Jornalistas a vão dar aulas a docentes sobre media

Um projeto-piloto com jornalistas a darem formação a professores sobre Literacia para os media arrancou no sábado, no Porto. O ministro da Educação disse que foram investidos 10 mil euros no projeto-piloto em 40 agrupamentos escolares e assumiu querer alargar a iniciativa a mais escolas.
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A formação “inédita” de literacia para os media começou a ser dada no sábado, na Escola Básica e Secundária do Cerco, por jornalistas e académicos da área dos media e vai prologar-se, numa primeira etapa, até dia 31 de agosto de 2020, lê-se no memorando de entendimento a que a Lusa teve acesso e foi assinado pelo diretor-geral do Ministério da Educação, José Vítor Pedroso, e pela presidente da direção do Sindicato de Jornalistas, Sofia Branco. 

A formação, que deverá chegar a cerca de 100 professores do 3.º ciclo e Ensino Básico e Secundário de 40 agrupamentos escolares de cinco regiões em Portugal - Faro, Évora, Lisboa, Águeda e Porto, acontece “num tempo em que temáticas como as ‘fake news’ estão na ordem do dia, e em que o poder das redes sociais emerge”, defende o Ministério da Educação, numa nota enviada à Lusa, no qual refere que é urgente formar cidadãos informados, conscientes e participativos para o futuro coletivo, com o cada vez maior desenvolvimento de competências de professores e de alunos nas matérias de consumo informado e crítico dos conteúdos difundidos pelos media.

No memorando de entendimento considera-se a necessidade de formar, de maneira contínua, docentes e formadores e dotá-los de capacidades adequadas ao panorama mediático atual, lembrando que as pessoas educadas para os media “são capazes de fazer escolhas informadas, compreender a natureza dos conteúdos e serviços e tirar partido de toda a gama de oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias das comunicações, estando mais aptas a protegerem-se e a protegerem as suas famílias contra material nocivo ou atentatório”.

Classificada de “histórica” pela presidente da direção do Sindicato de Jornalistas, Sofia Branco, a formação tem o objetivo de ajudar a comunidade escolar a distinguir os conteúdos falsos ('fake news') dos verdadeiros que circulam nos mais variados sítios da Internet, designadamente nas redes sociais, bem como ajudar a desenvolver espírito crítico sobre as notícias e outros conteúdos noticiosos, como imagens, por exemplo.

Em Portugal, segundo o relatório de “Públicos e Consumos de Media", promovido pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), verificava-se que, em 2014, 67% das pessoas eram utilizadoras de Internet e que 60% da população confiava nas notícias, um número que descia para 55% na faixa etária de 18-24 anos, mas que permanecia acima da média dos países abrangidos pelo estudo (45%).

Os estudos europeus de 2014 e 2015 indicam que a perceção da credibilidade das notícias é relativamente baixa nos portugueses, mas ainda assim é mais alta do que na generalidade dos europeus, havendo disparidades relativamente à forma como é percecionada a informação nas camadas mais jovens relativamente à generalidade da informação.

Com este protocolo, o Sindicato de Jornalistas pretende ser um “elemento de ligação entre as redações e o ensino, contribuindo para a efetivação da estratégia de educação para os media", refere a mesma nota.

O programa de "Literacia para os Media" destina-se a docentes e alunos de estabelecimentos de ensino público do 3.º ciclo e do Ensino Secundário ligados a projetos de media nas escolas e professores bibliotecários e vai arrancar com os formadores Manuel Pinto/Daniel Catalão, João Figueira/Miguel Midões, António Granado/Sofia Branco, Miguel Crespo/Paulo Barriga, Vitor Tomé/Isabel Nery, tendo o alto patrocínio do Presidente da República.

As sessões de formação vão ter uma componente teórica de oito horas e uma prática de 12 horas, disponibilizando aos docentes metodologias, recursos e ferramentas para usar nas atividades de Literacia dos media em contexto de sala de aula.

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e a presidente do Sindicato dos Jornalistas estiveram, no sábado, na Escola Básica e Secundária do Cerco para participar no arranque da formação, onde a primeira aula esteve a cargo do professor da Universidade do Minho Manuel Pinto e do jornalista Daniel Catalão.

“O objetivo é frutiferamente podermos crescer e dar um maior corpo a esta nossa estratégia nacional para a Educação e para a cidadania, em especial para os meios e para o consumo dos meios de comunicação social e também para a presença dessa comunicação nas redes sociais”, salientou o ministro que realizou na visita à Escola Básica e Secundária do Cerco.


10 mil euros de investimento na 1.ª fase
“Foi investido 10 mil euros nesta formação inicial e o que nós estamos a trabalhar é para fazermos o alargamento nesta colaboração e cooperação entre Ministério da Educação, Sindicato de Jornalistas e Cenjor para podermos chegar a mais sítios”, declarou o ministro da Educação, no Porto, à margem da assinatura do memorando de entendimento sobre Literacia dos media com o Sindicato dos Jornalistas.

Para o ministro é importante aproveitar a curiosidade e o querer aprender dos jovens para se criar uma cidadania mais ativa.

"Ninguém nasce cidadão, as pessoas fazem-se cidadãs e é aqui também que temos de trabalhar na escola nas questões de consumo de informação e na possibilidade de alavancarmos o pensamento crítico em relativamente à informação que nos chega”, considerou, referindo que o desafio é também para os jornalistas e para a academia que está a formar novas gerações de jornalistas.

Levar a formação a todos os agrupamentos escolares de Portugal é ainda um “sonho”, porque o projeto-piloto tem ainda que ser avaliado, sejam os jornalistas, bem como os professores e o próprio Ministério da Educação, mas também porque são precisos “muito mais jornalistas formados”, declarou Sofia Branco.

"Numa altura em que se confunde o que é o jornalismo e o que não é jornalismo, é fundamental que os jornalistas apareçam a dizer o que são e como funcionam”, observou Sofia Branco, referindo que uma das coisas que se pretende com o projeto Literacia dos media é “ajudar os professores a fazer com os alunos” e criar “formas criativas para os alunos se interessarem” pela temática.

“Os jornalistas vão ter de dizer como é que funcionam, como é que selecionam a informação e isto significa uma grande exposição e as pessoas têm de estar disponíveis para explicar o segredo e fazer um retrato de como é que trabalham hoje em dia e em que condições é que trabalham”, acrescentou a presidente do Sindicato dos Jornalistas.
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