Os alunos mais irritados e tristes moram no Alentejo

Os jovens estão a fumar e a beber menos, praticam mais atividade física e são mais precavidos nas relações sexuais. O gosto pela escola tem vindo a diminuir e a pressão com os trabalhos de casa a aumentar. Os dados são revelados num estudo da OMS.
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As tendências comportamentais da última década em várias matérias relacionadas com os jovens estudantes, bem como as atitudes a nível regional, são reveladas no estudo Health Behaviour in School-Aged Children da Organização Mundial de Saúde (OMS) que envolve 44 países, entre os quais Portugal. Os dados recolhidos permitem estudar os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários das suas vidas. Esta sexta-feira, a equipa Aventura Social da Universidade Técnica de Lisboa e do Centro da Malária e Doenças Tropicais, que coordena o estudo no nosso país, apresenta seis brochuras sobre alguns temas dessa investigação no Centro Comunitário da Apelação, em Loures, pelas 15h00.

O estudo foi realizado em 1998, 2002, 2006 e 2010. Em 2010, a investigação contou com a participação de 5050 alunos portugueses, com uma média de idades de 14 anos, 47,7% rapazes, 30,8% do 6.º ano, 31,6% do 8.º ano e 37,6% do 10.º ano de escolaridade. No capítulo da violência, e relativamente ao ciberbullying, é no Algarve que se verifica o maior número de casos em que os alunos são envolvidos em situações de provocação com 19%, seguindo-se Lisboa, com 17,6%, e o Norte com 14,8%. É no 10.º ano que se contabilizam mais situações de ciberbullying, quer como vítima, quer como provocador. As raparigas vestem mais a pele de vítimas, 9% contra 6% dos rapazes. Os rapazes são mais provocadores, 4% contra 1,9% da raparigas. E 6,2% dos rapazes são simultaneamente provocadores e vítimas, enquanto 4,6% das raparigas estiveram na mesma situação.

Os alunos estão a envolver-se menos em lutas. A percentagem mais elevada, de 9%, foi registada em 2002, descendo para 6,9% em 2006 e para 5,7% em 2010. Em 1998, a percentagem era de 5,6%. Em 2010, as raparigas tinham menos lesões do que os rapazes e a percentagem foi diminuindo de 5,9% em 2002, 4,3% em 2006 e 3,6% em 2010. A percentagem de alunos que andam com armas também tem vindo a diminuir: 2% em 2010, 3% em 2006, 3,4% em 2002 e 2,6% em 1998. Em 2010, o Alentejo era a região do país que registava a maior percentagem de alunos que tinham andado com uma arma durante seis ou mais dias com 4,1%, seguindo-se Lisboa com 3,4% e Algarve com 2,6%. Na questão de ser terem magoado de propósito, 84,4% dos alunos responderam que nunca o tinham feito, 12,6% referiram tê-lo feito uma a três vezes e 3% fizeram-no quatro ou mais vezes. É no Algarve que se regista a maior percentagem, seguindo-se o Centro e Lisboa. Os braços são a zona do corpo onde se magoam mais com 52,9% de respostas.

Os alunos portugueses estão mais satisfeitos com a vida e é no Norte que os jovens se sentem melhor, seguindo-se o Algarve, a zona Centro, o Alentejo e, por último, Lisboa. Em 2010, os rapazes estavam mais satisfeitos do que as raparigas, e era no 8.º ano que os estudantes se sentiam melhor. Na área de bem-estar e sintomas físicos e psicológicos, os rapazes sentem-se mais irritados do que as raparigas e é no Alentejo que há mais irritação, seguido de perto pelo Algarve. Lisboa tem o menor número de alunos irritados. A percentagem tem oscilado ligeiramente ao longo dos anos: 9,9% em 2010, 9,2% em 2006, 13,7% em 2002 e 9,1% em 1998.

É também no Alentejo que moram mais alunos tristes e deprimidos com 11,3%. Algarve tem 9,4%, Lisboa 8,8%, o Norte 8,2% e o Centro 6,4%. Este sentimento não tem oscilado significativamente. Em 2010, 8,4% dos alunos afirmaram que se sentiam tristes e deprimidos, em 2006 foram 8,4%, em 2002 eram 10,6% e em 1998 a percentagem ficava nos 8,1%. Os rapazes são mais nervosos do que as raparigas, numa percentagem que tem vindo a diminuir ao longo dos anos em que se realizou o estudo. Em 2010, os mais nervosos moravam no Algarve e os menos nervosos no Norte.

