Viagem pela valorização do Ensino Superior

Iniciativa “Comboio do Conhecimento” mobiliza mais de 10 mil universitários a viajar pelos caminhos de Portugal. A secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior diz que o objetivo “é valorizar os alunos, reconhecer o seu esforço e a importância de estarem no Ensino Superior”.
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Portugal precisa de mais licenciados. Em cada três jovens de 20 anos, apenas um está a estudar. O país fez progressos. A população está mais qualificada. No entanto, “instalou-se uma perceção errónea daquilo que são as vantagens de obter formação superior”, lamenta a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Contra o senso comum, surgem os factos. “Os dados falam por si”, garante Maria Fernanda Rollo. “Uma pessoa com formação superior tem cerca de 85% mais de probabilidades de ter emprego do que aquela que não tem e a sua progressão salarial é muito mais vantajosa.” Esta é a realidade que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior quer mostrar, sobretudo, às famílias.

Há mais números que importa dar a conhecer. Como os que ditam que cerca de 50% das profissões, tal como nós as conhecemos hoje, vão tender a desaparecer no futuro. Ou podem ser substituídas por contextos profissionais que exigem mais ou outro tipo de competências que, segundo a secretária de Estado, “podem ser conseguidas no Ensino Superior”.

Se há menos alunos, do que o país precisa, como diz o Governo, a prosseguirem estudos além do 12.º ano, também há muitos universitários a terem dificuldades nos primeiros anos de curso. “Os níveis de abandono e insucesso académico são também significativos”, aponta a secretária de Estado. O “Comboio do Conhecimento” serve a ambos.

Com o lema “Não fiques apeado – dá crédito aos teus estudos e vem conhecer Portugal”, o “Comboio do Conhecimento” oferece um passe de sete dias consecutivos nos serviços urbano, regional, inter-regional e intercidades na rede da CP – Comboios de Portugal aos estudantes que passem do 1.º para o 2.º ano do Ensino Superior com aproveitamento escolar. É uma oportunidade para os jovens de ficarem a conhecer a cultura e o património português.

Mas trata-se apenas da ponta do icebergue. A iniciativa está associada a uma campanha mais vasta de promoção do Ensino Superior, desenvolvida pela Direção-Geral do Ensino Superior, onde se inclui o manifesto “Não desistas de ti”, dirigido aos estudantes que frequentam o Ensino Secundário, nos cursos científico-humanísticos e profissionais e o portal “Continuar a Estudar” que vai disponibilizar informação sobre acesso e frequência do Ensino Superior.

Vale a pena estudar

“Queremos que as pessoas tenham consciência que hoje ter formação superior representa um contexto de oportunidades muito grande”, explica a secretária de Estado, em declarações ao EDUCARE.PT. Importa, por isso, desmistificar algumas ideias preconcebidas. Como a de que não vale a pena estudar porque os licenciados estão no desemprego.

“Não é verdade”, esclarece a secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, acrescentando: “É fácil, com alguma demagogia e irresponsabilidade perante o país, dizer que não vale a pena estudar e, como muitas vezes ouvimos dizer, que os jovens vão para os politécnicos e para as universidades para gastar em dinheiro e depois acabam o curso e não têm emprego.”

Voltamos aos números. Em média, entre 80% e 91% dos adultos que concluíram os vários níveis de formação superior têm emprego, contra 74% a 79% daqueles que concluem o Ensino Secundário e menos de 60% dos adultos que não concluíram. São ainda vários os estudos nacionais e internacionais, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que mostram como os licenciados foram os que mais depressa recuperaram da crise económica.

Porque toda essa evidência existe, Maria Fernanda Rollo considera inadmissível que a decisão de não continuar estudos assente em factos errados. “Não podemos ter apenas um terço dos nossos jovens a fazerem formação superior e os outros, porque se instalou esta ideia que não vale a pena, a ficarem sem estudar”, aponta Maria Fernanda Rollo, por isso, “temos a obrigação de contrariar quando os pressupostos que inspiram essas decisões não são corretos.”

Mas há outra ideia que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior quer transmitir à população adulta. A de que o próprio Ensino Superior está diferente: “A versatilidade da oferta é muito maior e é difícil não encontrar uma formação que se adapte ao contexto de profissional das pessoas.”

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