FENPROF acusa ministro de fazer franchising de mau sistema alemão
Mário Nogueira comparou a cooperação acordada entre Nuno Crato e a homóloga alemã a um franchising para Portugal de um sistema educativo que não presta. O ministro da Educação desvalorizou as críticas, apelidando de "velhos do Restelo" os opositores a esta cooperação.
Lusa / EDUCARE
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Nuno Crato reuniu-se na segunda-feira, em Berlim, com a ministra alemã da Educação e da Investigação, Annette Schavan, com quem assinou um memorando de entendimento para a cooperação na área do ensino profissional.
"Importar algo que é criticado, por exemplo, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico [OCDE], e promover o franchising em Portugal do que não presta é a pior opção que este Governo pode fazer", disse ontem Mário Nogueira à Lusa, à saída de um plenário de professores em Castelo Branco.
O líder da FENPROF faz referência a "académicos e pedagogos alemães" que criticam o sistema educativo do país, "considerado muito negativo" pela forma como, desde "muito cedo, discrimina e desvia os alunos de poderem continuar os estudos, e os mete em vias que não têm outro tipo de aprendizagem que não seja estritamente profissional".
De acordo com Mário Nogueira, os próprios alemães responsabilizam o sistema educativo do país "pelo facto de 7,5 milhões de jovens, a partir dos 14 anos, sofrerem de iliteracia, problema que também já existe em Portugal".
O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, assinou na segunda-feira, em Berlim, com a ministra Annette Schavan, um memorando de entendimento para a cooperação na área do ensino profissional.
Em comunicado, o Ministério tutelado por Nuno Carto considerou que este acordo vem permitir dar "mais um passo" na concretização de um dos objetivos do Governo, que prevê uma "grande aposta" no ensino técnico e na formação profissional, nomeadamente através de "um sistema de formação dual que articule a formação teórica das escolas profissionais com a formação prática nas empresas".
O acordo, além de prever "ações para o intercâmbio de alunos do ensino profissional, profissionais educativos e representantes empresariais", visa também desenvolver ações que contribuam para um maior conhecimento recíproco e uma análise comparativa dos sistemas e das estruturas do ensino profissional em ambos os países.
A tutela realçou que tanto o ensino vocacional como o ensino profissional em Portugal terão "potencialmente a lucrar com o conhecimento da experiência alemã".
O ministro da Educação desvalorizou as críticas feitas ao acordo que assinou, apelidando de "velhos do Restelo" os opositores a esta cooperação.
"Em Portugal, infelizmente, quando se fala de ensino profissional, temos ainda muitos preconceitos intelectuais e também um certo repúdio por esta noção de colaboração com terceiros. Mas não devemos ter nenhum medo relativamente a este tipo de colaboração", afirmou Nuno Crato na capital alemã.
Em declarações à agência Lusa, antes de embarcar rumo à Lisboa, o governante português fez um balanço "muito positivo" da sua visita de dois dias a Berlim, onde se reuniu com a homóloga alemã, Annette Schavan. Nuno Crato realçou que o objetivo da sua deslocação a Berlim passou também por conhecer, em concreto, o sistema dual germânico, no qual os alunos adquirem formação em regime de alternância: em contexto de trabalho nas empresas que participam no sistema e nas escolas profissionais.
O ministro afirmou que - apesar de algumas críticas - a aposta no reforço do ensino profissional em Portugal é "bem vista pela generalidade das pessoas", que percebem que este "tipo de ensino vai ser uma peça essencial na formação de muitos jovens, vai dar uma oferta adicional aos jovens, ajudar a combater o desemprego jovem e a desenvolver a economia".
"Em geral, as pessoas percebem isto, mas há sempre alguns "velhos do Restelo que têm algum preconceito intelectual relativamente a estas mudanças", frisou Nuno Crato, referindo-se as críticas que vários especialistas portugueses fizeram ao modelo germânico de ensino profissional.
O ministro da Educação lembrou, por sua vez, que a cooperação estabelecida prevê, sobretudo, um "troca de experiências" entre os dois países, que pode vir a possibilitar o intercâmbio de alunos do ensino profissional, de formadores e representantes empresariais.
Nuno Crato adiantou ainda à Lusa que, "no próximo ano letivo", espera já poder contar com "um leque de ofertas mais variado" no domínio do ensino profissional, objetivo para o qual espera contar com o "envolvimento dos parceiros da sociedade civil".
