Um espaço para ajudar famílias na alimentação das crianças

A primeira Unidade de Intervenção Alimentar da Criança funciona no Porto com consultas para pais e filhos que precisam de dicas no reino da alimentação. As consultas funcionam na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, da Universidade do Porto, às terças-feiras e sábados de manhã.
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Comer sopa por uma palhinha pode ser uma boa estratégia para contornar aquela resistência dos mais pequenos aos legumes. A recompensa de doces em troca de umas colheradas de sopa ou de peças de fruta não é aconselhável. Pode ser uma armadilha que facilmente se torna uma rotina. Para dar orientações nutricionais e comportamentais, travar birras à mesa, ajudar a superar dificuldades, ensinar às famílias o que é uma alimentação saudável, surgiu a primeira Unidade de Intervenção Alimentar da Criança (UnIAC), uma iniciativa das faculdades de Ciências da Nutrição e da Alimentação (FCNAUP), de Psicologia e de Ciências da Educação e de Medicina da Universidade do Porto, e do Instituto de Saúde Pública da mesma universidade.

A alimentação infantil é um grande desafio para os pais e pode mesmo ser uma dor de cabeça que não passa. Ou pela resistência das crianças em experimentar alimentos novos e saudáveis, ou pela preferência de alimentos nada recomendáveis, ou pela recusa de ingerir o que manda a boa saúde. A UnIAC, a funcionar desde o início de junho, centra-se sobretudo numa alimentação saudável em crianças dos 2 aos 5 anos.

A ideia é intervir junto das famílias com estratégias e ferramentas para que os pais saibam como lidar nos momentos mais tensos das refeições. E, ao mesmo tempo, com metodologias interativas e digitais para despertar a atenção dos mais pequenos para boas práticas alimentares. Oficinas para pais e filhos sobre alimentação saudável também estão no programa desta unidade que tem nutricionistas, pediatras e psicólogos num trabalho colaborativo.

A abordagem segue vários caminhos com o objetivo de uma alimentação saudável, aproveitando-se a investigação que a Universidade do Porto faz no domínio da nutrição e alimentação. Tudo para ajudar a travar conflitos entre pais e filhos às refeições e para deixar bem claro que comer saudável não implica contratos de recompensa.

Pedro Moreira, diretor da FCNAUP, em declarações à Lusa, salientou a importância de haver exemplos em casa e um discurso coerente na família. Até porque há estudos que mostram que os mais pequenos preferem doces aos legumes. “Sabemos que a biologia humana, regra geral, não nos empurra muito para as coisas que são mais desejadas em termos de alimentação saudável, nomeadamente uma ingestão adequada de produtos hortícolas. Sabemos que comer legumes é uma coisa muito complicada nas famílias”, referiu à Lusa.

A faixa etária dos 2 aos 5 anos é delicada. A responsabilidade máxima está nas mãos dos pais que tomam as grandes decisões alimentares. A avaliação inicial é feita por um nutricionista e por um psicólogo. A partir desta primeira análise, é então elaborado um plano de intervenção com estratégias que podem ser afinadas a cada passo. Sandra Torres, psicóloga que integra o projeto universitário da UnIAC, revela que, durante as consultas, há um “supermercado montado” com os produtos mais desejáveis para que as crianças brinquem e simulem escolhas. Uma maneira de os especialistas perceberem o que se pode manter e o que é preciso mudar. “Aumentar o tempo de exposição de alimentos saudáveis e brincar com eles é um caminho a percorrer nas consultas”, referiu à Lusa.

As consultas acontecem às terças-feiras das 9:00 às 16:00, incluindo a hora de almoço, e aos sábados de manhã das 9h00 às 13h00, em instalações da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), e custam 30 euros.

Informações:
Serviço de Consulta Psicológica da FPCEUP
Telefones: 22 0400600/22 0428922
Email: secretariado_consultas@fpce.up.pt
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