A próxima manifestação é a 26 de janeiro
FENPROF faz um balanço de 2012, vê o futuro com cores negras, e avisa que a transferência do ensino para as câmaras é o primeiro passo para a concessão a privados. E não desiste. "Para os professores, a luta desponta já no alvorecer do ano, em 26 de janeiro", refere Mário Nogueira.
Sara R. Oliveira
- a
- a
A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) não tem saudades de 2012, sobretudo dos efeitos que a austeridade produziu na comunidade, e antevê tempos difíceis no ano que ainda agora começou. A luta, essa, vai continuar. A 26 de janeiro, há mais uma manifestação de professores na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, a partir das 15h00, com o slogan "A Escola Pública e a profissão não aguentam mais ataques". Antes disso, esta quinta-feira, a FENPROF reúne o secretariado nacional e dá uma conferência de imprensa para analisar os mais recentes acontecimentos na área educativa. O encontro com os jornalistas está marcado para as 17h30.
Temas não faltam. A conferência terá muitos assuntos em cima da mesa. "As notícias sucedem-se em catadupa: Governo quer entregar o ensino aos municípios; MEC anuncia 47 000 horas para aulas de recuperação sem esclarecer onde as irá encontrar; um ainda maior aumento do horário de trabalho parece ser hipótese que MEC está a estudar; o desemprego dos professores aumenta sem parar e 31 501 ficaram sem colocação depois de esgotado o período da bolsa de recrutamento; são cada vez em maior número os docentes que são pagos pelos fundos europeus; os mega-agrupamentos deverão avançar em janeiro faltando saber até onde o MEC assume o confronto com as comunidades educativas". O debate está lançado.
A FENPROF não esquece a luta da classe docente durante 2012. Lembraram-se direitos, contestaram-se mudanças, apresentaram-se ideias, organizaram-se protestos. "Tal como a FENPROF apresentou alternativas para o reforço da Escola Pública e a valorização da profissão docente, também a CGTP aprovou, com as suas propostas, que há alternativas exequíveis e justas aos sacrifícios e à austeridade de que estão a ser vítimas os trabalhadores", lembra o secretário-geral da Federação, Mário Nogueira, que não poupa nas críticas que faz aos responsáveis políticos, numa espécie de balanço que assinou no site da estrutura representativa dos professores. Pede que as vozes não se calem num 2013 que não se prevê nada fácil. O responsável fala em "políticas malvadas", mas também escreve que é preciso dar esperança aos portugueses. "Todos na rua, mais uma vez, porque a profissão também se constrói no exercício da cidadania", exorta.
O secretário-geral da FENPROF refere que 2012 não deixará saudades. "Um ano marcado por ataques muito violentos à vida dos portugueses que os professores bem sentiram", recorda. "Perante uma crise que não foram os trabalhadores a criar, foram, contudo, estes que, ao longo do ano, a pagaram e de que forma", acrescenta. Salários mais magros, uma carga fiscal acentuada, taxa de desemprego a aumentar, discursos que pediram sacrifícios atrás de sacrifícios, serviços públicos que se ressentiram da crise.
A possibilidade de o ensino secundário ser pago, hipótese que se leu nas entrelinhas numa entrevista dada pelo primeiro-ministro, mas desmentida no dia seguinte, indignou o país. Nogueira aponta o dedo. "Nas televisões, rádios e jornais, os pregadores foram os mesmos de sempre, dando aval às políticas em curso, uns procurando revelar algum distanciamento no secundário para se colarem no essencial, outros tentando educar o povo a comer e calar, fazendo passar a falsa mensagem da falta de alternativas". 2013 surge carregado de impostos, de salários taxados, de mais contenção e de mais mudanças no setor educativo. A FENPROF teme as consequências de um Orçamento do Estado que, na sua opinião, "anuncia mais miséria". No entanto, e com tantas restrições, ainda acredita que é possível dar um novo rumo ao país. Mesmo assim, é duro nas palavras e acusa o atual Governo de estar a "levar por diante o mais forte ataque jamais desferido contra o Portugal democrático, aproveitando para, por fim, ajustar contas com abril".
"Ali Babá, ou seja, o FMI, usa os seus homens de mão na nossa terra para delapidar Portugal e os portugueses e, assim, se anuncia ainda mais desemprego, novos cortes salariais, o aumento do horário de trabalho ou a transferência total do ensino para os municípios, primeiro passo para a concessão a privados. Em suma, sugadas gorduras e secada a carne, querem agora arrancar-nos a pele!", escreve.