Destacou também o encontro que manteve com empresários portugueses na Alemanha, que se manifestaram disponíveis para contribuir para a divulgação desse sistema e ajudar empresas portuguesas a aplicá-lo.
"Importar algo que é criticado, por exemplo, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico [OCDE], e promover o franchising em Portugal do que não presta é a pior opção que este Governo pode fazer", disse ontem Mário Nogueira à Lusa, à saída de um plenário de professores em Castelo Branco.
O líder da FENPROF faz referência a "académicos e pedagogos alemães" que criticam o sistema educativo do país, "considerado muito negativo" pela forma como, desde "muito cedo, discrimina e desvia os alunos de poderem continuar os estudos, e os mete em vias que não têm outro tipo de aprendizagem que não seja estritamente profissional".
De acordo com Mário Nogueira, os próprios alemães responsabilizam o sistema educativo do país "pelo facto de 7,5 milhões de jovens, a partir dos 14 anos, sofrerem de iliteracia, problema que também já existe em Portugal".
O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, assinou na segunda-feira, em Berlim, com a ministra Annette Schavan, um memorando de entendimento para a cooperação na área do ensino profissional.
Em comunicado, o Ministério tutelado por Nuno Carto considerou que este acordo vem permitir dar "mais um passo" na concretização de um dos objetivos do Governo, que prevê uma "grande aposta" no ensino técnico e na formação profissional, nomeadamente através de "um sistema de formação dual que articule a formação teórica das escolas profissionais com a formação prática nas empresas".
O acordo, além de prever "ações para o intercâmbio de alunos do ensino profissional, profissionais educativos e representantes empresariais", visa também desenvolver ações que contribuam para um maior conhecimento recíproco e uma análise comparativa dos sistemas e das estruturas do ensino profissional em ambos os países.
A tutela realçou que tanto o ensino vocacional como o ensino profissional em Portugal terão "potencialmente a lucrar com o conhecimento da experiência alemã".
O ministro da Educação desvalorizou as críticas feitas ao acordo que assinou, apelidando de "velhos do Restelo" os opositores a esta cooperação.
"Em Portugal, infelizmente, quando se fala de ensino profissional, temos ainda muitos preconceitos intelectuais e também um certo repúdio por esta noção de colaboração com terceiros. Mas não devemos ter nenhum medo relativamente a este tipo de colaboração", afirmou Nuno Crato na capital alemã.
Em declarações à agência Lusa, antes de embarcar rumo à Lisboa, o governante português fez um balanço "muito positivo" da sua visita de dois dias a Berlim, onde se reuniu com a homóloga alemã, Annette Schavan. Nuno Crato realçou que o objetivo da sua deslocação a Berlim passou também por conhecer, em concreto, o sistema dual germânico, no qual os alunos adquirem formação em regime de alternância: em contexto de trabalho nas empresas que participam no sistema e nas escolas profissionais.
O ministro afirmou que - apesar de algumas críticas - a aposta no reforço do ensino profissional em Portugal é "bem vista pela generalidade das pessoas", que percebem que este "tipo de ensino vai ser uma peça essencial na formação de muitos jovens, vai dar uma oferta adicional aos jovens, ajudar a combater o desemprego jovem e a desenvolver a economia".
"Em geral, as pessoas percebem isto, mas há sempre alguns "velhos do Restelo que têm algum preconceito intelectual relativamente a estas mudanças", frisou Nuno Crato, referindo-se as críticas que vários especialistas portugueses fizeram ao modelo germânico de ensino profissional.
O ministro da Educação lembrou, por sua vez, que a cooperação estabelecida prevê, sobretudo, um "troca de experiências" entre os dois países, que pode vir a possibilitar o intercâmbio de alunos do ensino profissional, de formadores e representantes empresariais.
Nuno Crato adiantou ainda à Lusa que, "no próximo ano letivo", espera já poder contar com "um leque de ofertas mais variado" no domínio do ensino profissional, objetivo para o qual espera contar com o "envolvimento dos parceiros da sociedade civil".
Destacou também o encontro que manteve com empresários portugueses na Alemanha, que se manifestaram disponíveis para contribuir para a divulgação desse sistema e ajudar empresas portuguesas a aplicá-lo.
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