Vinte mil professores colocados no ano letivo 2018-2019

O ME anunciou ontem, dia em que foram publicadas as listas, que vinte mil professores ficaram colocados no ano letivo 2018-2019. FNE considera "falta de respeito" o prazo de divulgação das listas, mas Alexandra Leitão afirma que não há atrasos na colocação. FENPROF avança que mais de 30 mil professores e educadores estão para já no desemprego.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Em nota à comunicação social, o Ministério refere que a divulgação das listas de colocação de professores ocorre "dentro do calendário previsto, a duas semanas do início das aulas", permitindo assegurar "a normalidade no arranque do ano letivo".

As listas foram publicadas no portal da Direção-Geral da Administração Escolar.

Este ano realizaram-se sete concursos: concurso interno antecipado, concurso externo ordinário, concurso externo extraordinário, concursos interno e externo do ensino artístico, mobilidade interna e contratação inicial.

Segundo o Ministério da Educação, foram vinculados cerca de 3500 professores, a que se somam cerca de 3500 docentes que vincularam em 2017, "o que representa um número de vinculações sem precedentes".

No concurso de mobilidade interna foram distribuídos perto de 14 000 horários a professores do quadro (cerca de 11 000 em horários completos e cerca de 3000 em horários incompletos).

Na contratação inicial ficaram colocados perto de 6000 docentes contratados, dos quais cerca de 3000 em horários completos.

A tutela realça que, no cumprimento da lei, "foram distribuídos horários completos e horários incompletos na mobilidade interna aos professores do quadro", pelo que terão de ser contratados "cerca de 3000 docentes externos para ocupar horários completos, apesar de terem vinculado aos quadros 7000 professores nos últimos dois anos".

"Falta de respeito"
A Federação Nacional da Educação (FNE) considerou "uma falta de respeito" para com os professores a divulgação hoje das listas de colocação para o próximo ano letivo, por lhes deixar "muito pouco tempo" para organizarem a sua vida.

"Em vez de prepararem o ano letivo, os professores estão preocupados em como vão organizar a sua vida", afirmou à Lusa o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, numa referência aos docentes que ficaram colocados em escolas longe da sua residência habitual e da sua família.

O secretário-geral da FNE considera o prazo "uma falta de respeito" para com os docentes colocados, uma vez que as listas são divulgadas a dois dias úteis de os professores se apresentarem nas escolas.

Para João Dias da Silva, teria sido mais justo que as listas de colocação tivessem sido divulgadas em finais de julho para dar tempo aos professores para organizarem a sua vida pessoal.

Segundo o dirigente da FNE, todos os anos há "incerteza das escolas", ao não saberem se vão ter todos os docentes de que necessitam, e "angústia dos professores", ao desconhecerem em que escolas vão ficar colocados.

O problema seria resolvido, de acordo com João Dias da Silva, se as escolas fossem dotadas de um quadro de "professores imprescindíveis" para preencher "necessidades permanentes".

O recurso às listas de colocação só deveria, disse, ser usado pelas escolas para suprimir necessidades pontuais, em caso por exemplo de doença ou reforma de um professor.

A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, afirmou ontem à agência Lusa que "é absolutamente falso que haja qualquer atraso na saída de listas dos professores" e que "está tudo dentro dos calendários normais".

Segundo as contas da secretária de Estado, "concorreram 29 mil professores de contratação inicial nesta fase e ficaram colocados seis mil" que não têm vínculos. Três mil desses ficaram com horário completo. A estes juntam-se os professores que já são de quadro, totalizando vinte mil docentes que ficaram colocados no ano letivo 2018-2019.

Segundo a secretária de Estado, este ano outros 3500 professores que estavam sem vínculo passam a integrar os quadros do Ministério, tal como tinha acontecido em 2017 com outros 3500 docentes.  "Deixam de ser contratados e passam a ser professores dos quadros" e esta nova vinculação inclui, pela primeira vez, professores do ensino artístico de música e dança, disse.

Sobre as críticas dos sindicatos a atrasos e perturbações no arranque do novo ao letivo, Alexandra Leitão sublinhou que "o processo de colocação de professores está concluído e não há nenhum atraso e nada que ponha em causa a normalidade" do início das aulas.

"Está tudo dentro dos calendários normais, é um processo que este ano teve que arrancar mais tarde por causa da lei da Assembleia da República [ensino artístico especializado], que só foi publicada a 19 de abril", referiu, elencando que, desde 2011, as listas de professores foram divulgadas sempre no final de agosto, em alguns casos em setembro.

A exceção foi em 2017, quando as listas foram publicadas a 25 de agosto. "Foi um ano bastante antecipado ao que é a média dos anos anteriores", explicou.
Alexandra Leitão admitiu ainda que "a mecânica do concurso pode sempre ser alterada, desde que haja uma alteração legislativa acordada por todos".

Mais de 30 mil professores e educadores ainda no desemprego
A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) salientou que se vão manter no desemprego, para já, mais de 30 000 professores e educadores, lamentando que as colocações de docentes não resolveram os problemas de precariedade.

"Tendo em consideração o número de candidatos ao concurso externo, que havia sido divulgado pelo Ministério da Educação, manter-se-ão no desemprego, para já, mais de 30 000 professores e educadores", diz um comunicado da FENPROF.

Num comentário à publicação das listas de docentes colocados conhecida ontem, a FENPROF diz que estas colocações “não resolveram os problemas de precariedade, instabilidade e injustiça que são vividos pelos docentes”.

No documento a estrutura sindical lamenta também, como de resto já tinha dito numa conferência de imprensa na tarde de hoje, que só agora tenham sido divulgadas as colocações, já que se inicia o ano escolar na próxima segunda-feira.

Os professores, diz a FENPROF, ficam com apenas um dia útil “para refazerem toda uma vida, em muitos casos a centenas de quilómetros das suas residências familiares”, pelo que a “divulgação tardia” constitui “um profundo desrespeito pelos professores e pelas suas famílias”.

O Ministério da Educação, ao referir, no comunicado que emitiu, que as listas são divulgadas a duas semanas do arranque do ano letivo, “parece desvalorizar todo o trabalho que é feito nas escolas até ao dia em que os alunos se irão apresentar, trabalho esse que se iniciará um dia útil depois da divulgação destas listas”, diz a FENPROF.

No comunicado afirma-se ainda que a revisão da atual legislação de concursos, “que não mereceu o acordo da FENPROF, no sentido de resolver as injustiças que o atual provoca e de combater, efetivamente, a precariedade do corpo docente, continuará a ser uma das prioridades da luta dos professores”.
A FENPROF diz ainda que é preciso agora verificar aspetos como o número de docentes que se mantém em situação de “horário zero”, e o número de horários nas escolas que continuam por preencher.

Vinte mil professores ficaram colocados no ano letivo 2018-2019, anunciou hoje o Ministério da Educação no dia em que foram publicadas as listas de docentes.
    • a
    • a
  • comunidade
  • comentar
  • imprimir
Comentários
Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários
  • submeter
  • cancelar
  • visualizar
Não existem comentários. Dê-nos a sua opinião!
 
Para salvaguardar o bom funcionamento deste espaço, todos os comentários são sujeitos a um processo de filtragem e validação editorial, pelo que só serão aceites participações sem linguagem obscena, difamatória, ameaçadora ou caluniosa.

O EDUCARE.PT reserva-se o direito de não validar todos os comentários que não se enquadrem nestes pressupostos e que não se relacionem, única e exclusivamente, com a atualidade educativa.
Recordamos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, nomeadamente, no que respeita à veracidade dos dados e das informações transmitidas.