Mais alunos no interior e menos que querem ser professores

Na primeira fase de acesso ao Ensino Superior, 43 992 alunos entraram na universidade. Os cursos de Engenharia continuam a ser os mais procurados, Medicina mantém-se no top 10 mas não nos primeiros lugares, as formações para futuros professores ficaram com metade das vagas por preencher. Há 7 290 lugares disponíveis na segunda etapa que termina a 21 de setembro.
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No mais recente concurso de acesso ao Ensino Superior público, entraram 43 992 alunos nas universidades, menos 922 do que no ano anterior, o que inverte ligeiramente a tendência de subida dos últimos quatro anos – uma quebra de 5,6% e o número mais baixo desde 2015, ano em que se candidataram 48 271 estudantes. Menos 3 072 candidaturas foram validadas em relação ao anterior e 89,1% dos alunos que concorrem foram colocados, um aumento de 3,4 pontos percentuais do que em 2017. Cerca de 55% dos estudantes colocados foram admitidos na primeira opção, um aumento de 5,7 pontos percentuais em relação ao ano passado, e 88,2% entraram numa das primeiras três opções, o que representa um aumento de 4,8 pontos percentuais face ao ano passado. Restam agora 7 290 vagas para a segunda fase do concurso que começa esta segunda-feira, dia 10, e termina a 21 de setembro.  

Medicina fica, pela primeira vez, fora do top 5 dos cursos com médias mais altas. Este ano, a média mais alta, de 189,4, está no curso de Engenharia Civil (Ensino em Inglês) na Universidade da Madeira, que teve apenas um aluno colocado em 20 vagas. É um curso lecionado em Inglês, a opção de um estudante luso-venezuelano que estava a estudar em Lisboa e que, por razões económicas, quer voltar para a Madeira, onde vive há três anos depois de ter deixado a Venezuela, devido à instabilidade que se vive no país. Chama-se Juan Batista, tem 20 anos, é neto de madeirenses.

Segue-se a média de 189 no curso de Engenharia Física Tecnológica na Universidade de Lisboa e de 188,5 em Engenharia Aeroespacial também em Lisboa. O curso de Engenharia e Produção Industrial, na Universidade do Porto, surge em quarto lugar com média de 186,3. Com 183,5 está a média do último aluno a entrar no curso de Matemática Aplicada e Computação na Universidade de Lisboa e Bioengenharia na Universidade do Porto com 183. Medicina surge em sétimo lugar com uma média de 182,2 no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. Na oitava posição está Medicina na Universidade do Porto com 181, seguindo-se Engenharia Biomédica na Universidade de Lisboa também com 181, e na décima posição surge Medicina na Universidade do Minho com 180,5 de média.

Direito em Lisboa e em Coimbra é o curso com mais alunos colocados, Enfermagem e Medicina também estão no topo das licenciaturas com mais estudantes. Há 91 cursos com menos de seis alunos colocados nesta fase do concurso nacional e 33, menos 25 do que em 2017, sem qualquer estudante. As engenharias continuam a ser as áreas mais procuradas, enquanto os cursos ligados à Saúde tiveram uma quebra na seleção dos alunos.

Menos vagas em Lisboa e no Porto
A procura dos cursos de formação de professores continua a decair. Este ano, regista-se a maior quebra dos últimos anos com cerca de metade das vagas por preencher. Nesta primeira fase, entraram 693 alunos nessa área de formação. Foram 519 os candidatos que colocaram esses cursos na primeira opção, menos do que no ano anterior, quando 853 alunos tinham-no feito.

Na segunda fase de acesso, o maior número de vagas disponíveis está nos cursos de engenharia, com 1 829 lugares. As licenciaturas de Direito, Ciências Físicas, Matemática, Informação e Jornalismo têm poucas vagas na etapa que se segue. A procura também aumentou na área de Física, uma subida de 4,5%, face ao ano anterior, que já não tem vagas disponíveis. Um aumento de cerca de 25% comparativamente ao ano letivo de 2016/2017, que reflete a decisão da tutela de privilegiar esta área na afetação de vagas.

