Comunidade educativa consente cyberbullying

A investigadora da Universidade do Minho Ana Tomás de Almeida considera que "há uma certa condescendência", por parte de jovens, pais, professores e escolas, relativamente a incidentes de cyberbullying, que acabam por "tomar proporções mais sérias".
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Ana Tomás de Almeida foi uma dos 13 investigadores que participaram num estudo internacional que propõe uma série de recomendações para a prevenção do cyberbullying, uma prática que atinge os jovens, caracterizando-se por comportamentos abusivos e repetidos, como humilhação e assédio moral, com recurso às tecnologias, nomeadamente telemóveis e Internet.

O estudo sugere orientações para jovens, pais, professores e escolas, comuns a uma rede de 27 países, incluindo Portugal.

Em declarações à agência Lusa, a investigadora portuguesa, do Departamento de Psicologia da Educação e Educação Especial da Universidade do Minho, sustentou que "há uma certa condescendência", por parte dos quatro grupos-alvo abordados no estudo, "relativamente a alguns incidentes" de cyberbullying, uma vez que "não são valorizados, tomados como alarmantes ou preocupantes".

Na opinião de Ana Tomás de Almeida, "há algumas situações que acabam por tomar proporções mais sérias, porque não foram devidamente identificadas, e tornar-se em casos mais graves".

A investigadora lembrou que "há mensagens, alcunhas e fotos que são divulgadas, e que parecem ser uma brincadeira, e que acabam por levar a mais mensagens, a mais ameaças e a informações, que são utilizadas de forma abusiva".

"De repente, temos um problema entre mãos, que parece incontrolável e deixa marcas muito profundas", assinalou.

Para os autores do estudo, realizado entre 2008 e 2012, e recentemente divulgado pela Universidade do Minho, "todos - jovens, pais, professores e escolas - podem fazer mais" pela prevenção do cyberbullying.

A investigação aponta, em geral, para a necessidade de os quatro grupos-alvo estarem mais atentos e informados sobre o fenómeno.

O estudo serve para "ganhar a consciência de um fenómeno, da gravidade que ele pode ter e da necessidade que temos - porque utilizamos cada vez mais tecnologias - de um comportamento socialmente correto, responsável e seguro", advogou Ana Tomás de Almeida.

Um inquérito feito pela Universidade do Minho e pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, entre 2008 e 2011, a 2700 alunos, do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário de Lisboa e da região Norte, revelou que a 8 a 10 por cento dos alunos tinham já sido vítimas de cyberbullying.

A investigadora Ana Tomás de Almeida crê que o uso das redes sociais, "que tem vindo a popularizar-se", pode potenciar o aumento do fenómeno.

A equipa que conduziu o estudo internacional entende que os pais devem ser capazes de compreender melhor o uso que os filhos fazem, por exemplo, da Internet e informarem-se mais sobre o cyberbullying, para depois os aconselharem sobre comportamentos a evitar.

Os professores e as escolas, por sua vez, devem, segundo Ana Tomás de Almeida, sensibilizar e incentivar os alunos para as boas práticas, quer nas salas de aula, através de projetos educativos, quer nos regulamentos internos.

Quanto aos jovens, devem "ser mais responsáveis, ajudar na definição de medidas que podem ser trabalhadas na escola", defendeu a investigadora.
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