Mais de 450 alunos estão a aprender mirandês
Este ano letivo, o Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro atingiu o número recorde de estudantes numa disciplina que é opcional. No pré-escolar, as crianças têm uma pré-introdução com canções, lendas e histórias.
Sara R. Oliveira
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Língua e Cultura Mirandesa é uma disciplina de opção para os 818 alunos desde o pré-escolar ao ensino secundário do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro. Mais de 450, ou seja, mais de metade do universo de estudantes, inscreveram-se e têm uma hora por semana para aprenderem uma língua oficial do nosso país. O número tem vindo a crescer e o interesse atingiu este ano o máximo alguma vez contabilizado nas três pré-escolas, três escolas do 1.º ciclo, duas EB2,3 e escola secundária que compõem o agrupamento do Norte do país. Mais duas dezenas de alunos comparativamente com o ano anterior. O maior número concentra-se no 1.º e 2.º ciclos.
Ainda as crianças não estão no banco da escola primária e o mirandês já é abordado nos jardins de infância de Miranda do Douro. Há uma espécie de pré-introdução a essa língua falada sobretudo nas aldeias feita de uma forma lúdica com canções, brincadeiras e histórias para captar a atenção dos mais pequenos. A língua mirandesa não é estranha por aqueles lados. O Agrupamento tem um jornal trimestral, o mais antigo do concelho, que se chama "O Cartolinha" e que tem textos em português e em mirandês. Duzentos exemplares por edição. Além disso, o estabelecimento edita anualmente a revista La Gameta - que significa "a ervilha" - totalmente escrita em mirandês.
António Santos, presidente do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro, está satisfeito com o interesse dos alunos, sobretudo tratando-se de uma disciplina que está no horário mas que é facultativa, e acredita que há fôlego e vitalidade em torno da língua mirandesa. "É uma experiência interessante e os alunos têm aderido, sobretudo os mais novos", refere ao EDUCARE.PT. No entanto, não há manuais para levar para as aulas e todo o material pedagógico que ajude a ensinar e a aprender mirandês é feito pelos professores.
Duarte Martins é professor de mirandês no pré-escolar, no 1.º, 3.º ciclos e secundário. "Grande parte dos alunos já está familiarizada com a língua e não estranham", refere. Por aqueles lados, o mirandês não arranha os ouvidos e os mais pequenos não ficam de fora, aprendendo a língua e cultura mirandesas através de lendas, canções, lengalengas e até de fantoches. "São idades que considero muito boas para a aprendizagem de qualquer língua, como no Português". Ensinar mirandês não é assim tão complicado, mas não há livros que acompanhem os ensinamentos dos professores, apenas um dicionário ilustrado feito há alguns anos. "Estou a trabalhar num manual para o 1.º ciclo", revela Duarte Martins. De qualquer forma, o professor considera fundamental o acompanhamento por parte dos pais e encarregados de educação nesta aprendizagem.
António Santos acredita que é possível dar um salto qualitativo no ensino do mirandês. Mas, para isso, há que dar condições de estabilidade aos professores que são contratados e assegurar a oferta de manuais. "Temos algum receio que depois não haja condições para dar o salto em termos qualitativos", afirma. "De uma forma continuada temos feito esta oferta e felizmente tem corrido bem", acrescenta. Os três professores que ensinam mirandês em Miranda do Douro são contratados, um a tempo inteiro, os restantes a meio tempo.
Os cortes anunciados no setor educativo preocupam o agrupamento. De qualquer forma, a intenção é manter ou até mesmo aumentar o número de alunos que querem aprender o mirandês. Essa vontade de ter mais uma hora por semana no horário não é muito difícil de explicar. "Tem a ver com a defesa da História, da língua que falavam com os avós nas aldeias." Uma língua muito antiga que, no entanto, pode ter reflexos no futuro. "Os alunos também percebem que aprender mirandês pode ser uma mais-valia em termos económicos, a nível turístico ou até no desenvolvimento de um negócio na zona", refere o diretor do agrupamento. Certo é que o mirandês tem captado a atenção de investigadores de várias partes do mundo, do Japão e da Hungria por exemplo, que batem à porta do Agrupamento a pedir informações e dados sobre esta língua e sua aprendizagem.
