

Malala tem agora 21 anos, é ativista, não se conformou com a vontade dos talibãs de impedir as meninas de irem à escola. Aos 13 anos, sob anonimato, mantinha um blogue na BBC para contar a ocupação talibã e vincar o que pensava sobre a importância de todos andarem na escola. Pouco depois, a sua história transbordava no New York Times com o relato do seu quotidiano. Nessa altura, Desmond Tutu, ativista sul-africano, nomeou-a para o Prémio Internacional da Criança.

Aos 15 anos, a caminho da escola, num transporte escolar, apontaram-lhe uma pistola e dispararam. Malala ficou em estado grave, foi transferida para um hospital inglês, o seu país pediu justiça, os talibãs reafirmaram a vontade de a matar, e um movimento mundial colocou a sua história na ordem do dia. Malala tornou-se então a mais famosa adolescente do mundo. E quando melhorou não mais parou de lutar por aquilo que acredita. Conferências, entrevistas, programas de televisão, em nome do acesso à educação, em nome dos direitos humanos. Foi capa da revista Time e entrou na lista das 100 pessoas mais influentes do planeta.

O seu exemplo chegou a motivar uma petição da ONU para que todas as crianças do mundo estivessem inscritas em escolas até ao final de 2015. A lei do seu país mudou para que a educação fosse acessível a todos. Malala nunca mais parou. Continua a mostrar que vale a pena lutar por aquilo em que se acredita.

Marley Dias tem 13 anos, é norte-americana, ativista feminista, e cedo se fartou de ter como leituras obrigatórias livros com meninos brancos e cães. Não se conformou com as ordens e lançou a campanha #1000BlackGirlBooks, quando andava no 6.º ano, para juntar 1000 livros em que crianças afro-americanas fossem personagens principais para doar a meninas negras.

A sua campanha levou-a a programas de televisão bastante reputados. Marley cansou-se de não ter liberdade de ler o que queria e chamou a atenção para o caso. Atingiu os seus objetivos e conseguiu a atenção mundial. Já publicou um livro, ganhou um prémio pela sua ação, e continua a mostrar às crianças de todo o mundo que a discriminação não é uma coisa bonita.

Tal como Marley Dias, a atriz Madina Nalwanga, do Uganda, de 19 anos, também faz parte da lista dos jovens mais influentes do mundo. Participou no filme “Queen of Katwe”, da Disney, sobre a vida de Phiona Mutesi, do Uganda, que se torna uma das melhores jogadoras de xadrez. Madina foi considerada uma das atrizes africanas mais promissoras da sua geração. E a sua história tornou-se inspiradora em África e não só. Nasceu num bairro pobre, passou a infância a vender milho na rua, foi descoberta por acaso por um realizador de cinema.

Nos Estados Unidos, há mais exemplos de jovens que fazem pensar outros jovens e com feitos notáveis. Olivia Hallisey tem agora 20 anos, é cientista na Universidade de Stanford, e quando tinha 16 anos inventou um teste rápido e barato para diagnosticar o perigoso vírus ébola, responsável por milhares de mortes em várias partes do mundo.

Jazz Jennings, de 18 anos, transgénero, youtuber, defensora dos direitos humanos, ativista dos direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgéneros), também mora na América. Foi uma das mais jovens transgénero a partilhar a sua história no ar, com apenas sete anos, num programa de televisão. Tornou-se uma figura nacional LGBT, ajudou a criar uma instituição para ajudar crianças transgénero e fundou a Purple Rainbow Tails que faz e vende caudas de sereia, em borracha, para o mesmo objetivo. Faz vídeos no seu canal de youtube e tem publicado livros.

Greta, Mandala, Marley, Jazz, Olivia, são jovens e têm o mundo pela frente. Têm personalidade, atitude, e não se calam em defesa dos valores que consideram justos. São apenas alguns dos exemplos de jovens que não se resignam à passagem dos dias, à realidade pronta a consumir. São jovens e querem ter voz na construção do presente e do futuro da humanidade. Exemplos que, no fundo, infuenciam e inspiram gente de todas as idades.   
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