Relativamente aos comportamentos sexuais, em 2010, 27,5% dos rapazes e 16,8% das raparigas já tinham tido relações sexuais - 13,2% do 8.º ano e 29% do 10.º ano. A maior percentagem de respostas positivas foi registada no Centro, seguindo-se Lisboa e Algarve. A percentagem diminuiu ao longo dos anos: 23,7% em 2002, 22,7% em 2006 e 21,8% em 2010. Desde 2002 que os alunos estão a usar mais o preservativo. Em 2010, 82,5% dos estudantes tinham usado esse método contracetivo na última relação sexual. E os professores abordaram a Educação Sexual nas aulas? Em 2010, 65,9% dos alunos responderam que sim - 72,1% do 10.º ano e 58,4% do 8.º ano. Foi nas escolas do Algarve que mais alunos ouviram falar de Educação Sexual com 72,1% das respostas afirmativas, seguindo-se o Centro com 63,6%, o Norte com 63,5%, o Alentejo com 59,5% e Lisboa com 57,1%. O estudo indica que os alunos que referem ter tido Educação Sexual nas escolas menos frequentemente já iniciaram relações sexuais. Os que já iniciaram usaram mais frequentemente o preservativo e tiveram menos relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas.

Gosto pela escola diminuiu
Os alunos estão a fumar menos, embriagam-se com menor frequência e o consumo regular de drogas tem oscilado ligeiramente entre 1,5% em 2002, 1,1% em 2006 e 1,4% em 2010. Relativamente ao consumo de tabaco, é no Alentejo que mais alunos dizem fumar todos os dias e no Norte estão os que fumam menos. O Alentejo volta a liderar a lista quando a questão é o consumo de álcool e o Norte volta a ter a percentagem mais baixa. Em relação ao consumo de drogas, é no Algarve que a percentagem é mais elevada quanto ao experimentar haxixe, bem como ao consumo regular de drogas, seguindo-se Lisboa. O Alentejo fica aqui com a menor percentagem, ou seja, com a menor taxa de alunos que regularmente consome drogas.

As raparigas gostam mais da escola com 80,7% de respostas afirmativas e 71,9% do lado dos rapazes. E é no Alentejo que se encontram os alunos que menos gostam da escola com 31,6%. Seguem-se Lisboa com 25,8%, o Norte com 22%, o Centro com 20,6% e, por último, o Algarve com 17,6%. O gosto pela escola tem vindo a decair, ou seja, a percentagem de alunos que diz não gostar da escola tem vindo a aumentar: de 13,1% em 1998 para 23,5% em 2010. A pressão com os trabalhos de casa também aumentou significativamente, ou seja, de 3,8% em 1998 para 12,3% em 2010 - embora o salto maior se tenha verificado entre 1998 e 2002 que registou 12,7%. Na comunicação com os pais, os alunos garantem que é mais fácil falar com a mãe do que com o pai e é no Algarve que se encontra a maior percentagem.

De uma maneira geral, as raparigas são mais autoconfiantes e têm uma melhor perceção da sua própria capacidade académica. A percentagem nas diferentes regiões do país é muito semelhante neste ponto. São os rapazes que continuam a sair mais à noite com os amigos, mas essas saídas têm diminuído com o passar dos anos. Em 1998, 16,3% dos alunos saíam com alguma regularidades, em 2002 essa percentagem desceu para 16%, em 2006 voltou a descer para 13,8% e em 2010 ficou nos 8,7%. Em 2010, eram os alunos do 8.º ano que mais saíam à noite com 9,1%, seguindo-se os do 10.º ano com 8,7% e os do 6.º com 8,3%. É no Alentejo que os estudantes mais saem à noite, seguindo-se os alunos do Centro, depois os de Lisboa e os do Algarve. Os do Norte são os que saem menos. Os rapazes conseguem com mais facilidade falar com amigos do sexo oposto e é no Alentejo que se regista a maior percentagem e no Norte a menor. No entanto, essa facilidade tem vindo a diminuir com o passar dos anos, descendo de 58,5% em 1998 para 56,7% em 2010.
É no Alentejo que os alunos dormem menos, menos do que oito horas diárias, e no Algarve que dormem mais. O número de horas de sono por noite vai diminuindo à medida que sobe o ano de escolaridade. Em 2010, 47% dos alunos do 6.º ano dormiam mais de oito horas, percentagem que desceu para os 25,3% no 8.º ano e para os 10,7% no 10.º ano. Os alunos estão a lavar os dentes com mais frequência. Em 2010, 74,3% das raparigas faziam-no mais do que uma vez por dia, enquanto do lado dos rapazes essa percentagem ficou nos 59,7%. Lisboa é onde há mais alunos a lavarem os dentes mais do que uma vez por dia, o Centro fica no fundo da lista com 57,1%.

É no Centro que mais jovens praticam desporto, seguindo-se Lisboa, o Alentejo, o Norte e, no fim da lista, o Algarve. São os rapazes que mais se dedicam à prática da atividade física: em 2010, 19% dos rapazes praticavam desporto todos os dias, quando só 8,2% das raparigas responderam da mesma maneira. Em 2010, 80,4% dos alunos tomavam o pequeno-almoço todos os dias: 84,7% dos rapazes e 76,4% das raparigas. É no Alentejo que o pequeno-almoço é menos esquecido. Do lado oposto, estão os alunos de Lisboa com 76,8%.
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