Há respostas que estão no comportamento dos pais

Mikaela Övén dedica-se à parentalidade e educação de crianças. Tem três filhos, um blogue, participa em seminários e está disponível para ir a escolas. E aconselha a olhar para dentro.
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Comportamentos inadequados, atitudes fora do normal, birras, trabalhos de casa, hiperatividade, dúvidas na maneira de lidar com os filhos, perguntas que procuram respostas. São estas as principais questões que "batem à porta" de Mikaela Övén, de origem sueca a viver em Portugal há 11 anos. É mãe de três filhos e depois dos nascimentos decidiu centrar-se na área da parentalidade e educação de crianças. Tem um blogue, participa em seminários, em cursos, dá orientação e aconselhamento familiar. Licenciada em Recursos Humanos, é coach e practitioner em Programação Neurolinguística e facilitadora certificada pela Family Lab. Mikaela está disponível para ouvir os pais e ir às escolas fazer workshops ou prestar consultoria.

Será que há algo de errado com o meu filho? O que vou fazer com ele? Estas perguntas repetem-se. Mikaela Övén aconselha a olhar para dentro, antes de olhar para fora. "Procuro que os pais pensem mais no que podem fazer em relação a eles próprios, antes de se focarem tanto em mudar o comportamento da criança. Como acredito que todas as crianças colaboram de alguma forma com os pais/adultos, a resposta está no nosso comportamento", refere ao EDUCARE.PT. Ser mãe ou pai é, na sua opinião, "um belo curso de desenvolvimento pessoal".

O tempo não estica, a maior parte dos pais passa muito tempo no trabalho, as horas para estar com os filhos acabam por encurtar. E quando os problemas surgem, muitas vezes, procura-se uma receita para lidar com os comportamentos dos mais pequenos. A autora do blogue Mama Mia quer, antes de tudo, perceber as situações com que tem que lidar e evita dar dicas generalizadas. "Acredito profundamente que o presente mais bonito que um pai ou uma mãe pode dar ao seu filho é cuidarem bem deles próprios. E a resposta da harmonia da família e do bem-estar dos filhos está aí", afirma.

Os pais sabem ser pais nos dias de hoje? Mikaela acredita que sim e que a maioria tem uma enorme vontade de ser bons pais e assume esse desejo como um objetivo sempre presente na cabeça. "Os pais pensam e refletem muito sobre a parentalidade. Mas como duvidam das suas capacidades, como não confiam na sua intuição e como têm falta de auto-estima, há momentos em que desistem por causa da pressão do dia a dia, por exaustão, por falta de paciência, por causa de familiares, das escolas", refere.

Muitos pais continuam à procura de uma receita, de uma fórmula para educar os filhos, um "quick fix" para resolver o problema xis. Mikaela sublinha que é importante os pais pararem para ouvir os seus corações com tempo. Pode ser que assim encontrem soluções. Pode ser que assim "entendam que há relações que temos de cuidar todos os dias".

Centrar atenções nas relações que se criam com os filhos é um passo importante. Tentar controlar ou domar comportamentos é um caminho que não deve ser seguido. Não há pais perfeitos. Ponto final. "Pergunto-me o que é o crescimento harmonioso. Acho que isso se baseia nas relações que existem na família. Acho que procuramos, mais uma vez, muitas coisas fora de nós como resposta a essa necessidade de criar mais harmonia", refere. Na sua opinião, é preciso autenticidade e intenção naquilo que se faz, nas atividades em que se colocam os filhos. "Acredito que as crianças vão crescer harmoniosamente quando têm relações em casa que refletem isso mesmo". "Claro que há formas que ajudam, mas se os próprios pais não fizerem o trabalho principal... então não vai acontecer", acrescenta.

Os paradoxos também acontecem. Uma geração informada, mas, na sua opinião, desorientada. "Acho que a geração de pais de hoje nunca foi tão informada. Nunca soube tanto sobre educação e desenvolvimento de crianças. No entanto, acho que não houve nenhuma geração tão perdida...", comenta. Recua ao passado, ao tempo em que as pessoas se regiam pelas normas da sociedade, pela igreja, pelos valores cultivados em família. Depois, o mundo ficou mais complicado. "E como as pessoas procuram mais fora do que dentro, as coisas tornam-se mais complexas. Porque as respostas não estão nos livros", alerta. Mikaela Öven insiste que as famílias têm de olhar para dentro. Até porque, na sua perspetiva, há técnicas e métodos que enchem páginas de livros e que podem não servir de nada na prática.

Neste momento, Mikaela Övén colabora com uma escola. Trabalha no desenvolvimento dos valores-base desse estabelecimento de ensino. Um projeto onde também colabora com a associação de pais e em que meteu nos planos workshops e tertúlias para os pais das crianças.

Informações:
http://mamamiaparentalidade.blogspot.pt
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