Observar os media com “ação e movimento”

Observatório sobre os Media, Informação e Literacia nasce em Braga com a missão de tomar posição sobre políticas e práticas de educação mediática.
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São cada vez mais os olhos postos nos ecrãs. Sejam eles televisores, computadores, portáteis, tablets ou telemóveis. Crianças, jovens e adultos são consumidores, e até produtores, de conteúdos que informam e entretêm em múltiplos suportes. Leem, escrevem e pensam online. Por estas linhas se percebe a importância crescente concedida ao estudo da relação das pessoas com o mundo virtual.

O campo de estudo da Educação para os Media ou da Literacia mediática é vasto. Investigadores, professores, educadores e outras entidades podem agora encontrar um “sítio” onde podem aprender mais sobre esta área. A partir de Braga, foi criado, em julho, um Observatório sobre os Media, Informação e Literacia (MILObs) cuja missão, como explicou ao EDUCARE.PT a sua coordenadora, Sara Pereira, “não é apenas observar, mas também agir e tomar posição”.

O MILObs começa, desde logo, por ser um repositório de recursos digitais. Mas promete ser muito mais. A ideia de criar o Observatório surgia em 2010, quando o Centro de Estudos Comunicação e Sociedade (CECS), da Universidade do Minho, recebia da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) uma encomenda para um levantamento nacional da iniciativas e intervenções que nas escolas ou na sociedade, em geral, se faziam na área da Educação para os Media.

Foi ao identificar “quem fazia o quê, onde e para que públicos” que os autores do estudo começaram a sentir a necessidade de “qualquer coisa que apoiasse, reunisse e ajudasse a encontrar facilmente informação”, explicava Manuel Pinto, um dos investigadores que liderou esse mesmo estudo da ERC, durante a cerimónia de apresentação do Observatório. O levantamento dava origem ao livro Educação para os Media em Portugal: Experiências, atores e contextos. E este é um dos vários estudos disponíveis no site do MILObs que reúne um conjunto de bibliografia especializada.

Servindo de guia numa incursão pelo site do MILObs, Sara Pereira chama a atenção para duas secções. Uma em que se assinalam experiências e iniciativas a decorrer nas escolas. Pretende-se “envolver as pessoas, levá-las a participar e a disponibilizar os seus trabalhos”. Ao partilhar informação sobre iniciativas ou projetos estamos a construir uma base em que as pessoas se podem inspirar”, explica Sara Pereira. Outra secção que servirá para divulgará a oferta de formação existente.

Ao nível da formação de professores e educadores, Sara Pereira explica que é preciso começar “pela base”. Quem dá os primeiros passos na utilização pedagógica dos media na sala de aula tem já um documento orientador. Trata-se do “Referencial de Educação para os Media para a Educação Pré-Escolar, o Ensino Básico e o Ensino Secundário”, editado em 2014 pela Direção-Geral de Educação (DGE) e cujo link está disponível no site do MILObs.

De acordo com Sara Pereira, o documento poderá e já tem servido, precisamente, "de base” para o desenvolvimento de ações de formação para professores. Tal como aconteceu este ano, em resultado de uma parceria com a DGE. Nessa, como nas formações que o MILObs pode vir a realizar, “o objetivo será sempre habilitar os professores para que no terreno e junto dos seus alunos possam promover a literacia para os media”, resume a coordenadora.

Além dos recursos em “PDF”, de livros, revistas, relatórios, o site oferece uma contextualização histórica e uma cronologia, em construção, que ajudam os visitantes a “entrar” no domínio da Educação para os Media. Desde a utilização educativa do cinema e da criação dos jornais escolares até à explosão das tecnologias da informação e comunicação.

Fica-se a saber, por exemplo, que um dos marcos do uso dos media como recurso pedagógico foi a “Declaração de Grunwald sobre Educação para os Media”, assinada em 1982 e que resultou de um encontro de especialistas de vários países, apadrinhado pela UNESCO. O documento lança um olhar crítico sobre o impacto cultural e social dos meios audiovisuais e o seu papel decisivo na promoção da participação ativa dos cidadãos na sociedade.

O MILObs está também aberto a parcerias, como a designada por “Ouvido Crítico”. Um projeto realizado conjuntamente com a Antena 1 e do qual resultaram até agora 12 podcasts abrangendo temas como o mediático Supernnany, a explosão do digital, a ameaça à liberdade de expressão ou os direitos de expressão das crianças. Os podcasts são criados por especialistas na área da Educação para os Media e transmitidos semanalmente, às quartas-feiras, depois das 15h00. Podem ainda ser ouvidos a qualquer hora, diretamente do site do MILObs.

Ao EDUCARE.PT, Sara Pereira garante que o MILObs tem potencial para “ir além da observação do seu objeto de estudo”. Poderá receber encomendas de estudos e emitir pareceres sobre políticas e práticas relacionadas com a Literacia Mediática. “Por isso é o que papel do MILObs é muito mais do que dar informação, esse seria um conceito muito restrito de Observatório e o que nós pretendemos é colocar ação e movimento nesta palavra.”

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