O Governo refere que os dados mostram um aumento de candidatos em instituições de Ensino Superior do interior do país, com mais 1,2% de candidatos que entraram na primeira opção. Um aumento mais significativo em Tomar, Portalegre, Bragança, Beja, Santarém, Castelo Branco, Setúbal, Vila Real e Guarda. Houve um aumento relativo no total de colocados. “Estes valores indiciam uma maior perceção da alternativa de qualidade que estas instituições de ensino podem representar”, refere o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Por outro lado, verifica-se um decréscimo de 3 033 candidatos que concorreram, como primeira opção, a universidades de Lisboa e do Porto, o que está associado à indicação governamental de redução de vagas nessas instituições do país. O número de estudantes colocados nesta fase nas duas cidades diminuiu 1,3 % face ao ano anterior. Mesmo assim, as instituições de Ensino Superior de Lisboa e Porto representam 47% no total de estudantes colocados, enquanto as universidades de regiões de menor pressão demográfica representam 23%, e as restantes cerca de 30%.

Considerando todas as vias de ingresso em licenciaturas e mestrados integrados, o Governo estima que o número de novos estudantes no Ensino Superior público, no próximo ano letivo, atingirá cerca de 73 mil. “A previsão de ingresso de estudantes internacionais indica um aumento relevante de mais de 22%, sobretudo com estudantes brasileiros a iniciar estudos numa gama alargada de instituições”, adianta o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. E o ingresso de estudantes em cursos técnicos superiores profissionais aumentou 13% - com cerca de 38% de estudantes oriundos do Ensino Secundário Profissional, 21% do Ensino Secundário Científico-Humanístico e 28% de outras modalidades de ensino secundário. As principais escolhas recaem nss Ciências e Tecnologias de Informação, Eletrónica e Automação, Comércio e Administração, Turismo e Hospitalidade, Metalurgia e Metalomecânica.

Mais estudantes brasileiros
O ministério dá ainda nota da previsão de ingresso de estudantes internacionais e de um aumento relevante de mais de 22%, sobretudo com estudantes brasileiros que iniciam os estudos num conjunto alargado de instituições, incluindo em Bragança, Porto, Coimbra, Beira Interior, Algarve, Lisboa, Castelo Branco, Leiria, Guarda e Aveiro. “As estimativas mostram que o total de novos estudantes estrangeiros ao abrigo do Estatuto de Estudante Internacional que se prevê iniciarem estudos em Portugal aumenta de 4521 em 2017 para 5540”, indica a tutela.

Relativamente à distribuição dos estudantes pelas diferentes vias de ingresso notam-se algumas diferenças entre o subsistema universitário e o subsistema politécnico. Segundo o ministério, “enquanto as instituições universitárias recebem 84% dos seus novos estudantes através do regime geral de acesso, os estudantes das instituições de politécnicas têm origem num leque mais diversificado de regimes de acesso, em associação com a sua forte implantação regional e orientação profissionalizante, recebendo apenas 76% dos seus novos alunos pelo regime geral de acesso”.

“Estes valores revelam que enquanto a maioria dos estudantes que frequentam os cursos Científico-Humanísticos prosseguem estudos (80%), apenas 16% dos estudantes oriundos dos cursos profissionais e 58% dos estudantes oriundos dos cursos artísticos especializados se encontram, no ano imediato, a adquirir, em Portugal, uma nova qualificação”.

Num ano com menos 3 000 candidatos e com menos alunos a cumprir requisitos de candidatura devido às notas dos exames nacionais, o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, António Fontainhas Fernandes, considera os resultados “muito positivos” e destaca a “percentagem muito elevada de ocupação de vagas”, em declarações à Lusa. “As instituições não têm que estar à espera de políticas públicas, têm que fazer o seu trabalho”, acrescentou.

“Na primeira fase do concurso nacional de acesso ingressaram nas instituições politécnicas 16 973 estudantes, o que representa uma taxa de colocação de cerca de 75% face às vagas colocadas a concurso. Este é um valor semelhante ao de 2017, no mesmo ano que assistimos a uma redução de cerca de 5% no número de candidatos ao ensino superior e a uma redução de vagas no mesmo montante nas instituições localizadas em Lisboa e no Porto, revelador da resiliência e da confiança no sistema de ensino superior politécnico”, defende, em comunicado, o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).
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