Há mais de 20 anos que o mirandês anda a ser ensinado na escola em Miranda do Douro, nessa altura numa turma muito pequena. Em 1999, a língua mirandesa foi consagrada língua oficial de Portugal e a aprendizagem conquistou mais alunos. Em 2006, com a constituição do agrupamento, e com uma estratégia mais uniformizada, o ensino do mirandês teve um novo impulso.
Ainda as crianças não estão no banco da escola primária e o mirandês já é abordado nos jardins de infância de Miranda do Douro. Há uma espécie de pré-introdução a essa língua falada sobretudo nas aldeias feita de uma forma lúdica com canções, brincadeiras e histórias para captar a atenção dos mais pequenos. A língua mirandesa não é estranha por aqueles lados. O Agrupamento tem um jornal trimestral, o mais antigo do concelho, que se chama "O Cartolinha" e que tem textos em português e em mirandês. Duzentos exemplares por edição. Além disso, o estabelecimento edita anualmente a revista La Gameta - que significa "a ervilha" - totalmente escrita em mirandês.
António Santos, presidente do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro, está satisfeito com o interesse dos alunos, sobretudo tratando-se de uma disciplina que está no horário mas que é facultativa, e acredita que há fôlego e vitalidade em torno da língua mirandesa. "É uma experiência interessante e os alunos têm aderido, sobretudo os mais novos", refere ao EDUCARE.PT. No entanto, não há manuais para levar para as aulas e todo o material pedagógico que ajude a ensinar e a aprender mirandês é feito pelos professores.
Duarte Martins é professor de mirandês no pré-escolar, no 1.º, 3.º ciclos e secundário. "Grande parte dos alunos já está familiarizada com a língua e não estranham", refere. Por aqueles lados, o mirandês não arranha os ouvidos e os mais pequenos não ficam de fora, aprendendo a língua e cultura mirandesas através de lendas, canções, lengalengas e até de fantoches. "São idades que considero muito boas para a aprendizagem de qualquer língua, como no Português". Ensinar mirandês não é assim tão complicado, mas não há livros que acompanhem os ensinamentos dos professores, apenas um dicionário ilustrado feito há alguns anos. "Estou a trabalhar num manual para o 1.º ciclo", revela Duarte Martins. De qualquer forma, o professor considera fundamental o acompanhamento por parte dos pais e encarregados de educação nesta aprendizagem.
António Santos acredita que é possível dar um salto qualitativo no ensino do mirandês. Mas, para isso, há que dar condições de estabilidade aos professores que são contratados e assegurar a oferta de manuais. "Temos algum receio que depois não haja condições para dar o salto em termos qualitativos", afirma. "De uma forma continuada temos feito esta oferta e felizmente tem corrido bem", acrescenta. Os três professores que ensinam mirandês em Miranda do Douro são contratados, um a tempo inteiro, os restantes a meio tempo.
Os cortes anunciados no setor educativo preocupam o agrupamento. De qualquer forma, a intenção é manter ou até mesmo aumentar o número de alunos que querem aprender o mirandês. Essa vontade de ter mais uma hora por semana no horário não é muito difícil de explicar. "Tem a ver com a defesa da História, da língua que falavam com os avós nas aldeias." Uma língua muito antiga que, no entanto, pode ter reflexos no futuro. "Os alunos também percebem que aprender mirandês pode ser uma mais-valia em termos económicos, a nível turístico ou até no desenvolvimento de um negócio na zona", refere o diretor do agrupamento. Certo é que o mirandês tem captado a atenção de investigadores de várias partes do mundo, do Japão e da Hungria por exemplo, que batem à porta do Agrupamento a pedir informações e dados sobre esta língua e sua aprendizagem.
Há mais de 20 anos que o mirandês anda a ser ensinado na escola em Miranda do Douro, nessa altura numa turma muito pequena. Em 1999, a língua mirandesa foi consagrada língua oficial de Portugal e a aprendizagem conquistou mais alunos. Em 2006, com a constituição do agrupamento, e com uma estratégia mais uniformizada, o ensino do mirandês teve um novo impulso.
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