O futuro pode não ter cores coloridas. A FENPROF sustenta, porém, que é possível contrariar o rumo negativo dos acontecimentos, desde que cada um assuma essa responsabilidade e que a leve a sério e que, ao mesmo tempo, exija responsabilidade a quem tem poderes de decisão. Mário Nogueira aponta caminhos. "2013 será tanto melhor ou pior, quanto soubermos e formos capazes de ultrapassar silêncios e conformismos com exigências, propostas, ação e luta. A espiral que aperta cada vez mais, e apertará até sufocar, não irá parar se não fizermos por isso", refere.
Temas não faltam. A conferência terá muitos assuntos em cima da mesa. "As notícias sucedem-se em catadupa: Governo quer entregar o ensino aos municípios; MEC anuncia 47 000 horas para aulas de recuperação sem esclarecer onde as irá encontrar; um ainda maior aumento do horário de trabalho parece ser hipótese que MEC está a estudar; o desemprego dos professores aumenta sem parar e 31 501 ficaram sem colocação depois de esgotado o período da bolsa de recrutamento; são cada vez em maior número os docentes que são pagos pelos fundos europeus; os mega-agrupamentos deverão avançar em janeiro faltando saber até onde o MEC assume o confronto com as comunidades educativas". O debate está lançado.
A FENPROF não esquece a luta da classe docente durante 2012. Lembraram-se direitos, contestaram-se mudanças, apresentaram-se ideias, organizaram-se protestos. "Tal como a FENPROF apresentou alternativas para o reforço da Escola Pública e a valorização da profissão docente, também a CGTP aprovou, com as suas propostas, que há alternativas exequíveis e justas aos sacrifícios e à austeridade de que estão a ser vítimas os trabalhadores", lembra o secretário-geral da Federação, Mário Nogueira, que não poupa nas críticas que faz aos responsáveis políticos, numa espécie de balanço que assinou no site da estrutura representativa dos professores. Pede que as vozes não se calem num 2013 que não se prevê nada fácil. O responsável fala em "políticas malvadas", mas também escreve que é preciso dar esperança aos portugueses. "Todos na rua, mais uma vez, porque a profissão também se constrói no exercício da cidadania", exorta.
O secretário-geral da FENPROF refere que 2012 não deixará saudades. "Um ano marcado por ataques muito violentos à vida dos portugueses que os professores bem sentiram", recorda. "Perante uma crise que não foram os trabalhadores a criar, foram, contudo, estes que, ao longo do ano, a pagaram e de que forma", acrescenta. Salários mais magros, uma carga fiscal acentuada, taxa de desemprego a aumentar, discursos que pediram sacrifícios atrás de sacrifícios, serviços públicos que se ressentiram da crise.
A possibilidade de o ensino secundário ser pago, hipótese que se leu nas entrelinhas numa entrevista dada pelo primeiro-ministro, mas desmentida no dia seguinte, indignou o país. Nogueira aponta o dedo. "Nas televisões, rádios e jornais, os pregadores foram os mesmos de sempre, dando aval às políticas em curso, uns procurando revelar algum distanciamento no secundário para se colarem no essencial, outros tentando educar o povo a comer e calar, fazendo passar a falsa mensagem da falta de alternativas". 2013 surge carregado de impostos, de salários taxados, de mais contenção e de mais mudanças no setor educativo. A FENPROF teme as consequências de um Orçamento do Estado que, na sua opinião, "anuncia mais miséria". No entanto, e com tantas restrições, ainda acredita que é possível dar um novo rumo ao país. Mesmo assim, é duro nas palavras e acusa o atual Governo de estar a "levar por diante o mais forte ataque jamais desferido contra o Portugal democrático, aproveitando para, por fim, ajustar contas com abril".
"Ali Babá, ou seja, o FMI, usa os seus homens de mão na nossa terra para delapidar Portugal e os portugueses e, assim, se anuncia ainda mais desemprego, novos cortes salariais, o aumento do horário de trabalho ou a transferência total do ensino para os municípios, primeiro passo para a concessão a privados. Em suma, sugadas gorduras e secada a carne, querem agora arrancar-nos a pele!", escreve.
O futuro pode não ter cores coloridas. A FENPROF sustenta, porém, que é possível contrariar o rumo negativo dos acontecimentos, desde que cada um assuma essa responsabilidade e que a leve a sério e que, ao mesmo tempo, exija responsabilidade a quem tem poderes de decisão. Mário Nogueira aponta caminhos. "2013 será tanto melhor ou pior, quanto soubermos e formos capazes de ultrapassar silêncios e conformismos com exigências, propostas, ação e luta. A espiral que aperta cada vez mais, e apertará até sufocar, não irá parar se não fizermos por isso", refere.
- a
- a

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.