“Não há planeta B”. Greve às aulas, alunos nas ruas

Cartazes, cânticos, marchas, silêncios, palavras de ordem. Milhares de estudantes de vários pontos do país, ilhas incluídas, aderiram à greve mundial que exige aos políticos ações concretas contra as alterações climáticas. “A Terra esgotou a sua paciência e nós também”, avisam.
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As palavras da jovem sueca Greta Thunberg, de 16 anos, tiveram eco em todo o Mundo e a greve estudantil para exigir medidas contra as mudanças climáticas saiu à rua esta sexta-feira. Em mais de 20 cidades portuguesas, em mais de 100 países. Esta luta tem força. A ativista sueca acaba de ser indicada para Prémio Nobel da Paz deste ano. Os seus discursos não passaram despercebidos, tornou-se líder de um movimento que exige ações concretas em defesa do planeta, contra as alterações climáticas. No ano passado, fez greve às aulas, instalou-se à porta do Parlamento sueco, em Estocolmo, e chamou a atenção para a causa. Greta Thunberg disse, com todas as letras, na sede da ONU, que “a única coisa sensata a fazer é acionar o travão de emergência”. “Não têm maturidade suficiente para dizer as coisas como elas são. Até esse fardo deixam para nós, as crianças”. E o Mundo tremeu.   

Nesta sexta-feira, mais de oito mil alunos portugueses fizeram greve às aulas, saíram às ruas com cartazes, palavras de ordem, cânticos, ampulhetas para alertar que é tempo de parar para pensar e exigir, aos políticos, medidas contra as alterações climáticas. Os estudantes não querem um futuro hipotecado e querem que o futuro seja hoje. Antes da greve, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, recebeu os jovens que organizam o protesto em Portugal e ficou satisfeito com as preocupações dos jovens que esperam mais do que palavras e leis no papel.  

Se há investigadores que garantem que restam 12 anos para agir, para salvar o planeta, fizeram-se 12 minutos de silêncio na Covilhã, em frente à câmara municipal. Os alunos vestiram-se de negro e marcharam em silêncio. Em Castro Daire, mais alunos entraram em greve para chamar a atenção de que já há muito lixo no Mundo. Nos Açores, cerca de três dezenas de jovens juntaram-se frente à Assembleia Legislativa da região, na ilha do Faial, com cartazes nas mãos. Na Madeira, no Funchal, cerca de 200 alunos concentraram-se junto à Assembleia Legislativa. “Este assunto é demasiado importante e estes alunos fizeram muito bem em aderir. É um assunto que já deveria ter sido tratado há mais tempo, já deveríamos ter declarado o estado de emergência climática”, afirmou, à Lusa, Carolina Silva, de 18 anos, responsável pela organização do movimento na Madeira.

Em Lisboa, num desfile entre o Largo Camões e a Assembleia da República, milhares de alunos disseram bem alto: “Não há planeta B”. “Temos de olhar para as alterações climáticas como um problema incontornável que vai boicotar o futuro de todos, por isso pedimos a ajuda dos políticos para resolver um problema que já devia ser resolvido há muito tempo”, dizia, à Lusa, António Tonga, de 25 anos, um dos participantes do protesto na capital.

No Porto, centenas de alunos de 40 escolas exigiram “justiça climática” e lembraram que o “capitalismo não é verde”. Junto à câmara municipal, leu-se o manifesto nacional e ouviram-se palavras de protesto. O pai Pedro Macedo, a fazer o doutoramento em alterações climáticas, acompanhou os filhos ainda pequenos à manifestação. “Tem de ser a minha geração, a que está no poder e a tomar as decisões, a fazer alguma coisa. A Joana [filha] já é, infelizmente, chamada a pressionar a que as decisões sejam tomadas mais rapidamente, mas no futuro terá que arcar com as consequências do que estamos a fazer”, referiu à Lusa.

A Norte, em Braga, centenas de alunos faltaram às aulas para lembrar que a Terra está muito doente e que é preciso agir. “Deixem passar, sou ativista e o planeta vou salvar”, ouviu-se. “Aulas há muitas, planetas só temos este. Este é o nosso planeta, aqui está o nosso futuro. Todos somos poucos para dar força a esta mensagem”, referiu, à Lusa, Marta, de 18 anos, estudante de Línguas e Literaturas Europeias na Universidade do Minho. No Sul, no Algarve, mais alunos em greve, cerca de 400 concentrados em Faro com cartazes, gritos de protesto contra as alterações climáticas. E um pedido dirigido aos políticos: “Mais união, menos poluição”. Houve marcha até ao jardim Manuel Bívar, no centro de capital algarvia, ouviu-se o hino nacional, apresentou-se um artigo científico sobre o plástico, leu-se um texto sobre as alterações climáticas.

No Alentejo, as principais ruas do centro histórico de Évora juntaram cerca de 600 alunos com cartazes e palavras em defesa do planeta. Com o megafone, exigiram-se medidas governamentais para combater as alterações climáticas. “Ó senhor ministro explique, por favor, porque é que no inverno faz calor”. Esta foi uma das frases mais ouvidas em Évora. “Se o planeta morrer não temos outro para viver, exigimos medidas governamentais já”, lia-se numa grande faixa em pano preto com letras pintadas a branco e amarelo. Um pequeno grupo de crianças do pré-escolar de uma escola da cidade juntou-se à marcha lenta até ao edifício da câmara municipal. “Se o planeta fosse um banco, já estaria salvo”, lia-se num dos cartazes.

Em Portalegre, mais 100 estudantes aderiram à greve pelo clima num local bastante simbólico, ou seja, junto ao plátano que tem a maior copa da Península Ibérica. “Não deixes o mundo ir ao fundo” e “Pensem em nós” formaram as palavras de ordem ditas junto à árvore. “Nós vamos ser a geração mais afetada pelas alterações climáticas e é por isso que estamos preocupados, queremos agir agora e alertar os políticos para esta situação”, referiu à Lusa Inês Alegria, da Associação de Estudantes de São Lourenço.
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