Inês é MathGurl, a Youtuber da matemática

MathGurl tem vídeos divertidos com conteúdos sérios à volta da disciplina dos números. Inês Guimarães tem 20 anos e estuda Matemática na universidade. É o rosto e autora de um canal que já tem mais de 50 mil subscritores. Criatividade e boa-disposição são dois ingredientes que utiliza sem restrições.
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O poder dos triângulos e a importância dessas figuras geométricas para a compreensão do que nos rodeia. O paradoxo da melancia, o seu peso e percentagem de água em estado normal e depois de desidratar. Nem sempre o que parece é. Análises numéricas, raízes quadradas, o método de Newton. Intervalos de confiança, erros comuns, estatísticas e ratoeiras, indicadores e ferramentas matemáticas. Falsas causalidades, áreas, probabilidades condicionadas, álgebra, equações, sinais. Como o espaço entre os dedos dá para contar até 12. Desenhos, músicas, explicações.

Dos temas mais simples, às matérias mais complicadas. Tudo pode ser explicado. Nem sempre é fácil, mas nada é impossível. Haja imaginação e aquele jeito e sensibilidade para captar a atenção. Ouvir Matemática pode ser divertido. Inês Guimarães é MathGurl. Com sotaque do norte, conversa fluída, observações engraçadas e pertinentes, ela explica por que a Matemática é uma ciência extremamente rigorosa que não permite generalizações à toa. Inês está no YouTube por boas razões. Usa os métodos dos youtubers para fins pedagógicos. E, por entre o humor e boa disposição, fala de assuntos sérios.

Inês Guimarães tem 20 anos, é de Guimarães, e passou para o terceiro ano da licenciatura em Matemática na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Adora Matemática e, em frente à câmara, descomplica matérias complexas em vídeos que filma e que vai disponibilizando no YouTube. E como surge a ideia de usar uma ferramenta muito utilizada pelos jovens para falar de Matemática, aquela disciplina que dá tantas dores de cabeça? “Surge sobretudo da necessidade de querer partilhar curiosidades matemáticas com que me deparava ao ler livros de divulgação científica”, conta ao EDUCARE.PT.

Na escola, não tinha muitos colegas interessados em falar desses assuntos, mas não desistiu. Na sua cabeça, valia a pena falar desses temas que faziam parte do seu rol de interesses. “Achava que valia a pena mais jovens ficarem a conhecer algumas pérolas da Matemática porque era um assunto que me fascinava (e fascina) imenso”. E avançou com o canal numa altura em que não estava lá muito satisfeita com o seu desempenho nas Olimpíadas de Matemática. Foi então que decidiu “fazer” Matemática “de uma forma diferente, para as pessoas”. Num canal do YouTube.

E assim nasceu o MathGurl para divulgar vídeos e produzir material que a orgulham. “Acho que só com essa honestidade e genuinidade, ao falar de assuntos que me apaixonam verdadeiramente, consigo contagiar as outras pessoas e, quiçá, criar uma comunidade de amantes de Matemática para juntos aprendermos mais e nos divertirmos pelo meio”, refere. Nem sempre é fácil, é preciso pensar no que vai despertar a atenção de quem vê. Com um objetivo sempre presente. “Mostrar uma abordagem diferente aos conteúdos matemáticos, tanto àqueles que nunca se deram bem com ela como aos outros que já dela gostam e que, simultaneamente, os visualizadores se divirtam ao aprender mais sobre a área”.

Simplificar essa linguagem envolta em números é um bicho-de-sete-cabeças? Inês admite que nem sempre é fácil explicar um conceito de uma forma simples, mas não o quer fazer de uma maneira simplista. Ou seja, é possível transmitir informação correta mesmo colocando de parte algum rigor mais enfadonho. “No entanto, com paciência tudo se consegue, não é assim tão difícil”, garante.

Não é fácil fazer com que os jovens gostem de Matemática. Geralmente, é aquela matéria que desespera alunos. “É difícil quebrarmos algumas ideias pré-concebidas que as pessoas adquirem na escola ou por influência de outros que têm algum trauma com a área”, diz. “Ainda assim, já recebi muitos comentários de gente a dizer que odiava Matemática e com os meus vídeos passaram a gostar e não faziam ideia do quão entusiasmante ela podia ser”, acrescenta.

Com humor, sem “encher chouriços”
Não há uma fórmula mágica que sintetize os conteúdos que partilha no seu canal. Um tema que a interesse é o motor para a gravação de um vídeo. E Inês sabe que o entusiasmo se sente do outro lado do ecrã. Não tem o hábito de preparar guiões com antecedência porque não corre lá muito bem. Acabam sempre no lixo porque o tempo passa e a abordagem ou o interesse podem mudar nesse entretanto. “Tento fazer com que os vídeos sejam sempre dinâmicos, informativos e variados – tanto falo de assuntos mais básicos como mais complexos, de forma a não excluir ninguém”, sublinha.

“O humor é um ingrediente essencial, mas nunca coagido, e tento sempre transmitir as informações de forma concisa e sem andar para lá a ‘encher chouriços’. Em alguns vídeos posso falar de um assunto que até se aprende no 3.º ciclo, e noutros abordo já conteúdos universitários (levemente); falo de histórias de matemáticos, curiosidades e, volta e meia, de coisas um bocado mais técnicas, mas ainda assim interessantes (espero eu!)”.  

Não há conselhos de como ensinar Matemática. Não há lições a dar a quem tem a tarefa de ensinar a disciplina. “Tenho noção de que ser professor é algo esgotante e nada trivial, mas penso que o essencial é transmitir os conhecimentos de uma forma bem-disposta e motivar o aparecimento de certos conceitos, quer abordando a parte da história que levou ao seu surgimento, quer mostrando aplicações e quebra-cabeças estimulantes ou à realidade e outras ciências. A Matemática devia ser algo que exige criatividade e não somente a mecanização de técnicas e um uso limitado de certas ferramentas”, defende.

Inês é insatisfeita por natureza, por vezes sente que não consegue inovar no que vai fazendo, mas, de uma forma geral, tem corrido bem. Já são mais de 50 mil subscritores e 99% do feedback tem sido positivo. E é uma atividade que lhe tem permitido ir a eventos, já esteve num TEDx, e conhecer pessoas interessantes. “Às vezes até acho que nem merecia tanto, porque o que faço não é nada do outro mundo… Simplesmente sou adepta da velha frase ‘põe o máximo no mínimo que fazes’”. E assim pretende continuar.  

MathGurl em  
https://www.youtube.com/channel/UC5RV_s1Jh-jQI4HfexEIb2Q

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